Todas as revoluções industriais marcaram um período de transição na história da humanidade. Passados 250 anos desde a primeira revolução industrial, que sinalizou a transição de métodos de produção artesanais para a produção por máquinas, a quarta revolução industrial veio introduzir transformações radicais na vida humana por via das novas tecnologias, nas mais diversas áreas: desde a economia, indústria, agricultura, transportes, ao emprego, às chamadas “cidades inteligentes”.
A Pandemia surge numa altura em que a 4ª Revolução Industrial se estava a afirmar, sendo que todos reconhecemos que veio acelerar as mudanças que já se faziam sentir nos modelos de organização do trabalho. Especialistas em diversas áreas garantem que, no espaço de um ano, milhões de empresas foram forçadas a repensar os seus espaços de trabalho, tomando medidas que, numa situação normal, só iriam concretizar daqui a 10 anos.
Esta semana, a BBC publicou uma reportagem que dava conta da forte tendência de as empresas promoverem o regresso ao escritório dos seus colaboradores, sendo certo que esse regresso não será em “full time” para milhares de empresas. Na prática, estamos a falar de uma equação em que todos ficam a ganhar: as empresas têm oportunidade de reduzir custos, os colaboradores poderão trabalhar a partir de casa parte do tempo e o meio ambiente ficará mais protegido por via de uma menor emissão de gases para a atmosfera.
Alguns dos gigantes tecnológicos que afirmaram com pompa e circunstância, há um ano, que os colaboradores poderiam optar pelo teletrabalho para toda a vida, estão agora a recuar, depois de perceberem que o trabalho remoto a 100% afinal tem consequências negativas na cultura da empresa, sendo fundamental promover o contacto presencial entre as equipas de trabalho e cultivar as relações afectivas entre os colaboradores e manter o sentimento de pertença ao local de trabalho. Mesmo que esse local de trabalho seja um espaço de Cowork onde as pessoas se possam encontrar uma vez por semana e realizar sessões de trabalho com as condições de conforto e privacidade que muitas vezes não conseguem ter em casa, tendo oportunidade de contactar com outras empresas, fazer networking e explorar novos negócios.
Mais uma vez a história repete-se em períodos de crise: as ameaças transformam-se rapidamente em oportunidades. Tudo indica que no período pós-Covid as pessoas e as empresas passarão a ter uma maior consciência ambiental, as relações profissionais e familiares serão mais valorizadas, haverá uma maior qualidade de vida, por via da redução do tempo de deslocação casa-emprego e uma melhor mobilidade dos cidadãos nas cidades, considerando que grande parte da força de trabalho estará dispersa geograficamente.
O escritório-satélite será cada vez mais uma realidade e o conceito de “Flex-Office” será decisivo para atrair e reter talento, numa altura em que muitos profissionais não se imaginam a trabalhar todos os dias num edifício de escritórios das 9h às 18h, quando poderão fazê-lo onde se sentem mais produtivos… e mais felizes.
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Carlos Gonçalves
CEO Avila Spaces







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