Nos últimos anos surgiram vários modelos de negócio que tentaram trazer inovação dentro da recolha e tratamento de informação, tecnologias de recolha e visualização e networking em Cloud, basicamente o conjunto das 9 componentes tecnológicas que integram o BIG9 do conceito Smart Real Estate.
Existem Proptech’s muito focadas na desintermediação imobiliária e na autonomização do consultor, dois dos problemas/oportunidades mais fáceis de identificar. Mas na realidade, quer a nível conceptual, quer a nível operacional na mediação imobiliária não tem havido uma mudança claramente disruptiva, como seria de esperar, com os valores injetados no desenvolvimento de novas ideias.
Parece claro que há uma tendência de alguns modelos em serem disruptivos, mas isso não significa que os mesmos sejam acessíveis, funcionais ou práticos.

Escrevi um artigo em 2018 sobre o Blockchain no Imobiliário, mas como uma tecnologia, que será desenvolvida e utilizada nas próximas décadas. Os obstáculos legais e a própria difusão do Blockchain, que só é conhecido por cerca de 2% da população mundial, faz perceber que está no início do hockey stick growth. Aparecem, no entanto, inúmeros projetos utilizando ou dizendo utilizar a tecnologia, tentando demonstrar desta forma um fator diferenciador e captador de investimento.
Onde deverão as Proptech’s da mediação concentrar o seu desenvolvimento?
Tenho trabalhado desde 2012 observando as alterações sociais e comportamentais, consequência do crescimento e desenvolvimento das redes sociais. Na realidade, de 2012 a 2014 alguns profissionais chamavam ao conceito que na altura desenvolvia, assente em marketing emocional e de conteúdos “os românticos do imobiliário”. Quando o conceito atingiu 265.000 de seguidores no FB, com apenas 3.5M de utilizadores de redes sociais em Portugal, começaram a ver-se no mercado mudanças nos slogans, logotipos, campanhas, formações, o Imobiliário entendeu que afinal o emocional era importante e gerador de consciência de marca e fidelização. Hoje, uma grande componente formativa no Imobiliário é na área do Inbound Marketing.
Um dos grandes visionários e influenciadores do Imobiliário, Mike DelPrete diz que: “na evolução da Indústria do Imobiliário, a psicologia pode desempenhar um papel mais importante do que a tecnologia”.
O ser humano é adverso ao risco, sobretudo em grandes decisões, a compra de um imóvel é na maior parte dos casos uma decisão de grande importância pessoal/familiar e/ou de investimento.
É mais fácil arriscar numa compra que representa uma opção frequente e de baixo valor, do que arriscar numa escolha de alto valor e pouco frequente. Enquanto numa compra de baixo valor um apoio automatizado acaba por ser aceitável, na compra de um imóvel que representa uma transação de elevado valor e de baixa frequência, o comprador exige o apoio e aconselhamento personalizado que o ajude no processo, trazendo confiança à transação, reduzindo o risco de erro na decisão.
Muitas Proptech’s concentram-se em encontrar soluções One Click na angariação ou arrendamento/venda, (quando estudos indicam que uma resposta instantânea numa decisão importante e de risco é geradora de desconfiança) e soluções disruptivas de desintermediação. Será que é isso que o mercado quer?
É importante que os empreendedores imobiliários sejam profundos conhecedores da cultura do mercado imobiliário em todas as suas perspetivas, com toda a carga comportamental associada, processos administrativos e burocráticos.
Existe uma enorme oportunidade para Proptech’s no desenvolvimento de ferramentas na análise comportamental e cognitiva, recolha e tratamento de Big Data, desenvolvimento de algoritmos preditivos, tecnologias de visualização, captação e tratamento de leads. Existe um espaço criativo imenso na experiência do utilizador, interação e participação no processo de decisão e compra, bem como em estratégias de fidelização e cross-selling.
Desenganem-se os que pensam que os consultores, agentes, corretores vão acabar. São eles que conhecem o mercado melhor que os AVM’s (automated valuation model’s), transmitem confiança ao comprador, (a importante sensação de redução do risco) através do aconselhamento, da sua experiência do mercado. Iremos sem dúvida assistir a profissionais mais tecnológicos e profissionais. Ferramentas precisam-se! Quem as adotar e souber utilizar certamente fará a diferença.
As Proptech’s devem encontrar respostas para facilitar processos, aumentar a eficácia, gerar fidelização e consciência de marca, sempre numa perspetiva de consolidação e crescimento sustentado de relacionamentos e resultados.







Leave a Comment
Your email address will not be published. Required fields are marked with *