Por Bruno Lobo
Administrador, Avenida Capital
PhD, Columbia University in the City of New York., M.Arch Technical University of Lisbon
Administrador, Avenida Capital
PhD, Columbia University in the City of New York., M.Arch Technical University of Lisbon
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“You never want a serious crisis to go to waste”. Rahm Emmanuel.
Em Bogotá, a capital da Colômbia com cerca de 9 milhões de habitantes, a estabilidade politica e macroeconómica associada a um quadro demográfico favorável estão na base do crescimento económico do últimos anos. O aumento do rendimento e concessão de crédito tem levado a um crescimento da procura por espaços comerciais e residenciais e gerado um aumento significativo da actividade imobiliária na cidade.
O crescimento económico cria desafios e oportunidades para as administrações locais. Os novos projectos localizam-se nos eixos de crescimento urbano da cidade e acentuam tendências sócio-espaciais pré-existentes. Desde os tumultos dos anos 40, o centro histórico foi progressivamente abandonado pelas principais empresas e segmentos da população com rendimentos em favor de zonas exclusivas a Norte (e.g Chico, Santa Barbara) e Oeste em redor do aeroporto. Os novos projectos comerciais e residenciais contribuem para a continuada subida de preços e não são acompanhados do necessário investimento público em equipamentos e transporte colectivo.
Enquanto a cidade se expande para Norte, os bairros a Sul e municípios adjacentes como Soacha, onde se localizam os segmentos da população de rendimentos mais baixos, sofrem de deficit habitacional e falta de infraestrutura urbana adequada e equipamentos colectivos. O centro da cidade e bairros históricos adjacentes como Los Martires, sofrem de progressiva desvalorização imobiliária e crescimentos de actividades informais e insegurança. O desequilíbrio do investimento publico e privado contribui para a falta de mobilidade e exclusão das populações mais desfavorecidas. O crescimento urbano acentua a desigualdade social.
Figura 1: Vista Aérea do Centro de Bogotá e Sul. El Pais, Janeiro de 2007
Nos últimos 20 anos a administração local tem procurado contrariar estas tendências. Liderada por Antanas Mockus e Enrique Penalosa, a cidade implementou várias estratégias urbanas para promover a coesão social reconhecidas internacionalmente pela sua inovação. Foi implementado um novo sistema de autocarros em vias próprias ‘Transmilenio’ e uma rede de parques, vias para bicicletas e equipamentos colectivos nos bairros de rendimentos mais baixos. Passaram a qualificar os bairros da cidade por estratos com o objectivo de subsidiar os serviços públicos dos bairros com rendimentos mais baixos com sobrecargas ao bairros de rendimentos mais altos. Foram concedidos subsídios à aquisição de habitação de custos controlados e construídos milhares de fogos através da empresa municipal. Foram também introduzidos vários instrumentos urbanísticos com o objectivo de atrair investimento para o centro, capturar parte das mais valias geradas para construir equipamentos colectivos e espaços públicos.
O crescimento económico da ultima década tem sido acompanhado de um retrocesso do desenvolvimento urbano e social da cidade. Conflitos políticos e escândalos de corrupção resultaram na queda das duas ultimas administrações locais. O sistema de qualificação dos bairros por rendimento contribuiu para acentuar a desigualdade existente. O novo sistema de transporte colectivo está congestionado e não tem capacidade para atender as necessidades de mobilidade da população. Apesar dos esforços das empresas municipais e promotores privados, a habitação informal na cidade continua a expandir-se tendo passado de 1.365 bairros informais em 2000 para 1.673 em 2012.
Em 2013, o Presidente de Câmara, Gustavo Petro, impôs um novo plano de ordenamento territorial (POT) sem apoio do Concelho Municipal com o objectivo de solucionar os principais problemas urbanísticos da cidade. O plano promoveu uma mudança significativa no modelo de ordenamento e gestão urbanística num contexto de forte crescimento da actividade económica e imobiliária.
No próximo artigo, propomos apresentar algumas das suas propostas mais controversas.







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