O Sucesso do Turismo Português

Por Rui Soares Franco

ruioreysfranco@hotmail.com
Consultor em Turismo e Hotelaria






«Portugal é um País pequeno onde o turismo de massas não tem lugar.»



No final do ano de 2014, o sector do turismo apresentou óptimos resultados. Todos os índices turísticos – chegadas de turistas, taxas de ocupação, revpar’s, dormidas, balança comercial – apresentaram crescimentos surpreendentes. Vale a pena pensar um pouco nos vários factores e intervenientes que contribuíram para este sucesso.

Acredito que este sucesso não se deve apenas a factores meramente conjunturais. Deve-se antes ao trabalho desenvolvido por todos os seus intervenientes, quer do sector público quer do sector privado ao longo dos anos. Como é óbvio resultados deste tipo não se conseguem de repente.

Quando me refiro ao sector público, tenho presente a promoção turística bem feita ao longo dos anos, bem canalizada e bem delineada, assim como a evolução da legislação referente a toda a actividade turística adequando-a ao que se pretendia.

Relativamente ao sector privado, tenho presente a sua dinâmica, com uma forte aposta na melhoria da qualidade da oferta e não tanto em preços altos.

E o que se passou no sector público? A promoção turística ao longo dos tempos sempre teve algumas prioridades bem definidas. Houve necessidade de criar um destino turístico. Para tal era necessário criar produto. E foi o que se fez. Criar oferta! Embora nem sempre bem, era preciso começar. E temos os anos da década de 60, 70, 80. Criou-se oferta de alojamento ao mesmo tempo que se inventariavam as potencialidades endógenas que permitissem atrair os turistas. Também se desenvolveram ofertas de lazer para as quais o país apresentasse aptidões específicas. Foi o que se fez com o Golfe, com as praias, com o património histórico de um país com 8 séculos de história. Mais recentemente, apostou-se no Turismo de Negócios e Congressos e nos Cruzeiros, assim como noutros produtos ligados à natureza criando um sector de animação turística com propostas para todos os gostos e idades.

A pouco e pouco foi-se consolidando esta estratégia e a mesma começou a dar frutos. É assim que no final da década de 80 e na década de 90 começamos a ter um sector turístico com expressão na nossa economia. Sentiu-se então a necessidade de criar mecanismos de comercialização do produto e destino em desenvolvimento. É assim que aparece em 1989 a Bolsa de Turismo de Lisboa, a primeira grande feira do sector a decorrer na capital. Esta Feira desempenhou um papel importantíssimo na consolidação de todo o trabalho que vinha sendo realizado até à data.

Por outro lado, olho para o sector privado e vejo um sector empresarial muito dinâmico. Sabe o que quer e como chegar lá. Começa primeiro por estudar os mercados que mostravam apetência pelo destino Portugal e tenta criar oferta de acordo com o que estes mercados gostariam de encontrar neste “país à beira mar plantado”. Desenvolve o Golfe, cria produtos de alojamento diversificados introduzindo-lhe elevados padrões de qualidade. Colabora activamente na elaboração de legislações adequadas, embora nem sempre com sucesso. Consegue, através do diálogo, ir desburocratizando e caminhar para legislações que permitiam adaptar melhor os seus produtos à realidade pretendida. Este trabalho durou muitos anos mas, quanto a mim, com bons resultados, pois só assim se conseguiu chegar à legislação dos empreendimentos turísticos de 2008 em que o produto é formatado segundo a vontade do seu promotor, adaptando-se à realidade do mercado para o qual está vocacionado. E esta legislação de 2008 foi efectivamente um ponto de viragem. Mas seria injusto se em relação ao sector privado não referisse a sua perspicácia para se aperceber de alguns aspectos importantes. 

Portugal é um país pequeno onde o turismo de massas não tem lugar. Era importante promover mais a qualidade e resistir ao aumento indiscriminado dos preços tentando ganhar tudo rapidamente. Só com qualidade da oferta o país poderia ter sucesso turístico. Quando o produto tem elevados padrões de qualidade, o cliente não se importa de pagar por ele. Mas no turismo esta qualidade tem de ser testada e promovida pelo cliente satisfeito. É este cliente satisfeito e, por isso, fiel, que nos vai trazer novos clientes. E esta promoção feita pelos clientes satisfeitos é tão importante como a promoção através dos canais tradicionais. Sem clientes satisfeitos, corre-se o risco da promoção institucional não dar os frutos desejados.

Os números a que chegámos são devidos a todo este trabalho, nem sempre fácil e nem sempre concordante.  E porque nos aproximamos de mais uma BTL que decorrerá de 25 de Fevereiro a 1 de Março e porque desde a primeira hora participei activamente na mesma, gostaria de realçar a importância que este certame teve em toda a estratégia de crescimento e consolidação de Portugal como destino turístico de excelência.

Quando em 1989 se criou esta feira, era necessário dar rosto e oportunidade ao sector. A BTL impôs-se pelo seu sucesso e porque o sector privado e público deram as mãos para que fosse um êxito No entanto, a crise de 2008 fez diminuir o número de expositores muito pelas dificuldades criadas por essa mesma crise. Faço votos e quero acreditar que mais uma vez o sector vai mostrar a sua dinâmica e conseguir dar de novo à BTL a dimensão e projecção que já conheceu.

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