A mediação imobiliária em Portugal hoje em dia

Portugal é um país relativamente pequeno com um número de transações imobiliárias que rondaram as 115.000 em 2015, e um mercado imobiliário que passou por um período de reajustamento e recessão recente. Contudo, é um dos países europeus (e quem sabe mundiais) onde se verificou a maior evolução da atividade de Mediação Imobiliária, sendo hoje, sem dúvida, um case-study a nível de qualidade e sucesso das empresas que aqui operam.
Ora vejamos, em Portugal, um país relativamente pequeno, estão presentes 4 das maiores redes de Franchising Imobiliário Norte-Americanas de renome internacional.
A RE/MAX, presente em Portugal desde 1999 e líder de mercado no nosso país, é a marca que tem o maior nível de notoriedade espontânea e reconhecida. Esta marca proporcionou evoluções de carreira incríveis a muitos dos seus Agentes, fazendo com que alguns se tornassem em autênticos Top Producers (designação Norte-Americana para um Agente que cria a sua própria estrutura com base em resultados de faturação extraordinários). O Nuno Gomes é talvez o exemplo mais marcante como Top Producer reconhecido e que por diversas vezes foi considerado o melhor vendedor da Europa.
A ERA, presente em Portugal desde 1998 e pioneira na implementação do Franchising Imobiliário em Portugal, destaca-se pela sua consistência de marca e coerência na comunicação. É considerada por muitos a melhor escola ao nível da atividade de prospeção. A ERA Portugal é igualmente considerada uma das melhores, se não mesmo a melhor operação da marca fora do seu país de origem (EUA).
A Century21, marca do grupo REALOGY, é a irmã mais velha da ERA mas chegou a Portugal em 2005. Trouxe consigo uma preocupação acrescida ao nível de qualidade de Serviço e Gestão de Agência. Destacou igualmente um Top Producer em 2007, a Teresa Neto, que foi considerada a melhor vendedora da Europa em 2007. 
Por fim, temos a recém-chegada Keller Williams, que num espaço de menos de 2 anos publica em Portugal 2 Best-Sellers na área da Mediação Imobiliária (“MREA” e a “Única Coisa”), posicionando-se como empresa líder na área da Formação, e oferecendo um modelo de negócio diferente e inovador. 
Estima-se que estas 4 marcas representem uma quota de mercado de mais de 30% do mercado português, detendo uma força de vendas acima das 7.000 pessoas distribuídas por cerca de 500 lojas.
Existem uma série de outras marcas nacionais que se desenvolveram e seguem as pisadas destas grandes redes, atuando ao nível do branding, procedimentos, formação, marketing e estratégias de negócio, como por exemplo: ComprarCasa, Garvetur, Soluções Ideais, 2easy, Hall, Arcada e as mais recentes, UNU e RUF, entre outras.
A atuar no mercado do segmento alto, não podemos esquecer empresas como a Cobertura, recentemente adquirida pela JLL, a Porta da Frente, e as redes Sotheby’s e Engel & Volkers, sendo que as duas primeiras operam com base num modelo de negócio mais tradicional, e as duas últimas organizaram-se em regime de franchising.
Ainda há espaço para negócios mais independentes, como é o caso da marca francesa OptimHome, que opera com uma rede de Agentes Imobiliários sem Agência, assumindo que o seu escritório pode ser a sua própria casa.
Neste momento estima-se que a Mediação Imobiliária detém perto de 60% das transações do Mercado Imobiliário Português, contra os 40% do Proprietário (do próprio ao próprio). De notar que em 2009 este número era exatamente o inverso, registando-se nos dias de hoje um crescimento notável que evoluiu nos anos mais difíceis para o Mercado Imobiliário Português.
Mas a pergunta que me atrevo a colocar é: “Qual será a tendência da Mediação Imobiliária em Portugal? E qual a explicação lógica desta tendência?”
Na minha opinião vamos continuar a assistir a um ganho de quota de mercado por parte das empresas de Mediação Imobiliária face ao Proprietário, tendo em conta alguns fatores que considero críticos para esta evolução:

  1. Aumento contínuo da notoriedade de marca de algumas empresas, com destaque especial para a marca pessoal do Agente Imobiliário;
  2. Falta de disponibilidade e tempo dos consumidores para efetuar transações por conta própria;
  3. Aceitação e reconhecimento por parte dos consumidores da mais valia do Serviço de Mediação Imobiliária;
  4. Melhoria substancial do profissionalismo dos Agentes Imobiliários com base em Experiência e Formação adquirida;
  5. Entrada de novos players com um nível elevado de competência e serviço.

Como em todas as atividades na Mediação Imobiliária, haverá sempre boas, e menos boas empresas, bons, e menos bons profissionais. No entanto, a certeza é de que os que oferecerem um serviço de elevada excelência e baseado na qualidade, irão decerto crescer e permanecer, os outros, serão inevitavelmente substituídos.
Nos últimos 25 anos de Mediação Imobiliária em Portugal houve definitivamente uma clara evolução, onde todos os profissionais participaram e deram o seu contributo para que esta atividade crescesse e desenhasse o seu caminho rumo à qualidade de serviço ao dispor da sociedade.
Parabéns a todas as pessoas que fizeram e fazem parte desta evolução e deste mercado!
Por Massimo Forte
Consultor Independente

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