São os restaurantes de hotel o patinho feio da hotelaria?

Nas últimas décadas os restaurantes de hotel têm lutado para ter a mesma notoriedade que os restaurantes de rua.  Os clientes habitualmente associam os restaurantes de hotel a menus aborrecidos, ausência ou indefinição de conceito, serviço e ambiente demasiado formais, falta de autenticidade e consequente escassez de clientes locais e, por último, preços exagerados e uma inevitável atribuição de uma má relação entre qualidade e preço.
Do ponto de vista operacional (e até legal), os restaurantes de hotéis são muitas vezes vistos pelos hoteleiros como um mal necessário ou um amenity obrigatório, operando na maioria dos casos como um centro de custos em vez dum centro de lucros. 
Quando olhamos para um P&L de um hotel, normalmente, a grande fatia de receitas, e principalmente de lucros, está relacionada com o que se passa nos pisos dos quartos. Os estudos apontam para receitas dos quartos entre 60% a 80% dos rendimentos totais do hotel e as receitas do F&B (Food & Beverage) algures entre 15% a 25% (percentagens variam consoante o tipo de hotel, i.e., cidade, resort etc.).
Durante muitos anos, o grande objectivo dos hoteleiros focou-se em minimizar os prejuízos do F&B e isso tornou-se num ciclo vicioso. Para tentarem reduzir custos baixavam a qualidade e a oferta, e isso reduzia ainda mais a procura tanto do cliente interno (hóspede) como do cliente externo (local).

Mas isto não foi sempre o caso. Os hotéis já foram os centros nevrálgicos da vida social. Há 40 ou 50 anos atrás, os hotéis e os seus espaços de F&B eram os centros sociais dos locais onde se inseriam. O que se passou então? A restauração de rua tornou-se mais atractiva, através da criatividade e inovação, e os hotéis pararam no tempo, deixando de ser pontos de atracção da comunidade local. 
Durante os anos 80 e 90, os hotéis quiseram ter oferta para todos os gostos e acabaram por perder identidade. Era normal, nessa altura, pensar e estruturar um hotel dividindo o espaço de acordo com rácios standard de metros quadrados de espaços de F&B por cada quarto. Para além de cumprir com esse rácio, era também obrigatório os hotéis terem diversos tipos de restaurantes dentro do mesmo espaço para servir momentos e vontades de consumo diferentes, muitas vezes com horários coincidentes, espalhando os clientes pelos vários espaços, perdendo ambiente e duplicando os seus custos operacionais.
Num próximo artigo, procuraremos entender quais as tendências actuais do F&B num Hotel e como deve ser levada a cabo a sua gestão.
Por Bernardo D’Eça Leal
Managing Partner
The Independente Collective
www.thecollective.pt

Artigos Relacionados

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *

So, what's new?

Etiquetas

acessibilidade habitação aguirre newman alavancagem alemanha alojamento local ana rita pereira angola antónio josé duarte arrendamento arrendamento acessível arrendamento com opção de compra augusto homem de mello aurare avaliação bancária avaliação de hoteis avaliações imobiliárias b. prime balcão nacional de arrendamento barómetro benefícios fiscais bernardo d'eça leal blockchain blogs bolha imobiliária bond yields branded residences brasil bruno lobo bruno silva built-to-rent. buy-to-let camara municipal de lisboa carlos gonçalves carlos leite de sousa casafari casas Case Shiller cbre century 21 china commercial real estate comprar casa comércio confidencial imobiliário construção consultoria consultoria hoteleira consultoria imobiliária contrato promessa core coronavirus covid19 coworking credit default swaps crédito habitação crédito imobiliário crédito mal-parado cushman wakefield dação em pagamento discounted cash-flow distressed assets double dip dívida dívida pública entrevistas equity escritórios esg espanha estónia EUA euribor eurostat eventos facebook fernando vasco costa fiiah financiamento finanças imobiliárias fiscalidade FMI francisco espregueira francisco silva carvalho francisco virgolino frança fundbox fundos de investimento fundos de reabilitação urbana fundos imobiliários fundos pensões golden visa Gonçalo Nascimento Rodrigues habitação habitação acessível hipoteca holanda hotelaria hotéis imi imobiliário imobiliário do estado imobiliário portugal imobiliário turístico imposto de selo impostos imt imóveis banca industrial inflação inprop fund inteligência artificial investimento investimento imobiliário ipd irc irlanda irs iva jorge catarino jorge próspero dos santos josé carlos marques da silva joão abelha joão fonseca joão madeira de andrade joão nunes knight frank lei arrendamento lisboa logística ltv luís francisco marketing massimo forte mediação imobiliária NAMA non-performing loans notícias nrau nuno ribeiro obama obrigações do tesouro oportunístico ordem dos avaliadores orey activos orey financial out of the box património patrícia barão pedro pereira nunes pib portais de imobiliário porto Portugal preços casas price earnings price to income price to rent prime watch prime yield promoção imobiliária propriedade rustica proptech prédios com rendas antigas reabilitação urbana real estate reit remax rendas residências 3ª idade residências estudantes retail parks reverse mortgage revista imobiliária ricardo da palma borges ricardo guimarães ricardo pereira rics risco rui bexiga vale rui soares franco rácio de afordabilidade sale and leaseback segunda habitação senior living sigi spread taxa de actualização taxa fixa taxa interna de rentabilidade taxas de juro taxa variável tecnologia turismo uk value-add vender casa vpt wacc yield índices imobiliários

Out of the Box Social Media

Subscreva a nossa newsletter

    Recomendado

    Barómetro