Por Ricardo Pereira
inPROP Capital Fund
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Enquadramento
Existem várias formas de ganhar exposição ao real estate (RE) comercial ou residencial:
- Investindo directamente em propriedade;
- Investindo em fundos de investimento imobiliários;
- Comprando acções de property companies, ou
- Comprando dívida cujo colateral seja o imobiliário (por exemplo, CMBS ou RMBS).
Todos estes veículos de investimento apresentam prós e contras mas, mais importante, diferentes níveis de exposição / sensibilidade ao mercado subjacente. Assim, por exemplo, uma carteira diversificada de propriedades (ou fundos de investimento imobiliário) apresenta uma sensibilidade de 1:1 com o mercado subjacente, ou seja, se o mercado variar 10% a carteira também variará aproximadamente 10%.
As acções das property companies (visto que as empresas normalmente estão alavancadas) têm uma sensibilidade superior a 1, digamos x1.5, logo se o mercado (des) valorizar 10% as acções (des) valorizarão 15%.
Na outra ponta do espectro temos a dívida, pois tem uma sensibilidade inferior a 1, dependendo do rácio de cobertura do colateral. Se, por exemplo, o rácio de cobertura foi pequeno (ou seja, LTV próximo de 1) tem uma sensibilidade próxima de 1 mas se o LTV for tão pequeno que o incumprimento dos devedores que compõem o RMBS ou CMBS não afecta em nada a possibilidade de recuperação do valor nominal das obrigações, a sensibilidade do RMBS ou CMBS ao mercado de RE poderá ser próxima de zero.
Breve explicação dum RMBS – Residential Mortgage-Backed Security
RMBS é um produto estruturado emitido pelos bancos originadores de empréstimos à habitação. Estes empréstimos são posteriormente agregados numa carteira e vendidos a um fundo de investimento que os vende sob a forma de obrigações – com diferentes níveis de risco – a investidores. Com esta operação, o banco originador vende os créditos ao mercado, deixando de estar exposto ao risco de incumprimento dos devedores, pois este risco (e a rendibilidade) é transferido para os compradores das obrigações.
O valor dum RMBS depende de 2 factores:
- Da probabilidade de incumprimento dos devedores – quanto menor, melhor, e é tanto menor quanto melhor é a situação financeira do devedor, e do valor do activo dado como colateral para o empréstimo, pois se houver incumprimento, os valores obtidos com a venda do colateral serão usados para saldar as dívidas e minimizar as perdas.
- O link entre o RMBS e o valor do residencial é ténue se o rácio de cobertura do valor do crédito sobre o valor do colateral for reduzido (por exemplo, menor do que 60%) mas deixa de o ser quando é superior a, digamos, 85% /90%).
Main Findings
Chegam-me com regularidade os preços (e respectivas yields, mesmo que indicativos) para diversos RMBS emitidos por bancos portugueses nos anos pré-crise (de 2001 a 2007) e tenho-me interrogado por que razão o preço destes produtos variaram tanto desde 2007 enquanto que o preço do imobiliário permaneceu tão estável.
Estes RMBS são obrigações de taxa variável, indexados à Euribor 3 meses e foram emitidos pela CGD, BCP, BES, Montepio, com diferentes níveis de risco e vintages. O quadro e gráfico que se seguem fazem um resumo destes produtos.
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Vintage
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Valor (€)
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Loan to Value (LTV)
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Spread
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2001
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1,000,000,000
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55.0%
|
54.00
|
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2002
|
1,900,000,000
|
66.9%
|
44.42
|
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2003
|
6,200,000,000
|
63.2%
|
46.95
|
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2004
|
1,210,800,000
|
73.0%
|
26.00
|
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2005
|
7,807,650,000
|
75.8%
|
19.89
|
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2006
|
4,345,550,000
|
74.5%
|
13.55
|
|
2007
|
762,375,000
|
70.0%
|
13.00
|
Mas analisando a evolução do índice Confidencial Imobiliário e do PSI 20 constatámos o inverso. Não seria de esperar que ambos os índices tivessem o mesmo comportamento ou valorização mas é difícil compreender a total falta de correlação entre o que se passa na economia e no mercado residencial.











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