Uma abordagem ao comportamento das PropTechs
A importância da tecnologia actualmente, em qualquer indústria, é óbvia. Restringindo esse facto ao mercado imobiliário observa-se actualmente um comportamento atípico causado pela pandemia que assola o mundo. A necessidade vital que esta indústria repentinamente sentiu de estar sustentada em ferramentas tecnológicas transformou o próprio mercado. O imobiliário necessariamente terá de se adaptar à tecnologia.
A mudança de comportamentos por parte do consumidor é mais previsível que a mudança de mentalidades, o que provoca um impacto não só maior como mais profundo.
O tempo despendido na procura ou venda de uma propriedade ficou mais limitado. O confinamento tornou o consumidor menos disponível, ou o seu tempo por ele mais valorizado.
A exponencial evolução tecnológica em todas as indústrias com a necessidade de adaptação leva igualmente o consumidor a supor ser assistido por profissionais munidos da mais recente tecnologia, em qualquer serviço, e o mercado imobiliário não é excepção.
Para demonstrar esta tendência de transformação tecnológica recorro a um mercado de referência global pela sua maturidade e dimensão, o mercado norte americano.
Falando apenas nos EUA, o país possui um dos maiores e mais prósperos mercados de PropTech do mundo. De acordo com a Unissu, o número de PropTechs com sede nos EUA ultrapassou as duas mil, e continuam a florescer. E os números não enganam:
- Existem cerca de seis startups de PropTech nos Estados Unidos para cada milhão de habitante.
- 53% das startups estão envolvidas no segmento de imóveis residenciais, 47% estão no segmento comercial.
- 69% das empresas de PropTech sediadas nos EUA estão focadas em B2B, 28% preferem B2C e 3% têm uma abordagem comercial mista, caso da plataforma REEVO, em Houston.
A expansão das atividades de negócios imobiliários impulsionados pela PropTech em todo o país é heterogênea. Noutras palavras, existem vários polos tecnológicos que permitem ter um impacto geral em todo o território norte americano. Como é de conhecimento geral, existem porém três cidades onde o desenvolvimento e sucesso de soluções tecnológicas para o mercado imobiliário são abundantes e constantes. A partir de Nova York, Boston e São Francisco, nasceram e nascem as mais eficazes soluções tecnológicas dirigidas á indústria imobiliária, em áreas de foco como a construção, compra, venda, captação de leads, arrendamento e gestão de ativos imobiliários.
Apesar da crise impulsionada pela pandemia, a PropTech parece ter um futuro próximo promissor. Após analisar a expectativa de cerca de mil CEO’s de empresas de serviços imobiliários, promotores e investidores, a PwC revelou que 64% das empresas imobiliárias investem em startups de proptech, direta ou indiretamente. Comparando o investimento real em PropTech e as taxas de crescimento com os valores estimados para 2020, vemos o impulso positivo da indústria tecnológica do imobiliário.

O imobiliário e as suas empresas terão de se adaptar à tecnologia no futuro. De todos os factores descritos, pode-se concluir que para prosperar devem teoricamente:
- Adaptar inovações de transformação digital que aproximam consumidor é empresa.
- Preparar-se para a integração vertical e um funil de vendas devidamente analisado e trabalhado com tecnologia apropriada.
- Ser flexível para se manter competitivo em tempos de crise (tempos VUCA).
- Adaptar os serviços imobiliários de acordo com os maiores requisitos do cliente, sejam as objeções ao nível de limite de tempo, geográficas, segurança higiénica, ou quaisquer outras (recordo a mudança de mentalidades acima descrita).
- Acolher as mais recentes práticas tecnológicas é uma mais valia para qualquer organização, e na indústria imobiliária, pela primeira vez na história essa mais valia está a tornar-se uma realidade vital para a prosperidade.”







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