Se ainda está à espera que os astros se alinhem, que o café lhe revele o futuro ou que aquele tio milionário finalmente se lembre de si… talvez esteja na altura de mudar de estratégia.
Se tem entre 18 e 35 anos, pode estar perante uma oportunidade que pode facilitar significativamente a compra da sua primeira habitação: a possibilidade de obter financiamento entre 85% e 100% do valor da transação, através da Garantia Pública do Estado, desde que cumpra os requisitos aplicáveis e que a instituição de crédito aprove o financiamento.
Mas atenção…
O tempo pode estar a acabar…!
O regime está atualmente previsto para vigorar até 31 de dezembro de 2026, embora a legislação preveja a possibilidade de prorrogação após avaliação do impacto da medida.
Por isso, quem pretende beneficiar desta solução deve ter em consideração o tempo necessário para concretizar todo o processo.
É importante não confundir a aprovação do crédito com a concretização da operação. Entre encontrar a casa e contratar o financiamento existe um conjunto de etapas que pode envolver várias semanas ou meses:
- Encontrar a casa certa;
- Negociar o valor do imóvel;
- Reunir documentação;
- Submeter e analisar o pedido de financiamento;
- Realizar a avaliação do imóvel;
- Obter a aprovação do financiamento;
- Preparar a documentação;
- Realizar a escritura.
E é precisamente aqui que entra uma figura que pode assumir um papel importante…
O intermediário de crédito.
Muitas pessoas pensam que basta entrar num banco e pedir um crédito habitação.
Mas comprar casa é muito mais do que preencher um formulário.
Um intermediário de crédito pode ajudar a perceber a capacidade financeira do consumidor, analisar o seu perfil, identificar soluções adequadas, apresentar propostas de diferentes instituições de crédito e acompanhar o processo de financiamento.
Porque nem sempre o primeiro banco é a melhor opção.
Nem sempre a primeira proposta é a mais vantajosa.
E uma pequena diferença nas condições do crédito pode representar milhares de euros ao longo dos anos.
Além disso, numa medida com um período de vigência definido, o planeamento e a preparação atempada do processo podem ser particularmente importantes.
Mas afinal, qual é a diferença que a Garantia Pública pode fazer?
Vamos a um exemplo prático. Imagine que encontrou a casa ideal por 300.000 €. Tem duas alternativas: comprar com recurso à garantia pública ou não recorrer à mesma. Vejamos os resultados:
Nota: Os valores apresentados são meramente indicativos e podem variar de acordo com a operação, a instituição de crédito e os serviços contratados.
A diferença?
Com financiamento a 100%: Cerca de 3.200 € para iniciar o processo.
Com financiamento a 90%: Cerca de 33.000 € necessários.
Estamos a falar de uma diferença de aproximadamente 30.000 € no valor inicial necessário para avançar.
E é precisamente por isto que esta medida pode ser decisiva para muitos jovens.
A possibilidade de financiar até 100% do valor da transação pode eliminar a necessidade de assegurar uma entrada de 10%, permitindo que jovens que têm capacidade para suportar um crédito, mas não dispõem de poupanças suficientes para a entrada, possam ter acesso à aquisição da sua primeira habitação.
É, no entanto, importante esclarecer que a Garantia Pública não corresponde a uma garantia de 100% do financiamento.
O Estado pode garantir até 15% do valor da transação, permitindo que, nos casos elegíveis, a instituição de crédito possa conceder um financiamento mais elevado.
Também não significa que todos os candidatos tenham automaticamente direito a financiamento a 100%. A decisão de concessão do crédito continua a pertencer à instituição financeira, que terá de avaliar a capacidade financeira e o risco da operação.
Pode beneficiar desta medida se:
- Tem entre 18 e 35 anos, inclusive, e domicílio fiscal em Portugal;
- Os seus rendimentos coletáveis não ultrapassam o limite correspondente ao 8.º escalão do IRS — 86.634 € em 2026;
- Não é proprietário de prédio urbano ou fração autónoma de prédio urbano habitacional, nos termos previstos na legislação;
- Pretende adquirir a sua primeira habitação própria e permanente;
- Não tem dívidas à Autoridade Tributária nem à Segurança Social;
- Nunca utilizou anteriormente esta garantia pública para esta finalidade;
- O imóvel tem um valor de transação até 450.000 €.
Quando existem vários compradores, é importante ainda ter em consideração que todos os adquirentes têm de cumprir os requisitos aplicáveis.
“Não sei por onde começar…”
Não é necessário conhecer todos os procedimentos.
É precisamente neste tipo de processo que o acompanhamento de um intermediário de crédito pode assumir relevância.
Entre as funções que um intermediário de crédito pode desempenhar encontram-se:
- Analisar a situação financeira do consumidor;
- Avaliar a capacidade de financiamento;
- Apoiar na preparação da documentação;
- Identificar e apresentar soluções de diferentes instituições de crédito;
- Fazer a ligação entre o consumidor e as instituições financeiras;
- Acompanhar o processo de análise e aprovação;
- Acompanhar as diferentes etapas do processo de financiamento até à contratação do crédito.
O intermediário de crédito não substitui a instituição financeira na decisão de concessão do crédito. A aprovação depende sempre da análise efetuada pelo banco e do cumprimento dos respetivos critérios.
E em 2027? Ainda existe este apoio?
Esta medida foi criada com um período de vigência definido.
Atualmente, o regime encontra-se previsto até 31 de dezembro de 2026, embora esteja prevista legalmente a possibilidade de prorrogação após avaliação do impacto da medida.
Por isso, não é possível afirmar, neste momento, que a Garantia Pública terminará definitivamente em 2026, mas esta é a data-limite atualmente estabelecida.
Para quem está a ponderar comprar a primeira habitação, esta informação deve ser considerada no planeamento da operação.
O tempo passa depressa e um processo de crédito habitação envolve várias etapas que podem demorar.
Mais do que tomar uma decisão precipitada, é importante começar por perceber se existem condições para beneficiar da medida, qual a capacidade financeira disponível e quais as soluções de financiamento mais adequadas.
A Garantia Pública pode representar uma diferença significativa nos capitais próprios necessários para comprar casa.
No exemplo apresentado, estamos a falar de uma diferença de cerca de 30.000 € entre uma operação financiada a 90% e uma operação financiada a 100%.
Para muitos jovens, esta diferença pode ser determinante.
Conhecer as regras, preparar o processo e avaliar atempadamente as diferentes opções de financiamento pode fazer toda a diferença na concretização da primeira casa.







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