Um tema fortemente debatido nos últimos anos é a massificação de agentes imobiliários. Recentemente analisei alguns websites de procura de emprego, e a oferta para consultor imobiliário continua a ser o cargo mais procurado entre todas as indústrias. Porquê?
Talvez por ser uma profissão pouco regulada, sem necessidade de experiência prévia ou formação relevante, e uma indústria que promete ganhos acima da média. Assim iniciou este crescimento exponencial de agentes, desde a entrada no mercado nacional dos grandes franchising de mediação imobiliária, e perdura pois o mercado imobiliário tem-se desenvolvido de forma positiva nos últimos anos, não graças ao número de agentes activos, mas sim fruto das outras entidades que operam na mesma indústria (promotores, formadores, fundos de investimento, entidades bancárias e mediadores, entre outros).
Insisto novamente na temática pois verifico que esta massificação leva obrigatoriamente à falta de conhecimento, experiência e profissionalismo de uma grande fatia destes agentes (por falta de regulação) o que se traduz num serviço imobiliário pouco eficaz, o que leva a uma ideia generalizada de que este elemento não traz mais valia no negócio.
Vários testemunhos, sejam compradores ou vendedores, nacionais e estrangeiros já confessaram que a sua experiência com agentes imobiliários não foi satisfatória, e que tiveram que concretizar os negócios imobiliários por conta própria ou com a ajuda de um advogado ou amigo com experiência. Este facto desestabiliza o próprio mercado.
A PropTech tem dado o seu contributo no âmbito da formação, agilização de processos e comunicação, para ser igualmente um suporte aos agentes e dirimir este problema de excesso numérico e falta de conhecimento.
Estando ligado a uma incubadora de startups europeia, e à National Association of Realtors como tutor no âmbito das novas tecnologias tive a oportunidade de falar com Pedro Fragoso, um empreendedor português, que há mais de 10 anos desenvolve uma ideia que poderá ser uma resposta eficaz a este flagelo, a nível mundial.
Esta ideia em desenvolvimento chama-se iReal, e traz três questões obrigatórias em qualquer Startup:
Porquê?
“Acreditamos que entrar no mercado imobiliário pode ser complexo e que a chave para agilizar todos os processos com eficácia, segurança e sem problemas inesperados está no agente bem qualificado, com experiência e “savoir faire”.”
Como?
“Através da combinação de tecnologia Blockchain e trabalho humano produzimos um algoritmo descentralizado que trabalha sobre uma base de prova de trabalho e formação para validar documentação de suporte sobre o agente, o seu desempenho financeiro ao longo do tempo e testemunhos de clientes.
O quê?
“A criação de uma plataforma descentralizada (agora possível com blockchain e NFTs) que junta toda a informação académica, profissional, testemunhos, métricas de desempenho, áreas de actuação e outras características relevantes que de forma natural irão distinguir os melhores agentes.
Dependendo do resultado de toda a vida Imobiliária de um agente, este terá um rating melhor ou pior, mesclando o currículo académico com a experiência e resultados.”
Esta plataforma permitirá a utilizadores de serviços de mediação imobiliária (compradores, vendedores, fundos de investimento e promotores) fazerem uma análise criteriosa acerca dos agentes aos quais pretendem recorrer aos seus serviços. E podem fazê-lo tendo em conta informação fidedigna alimentada numa rede descentralizada em blockchain, e com a supervisão da equipa experiente, acrescentando assim o factor humano.
Outra questão relevante é o foco para o agente, em detrimento da mediadora. Verdade é que cada empresa de mediação imobiliária tem agentes bons e menos bons, mas até então a força de marketing e implantação no mercado da mediadora dita a sua seleção por parte dos clientes. A iReal tende a alterar esse panorama, pois será o próprio agente a ganhar o rating, e por sua vez potencialmente crescer o seu número de clientes.
Como escrito em artigos anteriores, nunca fui adepto das mediadoras que tentam mecanizar todos os processos no intuito de “apagar” o importante trabalho destes players de mercado que são os agentes ou consultores imobiliários. Por outro lado, creio que soluções como a iReal são a resposta a este flagelo a nível mundial, para que exista mais transparência, qualidade e eficácia na Mediação Imobiliária, e que se permita que os melhores agentes sejam reconhecidos pelo público em geral pelo seu desempenho e entrega ao mercado, e não apenas dentro das mediadoras onde ganham prêmios, mas de forma limitativa e pouco coerente.







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