A meio de 2026, o mercado mantém-se resiliente apesar da instabilidade política e económica internacional que todos os dias se mede por variações de taxas, preços e tomadas de decisão.
O mercado imobiliário já mais exposto à necessidade de adaptação, respondeu com uma decisão madura: qualidade.
A qualidade de produto, de serviço e de inovação que estimula e perdura no tempo.
Em 2025, Lisboa e outras cidades do país, promotores reforçaram a sua aposta na disponibilização de soluções de habitação e investimento para o segmento alto, premium e ultra premium como resposta à necessidade de aposta em produto rentável que lhes permitia manter as suas operações e crescer.
Ativos prime começaram a ser encarados como ações defensivas, dando a ideia de um certo arrefecimento por estarem a ser analisados e comprados com mais frieza, mais visão e no timing certo.
Esta tendência migrou para 2026 que não aparenta ser um ano de euforia, mas sim de mais estratégia porque apesar de o mercado estar saudável, não perdoa erros.
Propriedades excecionais, diferenciadoras e pensadas para quem as habita ou investe, continuam a ter procura e a demonstrar vendas. Já as propriedades que são apenas boas, começam a ficar mais tempo no mercado.
A estratégia de over pricing e pressão para baixar preço começa a sentir-se para manter o produto “a rolar”.
O mercado premium em Portugal começa a amadurecer e reconhecer o que é um verdadeiro ativo com qualidade e sentido e talvez a maior mudança esteja no conceito e na marca.
Aqui em Portugal, e há apenas cinco anos, começava-se a falar de branding imobiliário de forma muito ténue, nesta altura, branding era acima de tudo visibilidade, principalmente nas redes sociais.
Hoje branding é acima de tudo conceito, qualidade, critério e consistência onde o papel da exclusividade e identidade tem um papel fundamental para a confiança.
No ultra premium, a exposição excessiva destrói valor, mas a discrição e a acessibilidade curada, gera confiança e já sabemos que confiança, gera referências.
Uma estratégia que não é nova e já vem sendo aplicada em países mais maduros para este segmento, hoje, podemos dizer que está definitivamente a chegar a Portugal, de forma discreta sim, mas discreta apenas porque não foi pensada para ser acessível a todos.
Na mediação imobiliária, todos usam redes sociais, mas poucos sabem usar com perspicácia, estratégia e inteligência.
Nem todos os clientes querem ser vistos. Nem todos os grandes negócios devem ser mostrados. Muitos clientes não ligam aos likes, ligam a segurança, propostas e discrição.
A meio do ano de 2026, e para quem trabalha este segmento, a estratégia a ter em conta é simples e exigente: seja claro sobre quem é, escolha quem quer servir, aprenda como o seu cliente pensa e pare de confundir estilo com competência.
Divulgue, sim, mas de forma que possa captar quem lhe interessa que confie em si.
Conhecer e entender bem o mercado, o cliente, os seus hábitos e as suas dinâmicas, vale muito mais do que simular o que pensa que o segmento premium ou ultra premium que muitas vezes não passa por um carro de luxo, ou um super hotel.
Saber aconselhar para proteger os interesses do seu cliente e dizer por vezes com coragem, “não compre”, vale mais do que fechar um negócio rápido que lhe dará dinheiro, mas não lhe trará consistência de referências para poder alavancar a sua reputação e negócio.
Ou seja, entender pessoas ricas, vale mais do que parecer rico.
O futuro mercado da mediação não vai premiar quem fala mais alto. Vai premiar quem sabe posicionar-se num mercado altamente exigente e seletivo, e pensar a longo prazo.







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