O mercado imobiliário nos novos formatos digitais

Por Filipe Almeida e Silva
Especialista em Gestão Imobiliária
MBA
Doutorando em Ciências da Comunicação

Olhando para os diversos sites relacionados com a venda de imóveis, identificamos claramente o mesmo denominador comum: a falta de criatividade e diferenciação. As empresas que actuam na área imobiliária estão pouco atentas ao facto de as pessoas usarem a internet como sistema de apoio à tomada de decisão. Se noutros tempos a compra de um imóvel era um processo de escolha simples, quase intuitiva e muito ligada à convicção que se estava perante a “casa perfeita” e que esta era em si um bom negócio, hoje é diferente; em minutos comparam-se casas, zonas, preços por m2, enquanto se vêem pelo ecrã dos computadores as “casas de sonho”.
É aqui que se poderia de facto estar muito melhor e a trabalhar já num patamar muitíssimo superior aproveitando melhor os recursos informáticos e de banda larga que hoje estão disponíveis.
A comunicação que se faz a partir dos diversos sites é fraca, estes acabam por ser só uma gigantesca montra, muitas vezes com pouco cuidado na apresentação dos imóveis, nas características que os distinguem, contribuindo assim para uma espécie de “comoditização” de um produto que seria suposto ser único.
Esta análise aplica-se à generalidade das empresas que actuam neste domínio, embora as grandes imobiliárias fujam um pouco a esta tendência, tentando trazer para o ecrã inicial já algumas ferramentas que envolvam as pessoas no site, mas no fundo acaba por ir dar ao mesmo, que é uma lista imóveis passíveis de serem ordenados por diversos critérios e onde na sua maioria e na vertente que seria a mais importante falham redondamente: na vertente da imagem e da construção do significado.
Na maioria dos casos, as fotos são feitas pelo agente imobiliário. Não se prepara o espaço antes de ser fotografado e o resultado final são simples fotos de máquina com muitos megapixels, mas sem qualidade sem construção do espaço e do sentido. Uma habitação é um produto de valor elevado, representando um esforço e um investimento considerável que eventualmente uma pessoa faz uma vez na vida. Como tal, deveria ser muito bem embalado por um pacote comunicacional ao invés de ser encaixado num  catálogo. Merece um tratamento pelo menos igual a um carro de luxo ou outro produto até porque na maioria das vezes custa bastante mais.
As redes sociais são hoje uma forma acessível e barata de chegar a milhares de pessoas, mas não é fácil utilizá-las com eficácia. Existe em Portugal pelo menos uma agência imobiliária que desenvolve a sua actividade única e exclusivamente por este canal e aparentemente com sucesso tendo optado por deixar a loja convencional de parte. A maioria das empresas está distante deste mundo, ou afirmando-se com presenças pontuais que funcionam de uma forma contrária ao que se pretendia, mas é urgente que comecem a olhar para estes novos formatos com atenção, apostando em estratégias de comunicação consolidadas e alinhadas com as outras presenças na Rede.
O futuro passa claramente por uma construção do actual negócio “real” nos novos formatos digitais, na adaptação a este mundo do big data onde tudo flui de uma forma diferente e onde se podem potenciar os actuais valores. Para isso é necessário parar para pensar e reorganizar porque estes modelos são diferentes, são mais exigentes e obrigam a toda uma alteração de cultura e de eventuais processos de negócio.

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