A pandemia Covid-19 funcionou como um acelerador de processos na aplicação de tecnologias e mudança de comportamentos sociais e organizacionais. Em 7 meses operou-se uma mudança gigantesca para a qual ninguém estava preparado.
Muito se tem escrito, identificado, diagnosticado, mas o mercado, as indústrias, apanhadas neste tornado de acontecimentos, de desafios de sobrevivência, têm encontrado soluções de forma reativa e não estratégica ou refletiva e ponderada.
O imobiliário tem sido uma dessas indústrias, especificamente na mediação, a pressão tem sido enorme. Apesar de muitos dos principais players manterem um discurso otimista anunciando pequenas quebras, as estatísticas de número de transações e encerramento de agências não mentem, com uma quebra superior a 20% em volume de negócios e só no mês de Setembro encerraram 373 agências imobiliárias.
O pânico e a pressão levam a serem dadas formações à pressa, (em desespero as pessoas pagam para terem uma luz ao fundo do túnel) quererem transformar consultores imobiliários em especialistas instantâneos de marketing digital. O resultado é o que, com espanto presenciamos, todos a fazerem landing pages e a oferecerem avaliações gratuitas (como se alguma vez tivessem sido pagas!), ou manuais como vender a casa. Se a ação de formação era de 20 consultores, sabemos que teremos 20 landing pages iguais a seguir, o efeito é rigorosamente o oposto do pretendido, com os utilizadores e potenciais clientes a bloquearem os consultores para sempre.
Vamos seguir esta insanidade formativa e falta de pensamento estratégico, ou encontrar soluções adequadas e que façam sentido, sustentáveis e que deem resultados?
Solução Alternativa
Neste momento ninguém sabe por quanto tempo a situação da pandemia irá persistir, não há previsões, mas uma coisa sabemos: as atenções viraram-se para a internet e redes sociais, a única forma de chegar aos clientes durante o confinamento, através destas pode-se angariar, mostrar casas, negociar e até concluir negócios.
Tem ganho protagonismo nas redes sociais uma nova figura na mediação, vou chamar-lhe o Comunicador ou Animador Imobiliário.
Esta é uma abordagem completamente diferente no mercado, estes animadores/comunicadores são catalisadores de atenção e de fidelização.
Carismáticos, com grande capacidade de comunicação e interação com as audiências, transformam-nas em seguidores fiéis e estão a ganhar uma importância cada vez maior uma vez que arrastam dezenas / centenas de milhares de utilizadores para as redes sociais das suas empresas, angariando e vendendo os imóveis. Assistimos a isso no TikTok, Youtube, Instagram, Facebook.
Mesmo nos sistemas de Realidade Virtual mais utilizados como o Matterport e EyeSpy360, atualmente totalmente indispensáveis, na sua opção de chat/visita, um destes especialistas pode ter um papel de enorme eficácia na interação com o possível cliente, apresentando o imóvel e gerando a tão desejada empatia, fidelização e venda.
Um dos exemplos mais famosos vem do Brasil, chama-se Ricardo Martins, sócio e Diretor de Mkt da My Broker Imóveis.
Considerado um fenômeno do TikTok, é um dos agentes imobiliários mais seguido nesta rede e no Instagram. Com linguagem autêntica, faz vídeos dos imóveis do seu portfólio, tem mais de 40 milhões de visualizações mensais e quase 600 mil seguidores no TikTok, mais de 100 mil seguidores no Instagram e mais de 140 mil inscritos no Youtube.
Os Brokers irão começar a pensar se vale a pena investir em estruturas físicas e grandes equipas com toda a logística e despesas associadas, ou nestes profissionais de comunicação. Num cenário de confinamento social, com uma dependência cada vez maior da internet e das redes sociais, prometem ser uma solução e alternativa de enorme eficácia.
Com uma estratégia de marketing digital, assente em bons conteúdos digitais, um destes Comunicadores/Animadores Imobiliário, bem apoiado em termos de produção visual e edição alcançará resultados seguramente surpreendentes e, não numa perspetiva de solução imediata e provisória, mas sim de enorme relevância futura em termos de sustentabilidade, crescimento e fidelização de audiências.
“As pessoas não querem mais ruido nas suas redes sociais. Elas querem entretenimento, conversas edificantes e produtos que durem. Mais importante ainda, elas querem ser levadas a sério.”
Cendrine Marrouat
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Nuno Silva
16 de Novembro, 2020, 16:31Parabéns pelo artigo!
Faço formação em Marketing Digital para a área do Imobiliário e uma das questões que acho mais importantes é dizer o que não é Marketing Digital:
1. Redes Sociais (e colocar posts)
2. Anúncios de Facebook (principalmente, sem qualquer estratégia)
3. Solução Mágica
4. Um meio de atalhar caminho
5. Um substituto de um negócio de relações humanas (como é o caso do Imobiliário)
e já agora incluo Marketing Digital não é Landing Pages 🙂
E antes da utilização de qualquer estratégia ou ferramenta digital é importante definir aquilo que é crítico num negócio offline ou num negócio com posicionamento online (definição de nicho, entrega de valor e construção de autoridade).
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