A indústria imobiliária global é a que mais lentamente tem vindo a acompanhar a evolução tecnológica da última década. Sendo o imobiliário o setor que não só mais contribui para o PIB de um país mas também define a forma como vivemos e trabalhamos, torna-se difícil acreditar que tecnologicamente é um “slow adopter”. Uma relutância à mudança e uma filosofia orientada exclusivamente para o retorno financeiro levou o imobiliário a ficar para trás tecnologicamente em relação a outras indústrias. No entanto, vivemos nos últimos dois anos uma oportunidade sem precedentes para engrenar pró-activamente no mundo tecnológico e com isso obter melhores resultados nesta indústria.
Segundo a Forbes, o investimento de grandes empresas e fundos de investimento em PropTech triplicou de 2016 para 2017 para um valor de 16 biliões de dólares e a tendência ascendente continuou em 2018. O surgimento das primeiras startups dedicadas a evoluir a forma como se constrói, vende, controla e avalia os activos onde vivemos e trabalhamos veio abrir novos horizontes.
Segundo vários temas abordados no último Mipim PropTech em Nova Iorque, os chamados “
Millennials” já exigem para seu conforto determinadas condições tecnológicas para satisfazerem os padrões de vida dos quais se habituaram quando procuram propriedades. A própria pesquisa já não se resume aos portais imobiliários que se tornaram confusos ao nível da informação e obsoletos ao nível da credibilidade. Vejamos o caso da maior construtora de casas residenciais nos Estados Unidos, a Lennar, que viu a necessidade de se juntar à Amazon para oferecer aos seus clientes “casas inteligentes a um preço acessível”. Este facto teve resultados quase imediatos, vendo as suas ações em bolsa subir de forma acentuada.
Novas abordagens a todas as faces da indústria brotam diariamente em todo o mundo. Vejamos o caso da Archilyse, empresa Suíça vocacionada para a avaliação de activos imobiliários utilizando métricas e algoritmos únicos. Esta startup criou uma plataforma que reúne praticamente todos os métodos de avaliação tradicional agregando factores como as horas de exposição ao sol, a vista das janelas de cada assoalhada, o isolamento acústico medido ao decibel e outros elementos apreciativos ou depreciativos que garantem avaliar um activo de forma exacta. O mesmo se aplica à americana Geophy, uma plataforma que utiliza inteligência artificial para avaliar imóveis e que em Janeiro conseguiu um investimento para desenvolvimento de 33 milhões de dólares de forma a trazer ao mercado transparência no processo de avaliação.
Fala-se já há algum tempo sobre como a tecnologia blockchain representa um grande disruptor no espaço imobiliário global. Mas a sua adoção tem sido atrasada pela sua associação a criptomoedas, que sem dúvida tiveram uma corrida volátil desde a sua criação nos últimos dez anos. Mas em certos mercados com um rápido desenvolvimento tecnológico como China, Singapura e Sudeste Asiático, parece haver um entusiasmo crescente e uma procura evidente para aplicá-lo aos desafios diários do mundo dos negócios, incluindo a transações imobiliárias. Poderá a região da Ásia-Pacífico, com suas incursões iniciais na utilização de blockchain, ser o catalisador para uma maior confiança global e consequente desenvolvimento e aplicação desta tecnologia no imobiliário?
Existem muitas áreas nas quais a
PropTech está a ter um impacto tremendo no imobiliário. Desde a construção, a avaliação imobiliária, a arquitectura, a gestão de activos imobiliários, o marketing imobiliário e a captação de clientes, a indústria está a dar os primeiros passos para uma revolução tecnológica há muito necessária. Uma revolução que traz transparência e informação factual sobre todo o panorama. E no final de contas é nisso que a tecnologia beneficia a indústria. Na transparência e eficácia das operações. Na melhoria contínua das ações de profissionais que desde que saibam interpretar toda a informação agora disponibilizada possam evoluir e melhorar a sua performance dando credibilidade e bom desempenho a um mercado que se encontrava dez anos atrasado quanto à sua intercepção com a tecnologia em relação a outras indústrias.
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Por Jorge Próspero dos Santos
Dynamic Referral System Corporation
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