Num mercado pautado por uma escassez de oferta e uma enorme pressão na procura, onde os preços não param de subir, encontrar uma casa que caiba no nosso orçamento é tarefa cada vez mais hercúlea. Por isso mesmo, é cada vez mais frequente termos um familiar, amigo ou conhecido que nos pede ajuda ou dicas para encontrar a tão desejada casa a preço.
Não havendo, na minha opinião, uma forma certa ou errada para o fazer, costumo dar alguns conselhos com vista a ajudar quem está nesta posição e que poderemos resumir em 10 dicas para encontrar “a agulha no palheiro”.
1| Estar preparado para comprar
Assumindo um contexto de financiamento bancário, o primeiro passo deverá ser uma boa conversa com o seu gestor de conta e explanar os possíveis cenários com que se vai poder alavancar. Se não tem um, arranje já.
Mais do que entender qual o valor máximo que pode chegar, é fundamental ter consciência da taxa de esforço associada, dos compromissos financeiros que irá assumir e, muito importante, ter sempre tudo a postos na eventualidade de surgir uma oportunidade, evitando ter de retomar o processo de avaliação bancária e correr riscos de perder o negócio. Ou seja, vá mantendo conversas com o gestor de conta, no decurso do processo de procura de casa e teste cenários reais.
2| Traçar um plano temporal
Terá de estar preparado para a procura demorar o seu tempo, em especial, se estivermos a falar de casos em que o orçamento não é muito elevado. Conte com um espaço temporal de 1 ano, no mínimo. Decisões stressadas não significam, por norma, bons negócios, pelo que será fundamental que tenha tempo.
3| Defina uma estratégia de ataque ao mercado
Saber bem o que quer ou o que não quer será fundamental para afinar a sua estratégia de procura. Desde logo:
– Identificar as zonas que quer e excluir aquelas que seguramente não vai querer. Se é na cidade, em que freguesias, se é só numa freguesia, que ruas prefere….
– Definir uma zona de procura de eleição e zonas secundárias. Não vai ser fácil encontrar exactamente aquilo que quer, na sua zona preferida e dentro do preço que pode pagar.
4| Ponha tudo em cima da balança, no que toca à localização
Mais do que nunca, estamos a viver tempos em que o trabalho remoto nos permite outro tipo de vivências e, quem sabe, até mudar para zonas fora da cidade. Não é uma decisão fácil e muitas vezes até quase impossível, já que temos toda a nossa vida estabelecida nas cidades e uma mudança estrutural é tudo o que menos nos apetece. Ainda assim, se tiver essa oportunidade, então todo um novo cenário se poderá abrir e as prespectivas poderão até ser bem animadoras.
– Defina uma distância confortável, desenhe uma zona de procura até onde a sua flexibilidade permitir.
– Estude bem o impacto dessa decisão no seu dia a dia e nas necessidades de deslocações frequentes à cidade.
– Se é campo que está a considerar, alargue o perfil de procura a casas, moradias, vilas, quintas… de repente até se pode imaginar numa casa com jardim, já que é uma das vantagens desta decisão.
5| Não se restrinja a um único canal de procura
A sua estratégia deve depender, em primeiro lugar, de si e basear-se em canais online e offline. Ou seja, ter uma atitude vencedora é meio caminho para o sucesso:
– Registe-se nos principais portais imobiliários e defina procuras preferenciais.
– Assine newsletters e veja numa base diária o que vai recebendo no email.
– Instale aplicações de procura no seu telemóvel.
– Mantenha frequentes dinâmicas com agentes imobiliários. Estes serão os seus principais ajudantes nesta missão. O sucesso da sua aquisição será, também, o sucesso deles.
– Ligue para placas/publicidade nas ruas e marque visitas.
– Fale com o seu banco, às vezes há imóveis da banca que poder representar oportunidades.
– Active-se nas redes sociais, siga influencers, agentes ou marcas imobiliárias.
– Procure perceber quem são os promotores que estão a lançar empreendimentos novos ou que já estejam construídos e que possam ter aquilo que procura.
– Visite stands de vendas desses empreendimentos, fale com as equipas de venda dos promotores e registe-se por forma a ir recebendo oportunidades de “pré-venda” que muitas vezes oferecem preços mais convidativos.
