2026 começa com um sinal claro: o mercado está a estabilizar
A mensagem central do Global Real Estate Perspective da JLL para 2026 é simples: o mercado entrou numa fase de maior estabilidade e o “tom” é mais positivo do que nos anos imediatamente pós-pandemia.
Isto também aparece no inquérito global de sentimento apresentado no webcast: em fevereiro de 2026, cresce a fatia daqueles que responderam que esperam melhorias das condições nos próximos seis meses, em todas as grandes regiões (Américas, EMEA e Ásia-Pacífico).
A estabilidade não significa ausência de riscos. Significa, acima de tudo, que empresas e investidores estão a voltar a tomar decisões com mais previsibilidade, mas com critérios mais exigentes (qualidade do ativo, localização e liquidez).
Capital e investimento: o “motor” volta a ganhar velocidade
A JLL sublinha que o crescimento dos volumes de investimento direto reflete a continuação do “rebound” do mercado. Esta recuperação é quantificada: em 2025, os volumes de investimento direto sobem +20% nas Américas e +20% na região EMEA, e +12% na Ásia-Pacífico (variação homóloga).
A composição do capital também está a mudar. A fatia de investimento em Living/Multi-housing e Industrial & Logistics ganha peso e, em conjunto, representa quase metade da liquidez, segundo a leitura comparativa de 2010 vs. 2025 apresentada pela JLL.
Outro indicador relevante para 2026 é o financiamento: a JLL mostra que a angariação global de fundos fechados em 2025 supera 2024 e a média histórica, com +24% YoY no 4º trimestre de 2025 e +23% face ao ano fiscal de 2024.
Taxas e política monetária: expectativas a divergir
A leitura do webcast aponta para um tema que vai continuar a influenciar decisões em 2026: as expectativas de taxas diretoras não são uniformes entre bancos centrais. Em termos práticos, isto tende a manter a seletividade: mais atenção ao custo do capital, ao perfil de dívida e à capacidade do ativo gerar rendimento com estabilidade.
Escritórios: procura forte, mas com foco na “qualidade certa”
Uma das manchetes da JLL é clara: os escritórios atingem um novo máximo de arrendamento global no período pós-pandemia.
No entanto, a recuperação não é homogénea. O webcast reforça a ideia de “flight to quality”: as empresas continuam a concentrar procura em edifícios e localizações que ajudam a atrair pessoas para o escritório, com melhor experiência e desempenho do espaço.
Logística: atividade volta a subir, apesar de decisões mais lentas
Na logística, a JLL descreve um regresso da atividade após um período de incerteza, mas com prazos de fecho de negócio mais longos.
A absorção de espaço mostra trajetórias diferentes por região e sintetiza a ideia de recuperação em 2025: +8% na América do Norte e +1% na Europa, com -6% na Ásia-Pacífico.
Para 2026, a mensagem é de normalização: procura mais racional, maior foco em eficiência da cadeia de abastecimento e em ativos bem localizados, onde o valor operacional compensa o custo do capital.
Retalho: procura resiliente, mas a oferta limita a expansão
O retalho aparece com um enquadramento muito específico: procura expansionista, travada por oferta limitada. Após a recuperação, o crescimento tende a concentrar-se em localizações “core” e em ativos que beneficiam de escassez de produto novo.
Living: menos construção nova e mais capital a procurar o setor
No segmento de Living, a JLL antecipa um travão na construção nova em mercados maduros. Do lado do capital, há uma “maré” a direcionar-se para o living.
Juntando esta procura de investimento a uma oferta nova mais fraca, 2026 tende a favorecer ativos bem posicionados, com gestão profissional e capacidade de responder a procura estrutural (mobilidade, acessibilidade e escassez habitacional em vários mercados).
Hotéis e data centers: oferta contida num, procura explosiva noutro
Nos hotéis, é realçado um abrandamento do desempenho, com crescimento liderado por EMEA e Ásia-Pacífico. A oferta nova deverá manter-se limitada e as marcas procuram crescer via M&A, franchising e parcerias.
Ao mesmo tempo, as transações estão a recuperar e a JLL sugere que o “valor relativo” pode incentivar mais investimento transfronteiriço em 2026.
Nos data centers, a escala é outra. A JLL aponta para uma duplicação da capacidade global até 2030, exigindo até USD 3 biliões de investimento em imobiliário e equipamento de TI.
Mas há um travão importante para 2026: mais de metade dos projetos sofreu atrasos em 2025, condicionados por energia e capacidade de rede.
O que levar de 2026: oportunidade, mas com disciplina
A síntese da JLL, resultante do estudo realizado e do webcast emitido, é consistente:
- 2026 abre com melhor estabilidade e sentimento mais positivo;
- O investimento está a recuperar e o financiamento mostra sinais de reativação;
- A procura está mais seletiva: qualidade, localização e liquidez contam mais do que volume;
- Setores com fundamentos estruturais (living, logística, data centers) mantêm protagonismo, enquanto escritórios e retalho avançam com foco em ativos “prime” e zonas centrais;
- Para equipas de estratégia e investimento, isto sugere um ano em que “fazer negócio” volta a ser mais viável, mas em que o mercado recompensa mais a disciplina do que a pressa.
Bons negócios (imobiliários)!







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