A tecnologia é um tema indissociável da própria humanidade em 2021. A participação da tecnologia e o envolvimento da Internet em quase todos os aspectos do quotidiano pessoal e profissional é inevitável.
Podendo ser atribuído à internet, inteligência artificial ou outras tecnologias facilitadoras, todos os setores do mercado imobiliário viram uma mudança no padrão de trabalho e comportamentos de mercado.
A PropTech está pronta para interromper e transformar a maneira como o nosso setor imobiliário tem estado a funcionar.
No meio académico, um relatório de estudo recente da Universidade de Oxford afirma que a PropTech certamente será o futuro do mercado imobiliário e terá um forte impacto sobre todos os seus aspectos, desde que sirvam para “simplificar várias funções na indústria para todos os seus utilizadores”.
Numa análise mais tecnicista do mundo da PropTech, existem a meu ver duas abordagens comuns. Uma mais generalista e que encontra o seu sentido no facto de que tanto o “imobiliário” como a “tecnologia” são conceitos muito amplos. Logo a PropTech tem um variadíssimo espectro de setores e abordagens diferentes tanto na indústria imobiliaria como no seu nicho tecnológico.
No entanto, e catalisado pela pandemia Covid-19, as empresas vocacionadas à PropTech têm agora três pilares essenciais para os quais se debruçam para solucionar desafios autuais, e terem um impacto realmente diferenciador e eficaz nesta indústria em abrupta transformação:
Smart and Net Zero carbon Building, construção inteligente e com zero emissões de carbono
Esta temática visa dois objetivos essenciais, o controlo e gestão automatizada dos edifícios para obtenção de eficácias elevadas, tanto ao nível de ocupação como ao nível da optimização financeira; a criação de estruturas residenciais ou comerciais que não emitam dióxido de carbono e desta forma não tenham um impacto ambiental negativo para a preservação dos ecossistemas.
FinTech
O termo FinTech vem da junção de “financial” (financeiro) e “technology” (tecnologia). A origem do termo é atribuída a um programa de aceleração de startups da Accenture, em parceria com a prefeitura de Nova York, chamado FINTech. Ao longo do tempo FinTech passou a designar o segmento das startups que criam inovações na área de serviços financeiros baseados em tecnologia. Sendo a aquisição ou venda de um imóvel uma transação financeira, estás FinTechs criam modelos de negócio que visam facilitar os processos de compra e venda através de plataformas que permitem um grau cada vez maior de autonomia ao utilizador final ou cliente. Está realidade foi muito debatida nos últimos dois anos, pois de facto as FinTechs estão a um passo de possibilitar qualquer pessoa que assim deseje, tramitar todos os processos de compra e venda autonomamente, apoiado apenas em tecnologias.
Uma revisão da definição de FinTech publicada pelo professor Patrick Schueffel da Fribourg School of Management, na Suíça, em 2016 sintetizou as várias noções académicas publicadas nos últimos quarenta anos como “um novo sector financeiro que aplica tecnologia para melhorar as atividades financeiras”. Ora actualmente estão criadas todas as condições para que ao FinTechs melhorem as actividades imobiliárias para os seus utilizadores, até pela consciência ambiental e higiênica que se instaurou com o surgimento da epidemia em 2019.
O sentido comunitário num mundo onde se aclama o isolamento
PropTechs mais maduras passaram a ter uma consciência humana superior ao aperceber-se das repercussões sociais e comportamentais do isolamento e distanciamento social. Poderá parecer um contrassenso, mas vejo com satisfação PropTechs mundialmente reconhecidas a entenderem a vital importância dos laços humanos e da empatia, mesmo em transações meramente financeiras, de tal forma que debruçam-se agora em criar plataformas de economia colaborativa, onde as interações humanas são potenciadas de várias formas, sendo ao nível da referenciação (transição de informação relevante para o mercado), execução de serviços complementares à actividade imobiliária (fotografia, vídeo, storytelling) onde a arte se mistura com os números, networking (mesmo que on-line), educação, mais informação e sobretudo a interação de todos os aspectos positivos que cada folha, desta gigante árvore que é o imobiliário, pode oferecer.
Tendo estes pilares toda a atenção não só por parte dos seus desenvolvedores mas também investidores corporativos, os mesmos irão definir o futuro da indústria imobiliária dentro de um curto espaço de tempo.
Titulei este artigo como “2021 – Prelúdio para a PropTech pós COVID-19” pois esta é a hora na qual se estão a definir muitos dos futuros processos de oferta e consumo de produtos imobiliários. Nesse sentido deve haver um apelo a toda a comunidade PropTech no sentido de não desumanizar a indústria a um ponto que flua através de algoritmos, pois dessa forma perde-se o processo inventivo, intuitivo, emotivo e verdadeiramente criador de soluções positivas.
É tentador para quem desenvolve tecnologia ver numa era pandémica uma janela de oportunidade para vender produtos que alimentem o distanciamento social. Mas esta é também altura para se pensar fora da caixa e aproximar as pessoas, abrir novas opções para realidades que dávamos como certas e que tenham sido constrangidas nesta nova realidade.
Este prelúdio serve para relembrar que a solução tecnológica mais apetecível para o mercado, investidores e verdadeiros criadores terá sempre como imperativo máximo a satisfação e acesso a informação fidedigna por parte do consumidor, o desenvolvimento harmonioso com o ecossistema planetário e o impacto social positivo que esta mega indústria pode ter no planeta.
Em suma, o maior desafio que a tecnologia do imobiliário terá agora já não se trata de levar a informação de forma virtual ao utilizador, mas “abraçar” o utilizador num ecossistema único onde de forma profissional, eficaz e ágil poderá interagir em relação a produtos imobiliários da forma que pretenda, com supervisão de técnicos ou profissionais experientes nos mercados locais, e tecnologia que permite suavizar a burocratização da compra e venda de activos imobiliários. A PropTech tem agora a missão vital de incentivar o sentido comunitário e a empatia com a tecnologia que criou, para que se caminhe para um planeta mais sustentável, onde os serviços imobiliários são potência dos ao máximo pela tecnologia e pela compreensão e empatia humana.
2 comentários







2 Comentários
Isabelle
8 de Fevereiro, 2021, 23:16Muito bom
REPLYPaulo Esteves
16 de Fevereiro, 2021, 20:24De acordo, que não se perca esta janela de oportunidade.
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