6| Ser flexível na procura
Muitas vezes ficamos agarrados à forma em si, entenda-se, à necessidade de termos 2 ou 3 quartos e filtramos a nossa procura apenas com esta categorização. Alargar o campo da sua procura pode-lhe trazer oportunidades que não estava a considerar. Por exemplo, considere opções “+1” já que, muitas vezes, conjugadas com alguma criatividade ou um amigo arquitecto, pode resolver parte do problema. Um T3 só com uma casa de banho, mas que tenha uma zona “+1” pode representar a possibilidade de uma segunda casa de banho e por aí fora.
7| Ter um Plano B
Também é uma boa prática, ter mais do que um cenário possível no que toca ao estado do imóvel. “Novo”, pode ser algo que esteja apenas a precisar de uma pintura ou uns pequenos arranjos. Seleccionar apenas imóveis novos significa, muitas vezes, abdicar de uma boa parte do mercado e estreitar as suas opções. Novo também significa, por norma, mais caro, logo procure diversificar entre “usado” e “para obras”.
Se tiver um empreiteiro que costuma usar, convide-o a visitar algumas casas consigo, por forma a atestar a qualidade construtiva do imóvel, a necessidade de obras e as oportunidades que ali possam residir e que lhe estejam a escapar.
8| Saber usar os filtros de procura
Ainda, no uso de portais imobiliários, tenha em consideração o tempo que o imóvel está no mercado. Por defeito, as procuras devolvem-nos os mais recentes em primeiro lugar, mas poderá ser uma boa estratégia inverter este filtro e perceber o que se passa com estes imóveis mais morosos. Muitas vezes, a razão de insucesso na venda reside no factor preço, é verdade, mas pode acontecer que, atirando barro à parede, tenha sucesso se do outro lado estiver alguém que apenas está a ser passivo no acto da promoção, se esqueceu de ir actualizando o anúncio ou até nem colocou fotos ou plantas. Tudo isto deprecia o imóvel na listagem online e atira-o para os últimos lugares.
9| Visitar e voltar a visitar
Vai ser um ano animado no que toca a visitas. Visitar é a melhor forma de ganhar conhecimento do mercado e trabalhar os seus níveis de confiança para, quando tomar a decisão de compra, estar seguro de que está a fazer uma boa escolha.
As visitas vão-lhe abrir a mente, perceber que há diferentes dinâmicas e potencialidades no uso dos espaços e até, quem sabe, tirar ideias. As visitas são fundamentais para conhecer o que está por trás das fotos trabalhadas online ou dos alargados e floreados textos descritivos do imóvel. Na visita, vai ficar a perceber exactamente o contexto envolvente do imóvel, quantos vizinhos terá, as vistas, a relação com a luz solar, o ruído da rua, as dimensões dos quartos, os cantos escondidos onde pode arrumar mais qualquer coisa…. visite e volte a visitar o mesmo imóvel, em alturas diferentes do dia. Passe tempo na rua, no bairro, para se assegurar das diferentes dinâmicas que ali se passam, reduzindo surpresas.
10| Reúna toda a informação documental do imóvel antes de qualquer decisão de compra
Aquilo que não queremos é ser surpreendidos pela negativa depois da aquisição. Assim, se está já numa fase avançada do processo de selecção, deve pedir o máximo detalhe possível ao vendedor sobre o imóvel. Para além da documentação predial, sempre que possível peça plantas com medidas, certificado energético, atas de condomínio (não apenas a declaração de não dívida), garantias de equipamentos ou documentação referente a obras realizadas no passado. As atas de condomínio podem dar-lhe informação importante sobre obrigações financeiras futuras, como por exemplo, obras a realizar nas zonas comuns e que possam já ter sido aprovadas. Muito importante, assegure-se de que o imóvel não tem ónus ou encargos e isso consegue através da certidão de teor.
Em suma, vá estabelecendo um padrão de procura e mantenha o seu plano sempre activo, não desista! Se tiver o perfil, procure activamente na sua zona de incidência ou até nas secundárias, andando nas ruas, falando em cafés, mercados ou farmácias. Corte o cabelo numa barbearia do bairro ou vá a uma manicure na zona e tente estabelecer uma relação com “locais” que lhe possam dar aquela informação que não vai, certamente, surgir nos portais. Muitas vezes, tudo acontece num par de dias e “debaixo do radar”.
Boa sorte!







Leave a Comment
Your email address will not be published. Required fields are marked with *