Evolução tecnológica na indústria imobiliária
A Indústria Imobiliária está em grande mudança por força de investimentos massivos em tecnologias digitais, uma disrupção que está a transformar o modelo tradicional em: “SRE” (Smart Real Estate). Só nos EUA, entre 2012 e 2018, foram investidos $6.4Bn, em 817 operações de financiamento a “proptech’s” de acordo com a “CB-Insights”.

O que é o “SRE” – Smart Real Estate?
O “SRE” – Smart Real Estate, é um modelo relacional impulsionado pela tecnologia, centrado no consumidor e na sustentabilidade:
- Centrado no consumidor porque, não só por força da introdução do digital, mas pelas redes sociais, este alterou o seu comportamento, hoje em dia interage e é parte ativa nos processos e, naturalmente, a razão de todo o investimento tecnológico que se faz para a sua satisfação.
- Sustentabilidade, falamos em aspetos sociais, financeiros e ambientais das cidades, como por exemplo: preço, tecnologia, eficácia (exemplo de edifícios Ecofriendly, de preço acessível, com tecnologias eficazes, gestão de energia, tratamentos e aproveitamentos de águas residuais, etc.)
- Nas 9 tecnologias “BIG9” que se identificaram, como sendo aquelas que têm o papel principal nesta disrupção de tradicional para “SMART”.
Esta disrupção, transformação e relação, ocorre fundamentalmente no digital sendo que esta disseminação se faz através de websites, APP’s e redes sociais, envolvendo consumidores/utilizadores, agentes, empresas, associações, governos e reguladores.

Tecnologias BIG9
“BIG9” são 9 as tecnologias que se acredita, irão ter um peso determinante na indústria do imobiliário nesta transformação de tradicional para “SRE”:
- Drones – A possibilidade de obter imagens extraordinárias, anteriormente só possíveis com grandes recursos financeiros, uma das ferramentas mais usadas em promoção imobiliária, exemplo de uma empresa de referência em Portugal a “Whitebalance”;
- Clouds – A “Cloud” permite aceder a programas, bases de dados através da internet e não através de enormes quantidades de informação guardada em discos rígidos com todas as questões de custos e segurança associadas. Este desenvolvimento tecnologico permite que os modelos sejam escaláveis, flexíveis, seguros e possibilitem de forma mais fácil a integração de dispositivos;
- SAAS “Software as a Service” – É a possibilidade de uma empresa de qualquer dimensão ter acesso a serviços como por exemplo CRM’s, bases de dados, sistemas de pagamento, portais a partir de qualquer acesso de internet e com qualquer dispositivo. Este sistema permite um aumento de eficácia e redução de custos muito significativos.
- AR/VR – A Realidade Aumentada e a Realidade Virtual são tecnologias indispensáveis no imobiliário e das que têm sido alvo de desenvolvimento mais rápido e integrado, prometem mudar as regras da promoção imobiliária;
- AI e Robotics- a Inteligência Artificial são o conjunto de funções complexas que permitem artificialmente replicar o raciocínio humano, de forma mais rápida e sem erros. No imobiliário conseguem analisar milhões de dados e relacioná-los para por exemplo antecipar as preferências de determinado utilizador;
- 3D Scanning– Sistemas que permitem replicas perfeitas dos ambientes, criando oportunidades de visualização de baixo custo á distância, abre todo um conjunto de novas oportunidades para o utilizador, mas também para outros agentes da indústria como por exemplo promotores;
- BIG DATA – Todo o enorme conjunto de informação que não pode ser tratada por software tradicional, esta informação depois de recolhida é classificada e tratada, tornando-se essencial para uma resposta mais eficaz ao mercado, pois permite ajustar estratégias e melhorar resultados com base em predectividade estatística de grande fiabilidade.
- Wearable Technology – São todo o conjunto de “Gadgets” tecnológicos que se têm vindo a incorporar em vestuário, acessórios como Smart glasses, Smart watches, Bracelets e outros dispositivos;
- IOT/IOE – A Internet of Things (IoT), também conhecida como Internet of Everything (IoE), é um ecossistema de dispositivos de computador inter-relacionados, máquinas digitais e objetos que tem a capacidade de transferir dados entre si em tempo real, com o mínimo de intervenção humana.
Esses dispositivos incluem iluminação, climatização, segurança, máquinas de lavar roupa, sistema de música, TVs, vestuário e outros dispositivos eletrônicos que podem comunicar entre si usando o que é chamado de comunicação máquina a máquina (M2M).
Conclusão
A forma como estas tecnologias estão a desenvolver-se, a sua interação e capacidade de transformação na indústria, a mudança de comportamentos por parte dos utilizadores consequência da sua utilização, o conjunto de informação que será recolhida, serão factores decisivos de sucesso e de diferenciação em futuros modelos.
Kevin Roberts refere a alteração do paradigma em que as marcas deixaram de controlar o consumidor para serem controladas por este, assim, no online, um click nas definições é o suficiente para um utilizador hoje se divorciar de uma marca. Todas estas tecnologias podem ser determinantes na forma como o utilizador se relaciona, interage e fideliza-se á marca, aumentando o seu valor e o conjunto de valiosa informação que se recolhe.
Há um longo caminho a percorrer, a habitual resistência à mudança, a recusa e a negação da evolução tecnológica e da adoção de modelos disruptivos, implica coragem e algum risco. O comportamento do consumidor hoje muda mais rapidamente que nunca, obriga os vários agentes a capacidades visionárias, doses de criatividade e de iniciativa, mas por outro lado nunca houve da parte de investidores uma atenção tão focada no apoio a proptech’s.
“O maior risco é não correr nenhum risco. Num mundo que está a mudar muito rapidamente, a única estratégia garantida para não falhar é correr riscos.” – Mark Zuckerberg







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