O imobiliário em Portugal vale palha

A desvalorização do mercado imobiliário em Portugal, nos seus mais diversos segmentos, tem sido notória e alvo, em alguns casos, de alguma discussão.

O sector do retail, naturalmente, não tem sido excepção, com muitas lojas a fechar. Mas perante tamanha crise, parece haver alguém que se lembrou de dar um uso alternativo a um espaço comercial.


Cortesia do nosso caro e estimado leitor, Pedro Silva, apresento-vos hoje a mais recente tendência no sector do retail: armazenamento de palha! Será que o mercado bateu mesmo no fundo, de tal forma que agora existam imóveis que apenas valem… palha? Ou só servem mesmo para armazenar palha, o que vai dar quase ao mesmo.

Deixo um desafio aos nossos leitores avaliadores imobiliários: neste caso, de uso alternativo do espaço, como se fará a avaliação???

Bons negócios (imobiliários)!

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  • Carlos Leite Sousa
    19 de Outubro, 2012, 9:04

    A expressão "mercado imobiliário" em Portugal, embora composta por 2 palavras, viu nos últimos 15 anos ser esquecida a primeira palavra – mercado. Num mercado é suposto haver oferta e procura, e uma lei que vai ajustando as duas. Embora todos concordem na estranheza que é produzir algo quando não há procura, ou quando esta é muito menor que a oferta, a verdade é que o sector imobiliário esqueceu completamente esta regra. Pegando no segmento habitacional (aquele que conheço), permita-me inverter o cenário, e dizer que o sector viveu um período de 10 anos acima do que seria normal, com muitas pessoas a trocarem de casa uma ou duas vezes nesse mesmo período. Foi algo de anormal, permitido pelo fácil acesso ao crédito hipotecário. Criou-se a ideia em todo o pais de que "tudo se vendia", mais tarde ou mais cedo. A maioria dos promotores, sem experiência na área e iludidos pela facilidade com que se enriquecia após vender um prédio, teimavam em não baixar os preços. Em resultado, hoje, os escassos promotores que conheço que estão bem do ponto de vista financeiro, foram aqueles que flexibilizaram as suas margens e escoaram totalmente os seus activos.
    Ao contrário do que se pensa, a crise no sector começou sensivelmente por volta de 2002 quando o governo de então acabou com o crédito bonificado, tornando inviável a aquisição de casa por uma parte considerável dos jovens até aos 35 anos. Estes essencialmente compravam imóveis usados, que por sua vez viabilizavam a aquisição de imóveis novos por parte dos vendedores do usado. Formou-se uma bola de neve que só foi disfarçada com produtos financeiros inovadores como o "Troca de Casa". No entanto o problema estava já em processo de agravamento. Já nessa altura muitos promotores apenas liquidavam os seus compromissos crediticios referentes a um Lote com o crédito obtido para a construção de outro Lote. E na esperança de um milagre fazer com que vendesse alguns apartamentos para dar alguma folga financeira.
    Neste momento Portugal tem milhares de fogos habitacionais e comerciais para venda, sem que haja a menor possibilidade de sucesso face à escassa procura. A forma de inverter esta situação não depende do sector, mas sim de factores sócio-económicos que têm a ver com a criação de emprego, o aumento da natalidade e a atracção de imigrantes de elevados rendimentos. Só desta forma podemos aumentar a procura que irá escoar a oferta.

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