O sector da construção e imobiliário em Portugal não está a baixar preço, pelo menos para já. Esta é uma das conclusões que se pode retirar de um inquérito semanal (período de 06 a 10 de Abril) realizado pelo INE. O inquérito abrangeu um total de 8.883 empresas, das quais 1.022 pertenciam ao sector da construção e imobiliário.
No referido inquérito, foram obtidas respostas de 54% do universo mencionado, tendo o secto5r do imobiliário respondido numa proporção de 50,5%.
Imobiliário não baixa preço
De facto, à pergunta colocada «Esta semana os preços praticados pela sua empresa deverão:», 72,7% das empresas responderam não. Apenas 7,2% das empresas inquiridas refere a intenção em baixar preço (seja uma redução baixa ou superior) e uma minoria de 1,8% pretende mesmo aumentar os preços.

Sector não recorre a linhas de crédito
A maioria das empresas inquiridas não recorreu ainda a linhas de crédito para apoio a necessidades de tesouraria. Praticamente 80% respondeu que não aumentou o seu crédito bancário nem nenhum outro tipo de crédito, simplesmente porque «não pretendeu». Pouco mais de 40% refere ainda que a actual tesouraria lhes permite permanecer em actividade durante um período entre 1 a 6 meses.
Tal como já mencionado pelo Ministério das Finanças, cada período de 30 dias de lockdown da economia portuguesa, corresponderá a um montante a rondar os 6 a 7 mil milhões de euros de perda de riqueza nacional.
Medidas de apoio não estão a ser usadas
Só uma pequena minorias das empresas que responderam ao inquérito referiram ter já beneficiado de uma ou mais medidas que já estão disponíveis no mercado de apoio às empresas: moratórias no pagamento de créditos, acesso a novo crédito, suspensão do pagamento de obrigações fiscais e outras.
Praticamente 70% do sector não procurou ainda nenhuma medida de apoio nem sequer planeia beneficiar das mesmas.
Desemprego irá aumentar
Algo que parece inevitável, o desemprego no imobiliário irá aumentar. Não há nenhuma empresa que estime aumentar o pessoal ao serviço. Bem pelo contrário, mais de 50% espera ter de reduzir o quadro de pessoal em 25%, havendo depois 21,9% dos inquiridos que reconhecem mesmo a necessidade de chegar a uma redução até 50%.
Só na semana a que diz respeito o inquérito, quase metade das empresas menciona que a pandemia do Covid-19 já está a ter impacto no pessoal efectivamente ao serviço.
Mercado reconhece impacto da pandemia
O inquérito realizado pelo INE deixa transparecer, de forma clara, os impactos que a pandemia do Covid-19 estão a provocar no sector. E as empresas reconhecem-no com naturalidade. Apesar de uma larga maioria de 91% das empresas inquiridas mencionar que ainda se mantém em funcionamento, ainda que parcial, há que já tenha encerrado actividade, mesmo que temporariamente.
O impacto nas vendas é significativo. 63,5% refere que sofreu uma redução no seu volume de negócios. Cerca de 2/3 das respostas obtidas apontam para perdas até 50% da facturação, havendo no entanto 13,8% que referem mesmo uma quebra superior a 75%:

Bons negócios (imobiliários)!
4 comentários







4 Comentários
Antonio
18 de Abril, 2020, 19:23Não sei se o relatório do INE ( usualmente anda sempre atrasado nas suas estatísticas e conclusões….) , tem base cientifica ou coerente , NÂO CHEGA questionar as empresas ( se o relatório é de 6/04 , significará que o teste foi feito no final de MARÇO ….ainda nem a crise estava instalada…. por isso , DEIXE que lhe questione ? se o desemprego aumenta ( fala-se em aumento de 320.000 numa semana.. ) , como se vai pagar o arrendamento, como se paga a prestação da casa ? Vai vende-la em mercado por Covid , aumentando a oferta e NÂO EXISTINDO compradores , ou se os houver vao esmagar o preço ? O medo instalou-se e as vendas baixaram drasticamente e algumas escrituras não se farao… , como se diz que o mercado reage à pandemia e DEPOIS afirma-se no titulo que o imobiliário não está a baixar ? FAÇO-lhe uma sugestão e qual o target de mercado que não sofrerá tanto o Baixo ? o alto ? o médio alto ? A CRISE é mundial , o que implica a nulidade dos visa gold, dos investidoores estrangeiros em PORTUGAL ( o turismo está parado…) ; a Banca não financia como refere e acha que o MERCADO NÃO BAIXA ? Desculpe mas profetas são os jornaleiros…e opinadores…tinha-o em boa conta , mas permita dizer-lhe que o seu post está totalmente desenquadrado do que pode vir acontecer…NADA VAI SER IGUAL e os dogmas criados serão pura e simplesmente uma banalidade. Estatísticas para comparar com o passado NADA valerão apenas sermos demagogos…DESCULPE mas é o que penso e parece bem mais real que o seu post , mesmo que o tempo de 3 semanas depois….. seja JÀ OUTRO tempo. Cpts
REPLYGonçalo Nascimento Rodrigues@Antonio
19 de Abril, 2020, 10:55Caro António,
Muito obrigado pelo seu valioso comentário.
É mesmo por não ser profeta – porque realmente não o sou – que analisei os dados do INE, como analiso dados de muitas outras fontes, e os publiquei. Repare que tudo foi escrito nos tempos verbais presente e pretérito, não futuro. O que por si me parece um sinal que realmente não sou profeta.
Numa coisa concordamos: querer hoje prever o futuro com base em crises anteriores pode ser um erro. Por isso, também concordo consigo que hoje vir dizer que os preços vão cair a pique, que os compradores deixarão de existir, que aqueles que se mantiverem irão esmagar o preço, que as pessoas irão todas vender em pânico e por necessidade, parece mesmo demagogia. Isso realmente é de um demagogo.
E é exactamente porque concordo consigo que nas últimas semanas tenho procurado analisar muita informação e tenho tido o cuidado de falar (quase) sempre no presente e não no futuro. E quando falo no futuro – como com certeza já terá tido oportunidade de ler aqui no blogue – menciono a fonte de informação. Umas são mais optimistas, outras nem tanto. Mas todas concordam no mesmo: é ainda prematuro fazer futurologia.
Teremos tempo para isso. Teremos tempo para perceber o que poderá acontecer aos preços. Sem pressas. Porque os preços no imobiliário são inimigos da pressa. Não têm elasticidade, reagem lentamente a estímulos externos.
Por isso, faço-lhe uma sugestão: relaxe e aproveite o período de quarentena. Em segurança e com os seus. E aguarde pelo que virá. Com realismo no futuro que com certeza será muito duro para muitas pessoas. Só isso já é suficiente, já nos basta. Tal como o António diz, para profetas da desgraça, bastam os outros.
Forte abraço e fique bem!
REPLYBruno Vieira@Gonçalo Nascimento Rodrigues
29 de Abril, 2020, 18:05Boa tarde! Sr. Gonçalo,
REPLYEu já era o seu admirador pelas variadas contribuições ao mercado imobiliário mas agora tornei -me um fã.
O seu direito de tréplica foi utilizado com maestria e sabedoria.
Se o mercado imobiliário fosse assim tão simplório, estaríamos todos ricos ou completamente falidos.
Obrigado pelo excelente trabalho.
Melhores cumprimentos,
Bruno Vieira-Remax Costa Do Sol
Gonçalo Rodrigues@Bruno Vieira
29 de Abril, 2020, 19:49«Se o mercado imobiliário fosse assim tão simplório, estaríamos todos ricos ou completamente falidos.» Genial! Abraço!
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