It´s the Workspace, Stupid.


Por Carlos Gonçalves
CEO Avila Business Centers
Co-autor do livro “Out of the Office”








Um dos reflexos que esta crise que atravessamos teve, foi o de assumir uma nova visão sobre a forma como encaramos as profissões. Se há coisa que a crise deixou claro foi precisamente que raros são os empregos e as empresas que duram para sempre; bem como que os empreendedores e os empresários consagrados devem ponderar aturadamente sobre a Proposta de Valor que a sua empresa apresenta ao mercado, a que mercado e por quanto tempo será válida essa proposta, para esse mesmo mercado.

A Economia de hoje, pede aos seus empreendedores que sejam mais “customer centric” do que nunca. Que comecem a sê-lo não só para fidelizar clientes e ser mais competitivos que a concorrência directa, mas precisamente antes de abrirem o seu negócio e de o segmentarem. Um negócio que não cria valor sustentado e que não dá resposta a uma necessidade latente e inegável de mercado, arrisca-se a ser uma moda. E quando a moda passar, como acontece tantas vezes, é a crise que tem as costas largas.

É neste enclave rodeado por profissionais de velhos hábitos, agarrados às expressões ‘estabilidade’ e ‘dinheiro certo ao fim do mês’, que surge e crescem vigorosamente as novas gerações, apelidadas como Millennials ou Geração Y. Gerações que têm uma visão e uma postura totalmente renovada, que valoriza o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e aprecia trabalhar em espaços confortáveis, num modelo flexível, tendo liberdade para escolher vários locais para desenvolver a sua actividade: de manhã no escritório, à hora de almoço na espanada, e à tarde, se lhe apetecer,  num espaço de Coworking numa zona “cool” da cidade, onde pode fazer networking e partilhar ideias de negócio com outros  profissionais.

Para os Millennials, ter um “Bom Emprego”, para além dos aspectos atrás referidos, também é trabalhar em empresas onde podem relaxar numa área Lounge e jogar uma partida de matraquilhos com colegas, em vez de passarem horas a fio em escritórios sem luz natural em empresas onde impera o formalismo dos “Senhores Doutores” e dos “Senhores Engenheiros”. Nunca o espaço de trabalho foi tão valorizado pelos profissionais da economia moderna, ao ponto de ser consensual para as grandes companhias multinacionais que os novos espaços de trabalho representam um investimento e não um custo.  O paradigma está a mudar. Felizmente.

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