Mediação imobiliária: do franchising à marca pessoal

Mediação imobiliária: do franchising à marca pessoal

Cheguei há poucos dias de Nova York onde assisti a um dos maiores eventos de mediação imobiliária de topo no mundo, o INMAN Connect.

Fiz as minhas últimas formações, fiz o meu networking e venho cheio de vontade de partilhar conteúdos, tendências e inspirações do mercado norte-americano, o mercado que continua a ser o mais evoluído do mundo.

Mas para falar de evolução, sinto que necessito de fazer uma retrospetiva e perceber como o mercado na mediação imobiliária evoluiu do franchising para uma lógica de marca pessoal.

O regime de franchising

A evolução dos últimos 50 anos do mercado norte-americano de mediação imobiliária e das suas marcas de franchising de sucesso mundial, com reconhecidos modelos inovadores de operação, gestão e recrutamento contribuiu (e muito) para a evolução do setor neste país e no mundo.

Estas marcas dos anos 70 revolucionaram a forma de fazermos hoje este negócio. Apostaram num modelo empreendedor e permitiram aos agentes imobiliários fazer da sua profissão, o seu negócio. Os Agentes passaram a receber 80% ou mais de comissão, mas em troca, tiveram de abandonar o modelo assalariado. Esta mudança de paradigma criou um crescimento exponencial e para muitos, ilimitado, porque a partir daqui puderam criar os seus resultados e ditar o seu potencial de crescimento.

A evolução para a marca pessoal

O modelo pegou e fazendo um fast-forward até aos anos 80 e 90, a palavra-chave para continuar a crescer foi (e para muitos ainda é) “levarage” que significa saber como alavancar o seu negócio. Apenas atingível com uma exímia gestão de tempo e criação de um modelo de operação baseado em equipas, surge o modelo de Agente Top Producer, um profissional que cria e mantem resultados extraordinários durante um longo período e sabe criar equipa de apoio para alavancar os seus resultados.

É nesta época que se começa a falar de marca pessoal e de comissões que podem ir até aos 100%, subvertendo o modelo anterior e acordando com a agência o pagamento de um valor fixo de serviços associados a si e à sua equipa. O Top Producer passa a remunerar a agência como estrutura de suporte ao seu negócio pagando serviços como: instalações; marketing; tecnologia; formação; coaching/mentoring; entre outros.

Este modelo não é regra, mas existe já em muitas agências pelo mundo fora, contudo, e principalmente na última década, assistiu-se a uma nova evolução: a marca deixa de ser a agência imobiliária e passa a ser a marca pessoal do Agente Top Producer.

Inúmeros são os exemplos de Agentes Top Producers que hoje são autênticas empresas.

Um exemplo? Ryan Serhant, depois de anos de experiência criando o seu nome e a sua marca dentro de outras empresas, hoje tem a sua própria marca: SERHANT. A sua imagem pessoal e o seu networking ganhou força suficiente para credibilizar a sua equipa e a sua empresa.

Os novos modelos na mediação imobiliária

Esta mudança evolutiva é natural e tem sido sentida de uma forma forte. Hoje já há modelos que nascem sem a vontade de se franchisar e outros que já não assumem a figura do dono do negócio (em Portugal conhecemos esta figura como Broker), souberam evoluir de mãos dadas com o que o seu cliente necessitava (o Agente) e evoluíram porque passaram a perceber que poderiam reinventar o seu negócio para um conceito de Service Provider, ou seja, para um conceito em que o seu propósito é servir e fornecer serviços para Agentes Imobiliários que querem desenvolver o seu negócio de forma mais independente. Para isso necessitam apenas de se focar em estruturas de apoio que sejam atrativas por fornecerem possibilidades ilimitadas de serviço para elevar o negócio do Agente.

Não é nem será um modelo para todos. Implica ter experiência, resultados e consistência. Tem de saber fazer muito bem a sua atividade como Agente Imobiliário e principalmente, tem de saber trabalhar a sua marca pessoal de forma diferenciadora, inteligente e perspicaz o que exigirá do Agente uma exposição que vai muito para além do espectro profissional:

– Criando a sua identidade com autenticidade para refletir o seu propósito, visão, missão e valores;

– Escolhendo a sua especialização: área; nicho ou produto (e curiosamente já as marcas dos anos 70 o recomendavam);

– Sabendo desenvolver a sua marca para ir ao encontro do que os seus públicos esperam de dela através de variados pontos de contacto;

– Sabendo comunicar na sua própria voz que terá de viver da dualidade indivisa da sua pessoa profissional e da sua pessoa pessoal.

Estamos já numa fase sem retorno de evolução e aprendizagem sobre o que significa realmente ser empreendedor na sua plenitude da palavra, mas há uma verdade que perdurará no tempo: nos projetos para a vida, a consistência e o longo prazo andam de mãos dadas.

Artigos Relacionados

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *

So, what's new?

Etiquetas

acessibilidade habitação aguirre newman alavancagem alemanha alojamento local ana rita pereira angola antónio josé duarte arrendamento arrendamento acessível arrendamento com opção de compra augusto homem de mello aurare avaliação bancária avaliação de hoteis avaliações imobiliárias b. prime balcão nacional de arrendamento barómetro benefícios fiscais bernardo d'eça leal blockchain blogs bolha imobiliária bond yields branded residences brasil bruno lobo bruno silva built-to-rent. buy-to-let camara municipal de lisboa carlos gonçalves carlos leite de sousa casafari casas Case Shiller cbre century 21 china commercial real estate comprar casa comércio confidencial imobiliário construção consultoria consultoria hoteleira consultoria imobiliária contrato promessa core coronavirus covid19 coworking credit default swaps crédito habitação crédito imobiliário crédito mal-parado cushman wakefield dação em pagamento discounted cash-flow distressed assets double dip dívida dívida pública entrevistas equity escritórios esg espanha estónia EUA euribor eurostat eventos facebook fernando vasco costa fiiah financiamento finanças imobiliárias fiscalidade FMI francisco espregueira francisco silva carvalho francisco virgolino frança fundbox fundos de investimento fundos de reabilitação urbana fundos imobiliários fundos pensões golden visa Gonçalo Nascimento Rodrigues habitação habitação acessível hipoteca holanda hotelaria hotéis imi imobiliário imobiliário do estado imobiliário portugal imobiliário turístico imposto de selo impostos imt imóveis banca industrial inflação inprop fund inteligência artificial investimento investimento imobiliário ipd irc irlanda irs iva jorge catarino jorge próspero dos santos josé carlos marques da silva joão abelha joão fonseca joão madeira de andrade joão nunes knight frank lei arrendamento lisboa logística ltv luís francisco marketing massimo forte mediação imobiliária NAMA non-performing loans notícias nrau nuno ribeiro obama obrigações do tesouro oportunístico ordem dos avaliadores orey activos orey financial out of the box património patrícia barão pedro pereira nunes pib portais de imobiliário porto Portugal preços casas price earnings price to income price to rent prime watch prime yield promoção imobiliária propriedade rustica proptech prédios com rendas antigas reabilitação urbana real estate reit remax rendas residências 3ª idade residências estudantes retail parks reverse mortgage revista imobiliária ricardo da palma borges ricardo guimarães ricardo pereira rics risco rui bexiga vale rui soares franco rácio de afordabilidade sale and leaseback segunda habitação senior living sigi spread taxa de actualização taxa fixa taxa interna de rentabilidade taxas de juro taxa variável tecnologia turismo uk value-add vender casa vpt wacc yield índices imobiliários

Out of the Box Social Media

Subscreva a nossa newsletter

    Recomendado

    Barómetro