Somos estimulados com uma quantidade enorme de inovação e informação, alguma com utilidade e funcionalidades que usamos ou adotamos em modelos operacionais de forma a otimizarmos processos e a aumentar a eficácia dos mesmos, outra, que só serve para intoxicar, confundir e de alguma forma assustar quem, com limitada proficiência tecnológica tem dificuldade em manusear um modelo recente de smartphone, ou trabalhar de forma otimizada um CRM. A iliteracia tecnológica, também no imobiliário, pode ter consequências graves como inadaptação, exclusão e redução da produtividade.
Segundo a OCDE apenas entre 2,9% e 8,8% dos adultos demonstram o mais alto nível de proficiência na escala de solução de problemas em ambientes ricos em tecnologia*.

Com o aumento da idade a proficiência tende a diminuir. Existem outros fatores demográficos como o género e geografia que são significativos nestas estatísticas e que quem quiser aprofundar pode consultar em https://www.oecd-ilibrary.org/.
De um momento para o outro, aparecem especialistas no imobiliário a usarem palavras e acrónimos como Blockchain, Metaverso, NFT’s, Tokenização, AI, Cloud, SaaS, ESG, Proptech, etc. Mas quantos de nós conseguem entender, contextualizar e saber o que significam?
Algumas empresas imobiliárias tecnológicas (Proptech’s) para se posicionarem, anunciam a aplicação destas tecnologias, com o objetivo de captarem a atenção do mercado e dos investidores, tentam assim ganhar posicionamento e relevância. Por serem recentes e existirem ainda obstáculos jurídicos, algumas das Proptech’s que introduzem estas inovações, fazem-no de uma forma ainda simples e acrescentam pouco ou nada, sendo os ganhos de produtividade difíceis de contabilizar, o mesmo acontecendo na avaliação da eficácia ou melhoria da experiência do utilizador, pelo fato de muitos não possuírem conhecimentos para entender, adotar o seu uso e beneficiar assim com essa inovação.
Assistimos nos últimos anos a um hiato entre a tecnologia e as pessoas, por força da diferença geracional e formativa. As empresas ao centrarem-se na competição de palavras e acrónimos, por vezes esquecem-se daquela que deveria ser a razão do desenvolvimento das ferramentas tecnológicas, que é serem elementos facilitadores e optimizadores de processos, de forma a melhorarem a experiência dos utilizadores.
Existe a responsabilidade de todos no desenvolvimento do processo cognitivo tecnológico, as associações representativas, as empresas per si e as entidades formadoras devem assumir como prioridade a alfabetização tecnológica da qual todos iriam beneficiar, pois aceleraria a introdução e adoção das tecnologias, favorecendo a inclusão, produtividade e consequentemente os resultados financeiros, numa estratégia de médio e longo prazo.
Na mediação imobiliária, os departamentos de RH deverão ter em atenção as faixas etárias mais elevadas, para diminuir o fosso tecnológico geracional entre:
- Baby Boomers nascidos entre 1945-1965
- Geração X nascidos entre 1965-1980
- Millennials nascidos entre 1980-1995
Existe no imobiliário uma grande amplitude etária, os mais jovens dominam melhor e estão mais recetivos às novas tecnologias, mas têm menos experiência e por norma menos network, nos mais velhos e genericamente, acontece o inverso, menos domínio tecnológico e alguma resistência às novas tecnologias, mas mais experiência e network.

É extremamente importante uma transversalidade no conhecimento e domínio dos mais importantes conceitos e ferramentas digitais, entender as vantagens do uso das mesmas, pois o inverso é a rejeição, a inadaptação ou um longo período de adoção destas ferramentas, o que certamente ninguém deseja. Uma palavra ou acrónimo tecnológico deve ser mais que um pitch para investidores ou um clickbait, deve ser conhecimento contextualizado, um processo, modelo, uma ferramenta útil, que facilite e melhore a experiência de um utilizador capacitado para lhe retirar todo o potencial de rendimento.
“O analfabeto do século 21 não será aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.” – Alvin Toffler
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*Os dados foram recolhidos pela OCDE, por meio de pesquisas com 166.000 adultos em 24 países e regiões subnacionais.







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