The Future of Politics summit 2021 no Imobiliário

The Future of Politics summit 2021 no Imobiliário

The Future of Politics Summit” caracterizou-se por uma série de conferências e debates que juntaram em Cascais líderes mundiais (políticos, empresários e personalidades influentes na sociedade) para discutir, através de um fórum único, temas prementes da atualidade, como Sustentabilidade, Imigração e Ética, entre outros. O evento teve lugar nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro na Nova SBE, e pretendeu tornar-se num ponto de encontro anual para líderes internacionais, promovendo a deliberação sobre os desafios da atualidade e dando início à construção de um futuro promissor para todos.

A organização do evento coube à Advanced Leadership Foundation (ALF), em parceria com o Município de Cascais e a Politico (o principal meio de notícias políticas em todo o mundo).

A minha participação no evento prendeu-se ao facto de ter sido selecionado como “Lider” nesta organização, no âmbito do “Cascais Declaration for Ethical Politics”. Para garantir que a mensagem transmitida no “The Future of Politics” é duradoura e transcende a Sociedade, 300 líderes a nível global de diversas áreas de estudo foram identificados e selecionados para participar no evento e fazer parte do programa. Os líderes selecionados assumiram o compromisso de estar presentes em 10 conversas ou eventos digitais sobre o futuro da política ao longo dos 12 meses seguintes à conferência, nas suas respetivas áreas de influência. Desta forma, pelo menos 3.000 eventos serão realizados, impactando mais de 300.000 pessoas.

Onde poderá agora o imobiliário ter um papel fulcral no sucesso da obtenção das metas de sustentabilidade a atingir em 2050 e na ética das políticas futuras?

A UE visa um impacto neutro no clima até 2050, uma economia com zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa. Este objetivo constitui um elemento central do Pacto Ecológico Europeu e está em consonância com o compromisso assumido pela UE no plano da acção climática a nível mundial, no quadro do Acordo de Paris.
A transição para uma sociedade com impacto neutro no clima representa simultaneamente um desafio que urge vencer e uma oportunidade para construir um futuro melhor para todos.

Toda a sociedade e todos os setores económicos terão um papel a desempenhar. Desde o sector energético ao sector industrial, passando pelos sectores da mobilidade, construção, agricultura e florestas.

A indústria onde desenvolvo esta temática é logicamente a imobiliária.

Aqui poderemos analisar quatro grandes vertentes onde se adivinham já alterações profundas quanto aos seus mecanismos e processos de actuação.

Construção 3D

Na construção, uma das mudanças que já está a ser planeada e posta em prática por poucos é a substituição gradual da maquinaria, utilizando veículos elétricos como forma de minimizar o impacto directo desta vertente. Também existem empresas que já desenvolveram impressoras 3D de grandes dimensões e estão neste momento a construir (ou imprimir) imóveis com esta tecnologia, o que possibilita construir com materiais mais controlados e “amigos do ambiente”, como a massa utilizada pelas impressoras 3D. Uma empresa que muito apostou nesta tecnologia é o gigante Lennar, promotor público Norte americano.

E-Waste para a Construção

Muito se fala, e com algum receio, do resíduo tecnológico (Resíduo computacional, também conhecido como resíduo electrónico ou lixo electrónico, são os equipamentos descartados ou obsoletos. A definição inclui computadores, televisores, telemóveis e outros dispositivos.

Existem já empresas “ConTech” que se dedicam ao estudo para a absorção deste lixo, e á sua reciclagem para produção de materiais de construção eficazes, como tijolos ecológicos.

Este lixo electrónico, maioritariamente proveniente dos países desenvolvidos e posteriormente enviado para países subdesenvolvidos, representa uma economia paralela gigante no hemisfério sul, pois na sua grande maioria volta ao ciclo de poluição pelo facto de nos países subdesenvolvidos não existirem meios para executar uma reciclagem eficaz. Em parte é já utilizado como matéria para desenvolver alcatrão para pavimentar estradas (o que comprovadamente não é uma forma ecológica de reutilização do desperdício pois este material, o resíduo electrónico (e-waste), envenena o solo e sub solo ao entrar em contacto com a terra.

