A resistência à mudança é algo frequente na nossa sociedade. No imobiliário não é diferente e o as Proptech são um bom exemplo disso.
Nas publicações dos meus artigos e de outros autores nas redes sociais acerca de tecnologia no imobiliário, é frequente ler comentários de que a tecnologia é muito importante, mas que a mediação “É um negócio de pessoas para pessoas”, “que é ficção e não terá aplicação no mercado”, “que a burocracia é impeditiva”, etc.
Este tipo de comentários é mais frequente quando falamos de um desenvolvimento tecnológico que apresenta soluções inovadoras de “desintermediação”.
Inovar comporta riscos para as empresas. Existe uma necessidade de dar resposta ao mercado, de posicionamento face à concorrência mantendo e/ou aumentando cota. Ao mesmo tempo, não é fácil fazer com que o mercado assimile uma nova ideia/conceito ou produto sem resistência.
Existem vários modelos que são estudados em Marketing relacionados com a adoção de tecnologia, um dos modelos, o de Everett Mitchell Rogers de 1962, identifica 5 perfis de indivíduos:

A Curva de adoção de tecnologia mostra como uma nova ideia, um bem ou um serviço é assimilado pelo sistema social ao longo do tempo. Esta questão tem sido tema de debate e estudo por cientistas das mais diferentes áreas (sociólogos, economistas e “marketers”).
A Barreira dos Decisores
Seguramente levará ainda bastante tempo para que os conservadores e céticos adotem ferramentas desenvolvidas por Proptechs e percebam a utilidade de dados que poderão fornecer informação preditiva. Para usar um exemplo, um estudo do Altus Group de 2019 refere que 60% das empresas imobiliárias ainda usam o Excel como ferramenta para criação de relatórios.
Uma das maiores barreiras para a adoção de tecnologia imobiliária pode ser identificada como falta de conhecimento técnico no setor imobiliário e falta de foco nesse perfil durante processos de recrutamento. Em algumas Proptechs existe também uma falta de conhecimento e experiência no imobiliário gerando desconfiança nos modelos que propõem.
Segundo vários especialistas como a Goodwin (Proptech Pulse, 2019), o atraso na implementação da tecnologia tem a ver com a falta de reconhecimento da importância desta. Isto deve-se, sobretudo, à falta de preparação técnica dos decisores que têm dificuldade em entender a importância dos novos conceitos. Só cerca de 4% dos proprietários de negócios imobiliários são utilizadores habituais de tecnologias recentes. Assim, olham muitas vezes a inovação como um risco para um negócio que, apesar de tudo, revela um crescimento sustentável.
Conclusão
Mesmo com todas as resistências, é impossível travar esta 4ª Revolução Industrial. Esta encontra-se baseada na necessidade de encontrar soluções tecnológicas para o aumento da eficácia, otimização de recursos e sustentabilidade. Como tenho referido o financiamento em Propetch’s é imenso, um motor poderoso que irá quebrar as resistências. Já se classificam as empresas imobiliárias e as Proptech’s como SaaS (Software as a Service), HaaS (Hardware as a Service) e ReaS (Real Estate as a Service). Isto comporta toda uma alteração de paradigmas que merecem a maior atenção dos vários agentes no mercado e serão seguramente tema de um futuro artigo.
“As espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças.”. Charles Darwin – criador da teoria da evolução das espécies







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