O mundo mudou. E os escritórios também.

Londres, 8h da manhã, nº 78 da Cannon Street. No edifício-sede da CMS, uma das sociedades de advocacia mais reputadas do Reino Unido, um jovem advogado chega com um cliente, dirige-se à área lounge, sentam-se e bebem um café.

Esta informalidade e satisfação é tão visível neles, que se estende aos clientes que visitam a sede da CMS e que de imediato se sentem em casa, enquanto vêem o seu processo ‘descer’ para o tablet do seu advogado, através de uma qualquer aplicação da “nuvem”; fazem-se as últimas anotações e ‘sobe’ novamente para o Centro de Documentação da empresa, também ela na “nuvem” e à qual se pode aceder a qualquer momento, seja na empresa, no escritório do cliente, em sua casa ou no buraco 12 do Clube de Golfe mais próximo do escritório.

Imaginar este cenário, há uns anos, no mundo da advocacia, podia ser considerado utopia. Mas a verdade é que o coworking e o teletrabalho vieram para ficar, não por serem uma moda, mas sim uma evolução evidente. E este é um excelente exemplo, num sector onde o tempo é dinheiro e a palavra New Business é cada vez mais premente.

As empresas estão a reformular os seus métodos de trabalho, com vista a tornarem-se mais produtivas e apelativas para os futuros colaboradores. No caso da CMS, não tenho dúvidas que a estratégia foi captar os advogados mais brilhantes que as universidades lançam todos os anos para o mercado. Os novos modelos de trabalho venceram e convenceram os detentores do último baluarte da tradição dos métodos de trabalho – os Advogados – e isso prova que o mundo está a mudar.

Não é preciso ser advogado ou um profissional exigente para perceber rapidamente as vantagens de se trabalhar numa empresa que tem um edifício inteligente com cobertura wi-fi desde a sala da Direcção até aos lavabos, pois todos eles são agora considerados ‘espaços de trabalho’; com áreas comuns onde se podem trocar opiniões e informações sobre os processos que têm em mãos, enquanto partilham um café acabado de fazer ou assistem aos golos da jornada da Premier League.

Não é por acaso que estas e outras companhias estão a adoptar os modelos de trabalho do Coworking multi-empresa. Talvez por esta razão, os profissionais recém-licenciados olhem hoje para o teletrabalho e especialmente para os espações de Coworking onde estão várias empresas, não como um ‘must be’ (por falta de colocação em grandes firmas), mas como um ‘should be’ (por falta de qualidade de vida associada às grandes firmas tradicionais). Estes espaços são hoje locais imperdíveis e multidisciplinares, onde se multiplicam oportunidades de negócio e de conhecimento e se dividem custos comuns, funcionando como centrais de compras em pequena escala. Afinal de contas, porquê pagar uma renda ou serviço de limpeza e comunicações, entre outros custos, se podemos partilhar esses mesmos custos por várias empresas, em modo ‘pay-as-you-go’, ao mesmo tempo que partilhamos também visão e conhecimento com outros profissionais que são tão imprescindíveis a qualquer empresa, como um contabilista, um designer ou um informático?

O mundo mudou e a tradição já não é o que era. E ainda bem.



Por Carlos Gonçalves
CEO Avila Business Centers
Co-autor do livro “Out of the Office”

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