O esforço actual é o de alterar o fluxo de transporte recorrente desse lixo para países desenvolvidos e entrega-los a empresas tecnológicas capazes de absorver grande parte desse desperdício em constante crescimento (em 2020 contabilizaram-se 50 milhões de toneladas de e- waste). A partir daí criar materiais de construção sustentáveis e eficientes como forma de reduzir os efeitos da emissão de carbono e garantir eficácia energética dos imóveis.

Uma ConTech já em expansão que utiliza processos sustentáveis para a produção de materiais de construção é a holandesa CyBe.

Paper-free para a Mediação Imobiliária

Na mediação imobiliária, existem tradições relacionadas com técnicas de marketing e de captação de potenciais clientes que são uma afronta ás metas de sustentabilidade. Falo do uso exacerbado de papel, nos escritórios, na rua com flyers e trípticos, na impressão de revistas e folhetos para distribuição em massa. Somando a quantidade de papel que se observa na grande lisboa, publicitando a mediadora ou consultor imobiliário e as propriedades que comercializam, logo se poderá obter um vislumbre de números nacionais e globais, e perceber que são desperdiçadas toneladas de papel num formato de marketing pouco eficaz. A tecnologia permite facilmente tornar esse formato ultrapassado. Mesmo em termos financeiros e empresariais não se justifica para o custo versus benefício. Trata-se a meu ver de uma falsa sensação de controlo do mercado da sua comunidade, esta distribuição em massa de informação em papel, muitas vezes sem um objectivo concreto e que resulta em mais lixo, mais abates de floresta, mais poluição.

Construir polos regenerativos

Um tema muito discutido, mais emocionalmente por Alexandra Cousteau, neta de Jacques Cousteau (um oficial da marinha francesa, documentarista, cineasta, oceanógrafo e inventor mundialmente conhecido por suas viagens de pesquisa, a bordo do Calypso) foi a necessidade de mudar o mindset de “sustentável” para “regenerável”.

Enquanto o mundo fala de uma sustentabilidade mínima, a verdade é que a grande maioria do nosso ecossistema foi fatalmente destruído por um consumo incontrolado dos seus recursos naturais. Utilizando o exemplo de Alexandra Cousteau, falemos de uma espécie bem conhecida em Portugal, o bacalhau. A pesca massiva desta espécie reduziu a seu número para 6% da população de bacalhau que existia no início do século XX.

Independentemente desta estatística dramática, e segundo as métricas oficializadas, o bacalhau não é uma espécie em extinção, logo pode continuar a ser pescado até à sua cota autorizada, pois é dessa forma considerada sustentável. Assim sendo, a atitude mundial deverá utilizar novos termos. A sustentabilidade como ele está considerada dificilmente nos conduzirá ao sucesso no alcance das metas para 2050. Em vez de querer alcançar o sustentável, há que objectivar a regeneração. Devolver à natureza parte do que foi retirado. Este trend deverá ser amplamente difundido este ano e nos anos sequentes.

Aqui também o imobiliário deve e pode ter algum impacto, nomeadamente na utilização de espaço para inclusão de elementos naturais produtores de recursos ambientais. Aqui a arquitectura paisagística em união com PropTech já estão a surgir com soluções inteligentes e inovadoras. Desde a criação de jardins suspensos nos grandes polos urbanos, hortas biológicas de pequena dimensão para consumo próprio, purificadores de água ou ar, a auto produção de energia renovável e outras soluções apontam para uma evolução positiva no sentido da regeneração alicerçada no imobiliário.

Se todos saírem de um mindset de competição e entrarem num mindset de cooperação, mais fácil e rápida será a adaptação da indústria do imobiliário á nova realidade onde nos encontramos, e citando a frase de Daniel Traça (Dean of the Nova School of Business), que se adapta a esta necessidade: “Durante o surgimento e propagação do COVID-19 a Humanidade criou um “Templo de Confiança” e cooperação como nunca antes observado. Será que conseguimos fazer o mesmo em relação à crise climática?”. Será?

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