O mais recente relatório da Comissão Europeia mostra um mercado residencial que arrefece na Europa. No final de 2022, a maioria dos estados membros registava já pequenas quebras nos preços das casas, tendência que se manteve durante 2023.
Durante o 2º trimestre do presente ano, o índice de preços na habitação caiu 1,7% em termos homólogos, registando assim a primeira descida desde 2015.
Dado o contexto inflacionário em que vivemos, e perante esta quebra de preços, o valor real das casas na Europa desceu significativamente, acima dos salários reais. No entanto, o elevado nível das taxas de juro não permite que a acessibilidade na habitação tenha melhorado.

No gráfico acima é bem claro o efeito da subida de inflação no ano passado: um diferencial entre valor nominal e real na habitação a aumentar de forma significativa, e uma queda mais rápida e acentuada do valor real das casas.
Alemanha e Holanda são os países que mais contribuíram para a queda do índice. Em Espanha e França os preços apresentam relativa estabilidade. Em Portugal, o índice de preços na habitação voltou a registar novo máximo histórico no 2º trimestre.

Naturalmente que a subida das taxas de juro tem implicações no mercado é é vista como uma das principais razões para este arrefecimento. O aumento do custo dos empréstimos coloca natural pressão sobre famílias e empresas, dificultando o acesso ao crédito.
Num mercado, como o imobiliário, onde a alavacangem é natural e recorrente, é perfeitamente compreensível que o aumento das taxas de juro provoque impactos no mercado. Este impacto torna-se mais visível em mercados onde prevaleça o crédito a taxa variável.
Acessibilidade na habitação não melhora
Apesar desta ligeira quebra de preços na Europa, a verdade é que a acessibilidade na habitação não mostra sinais de melhoria. Os preços das casas mantêm-se ainda demasiadamente elevados face ao rendimento disponível dos agregados familiares. E o contexto actual de taxas de juro elevadas só vem colocar ainda maior pressão no mercado.
Na realidade, o aumento dos custos de financiamento provoca:
- Maior pressão financeira junto dos agregados com crédito a taxa variável;
- (Ainda) menor acessibilidade aos chamados “first-time buyers”, ou seja, aqueles que procuram casa pela primeira vez e necessitam de recorrer a crédito para o efeito;
- Maior dificuldade no financiamento a novos projectos.
Nos últimos anos, o mercado foi alimentado por uma baixa histórica nas taxas de juro e subida dos rendimentos, o que contribuiu para a subida de preços. O ano de 2022 fica marcado por uma alteração da conjuntura.

Num mercado onde a oferta é escassa, os preços estão elevados e a acessibilidade muito reduzida a quem nele pretende entrar, um contexto de custos de financiamento elevados só vem dificultar ainda mais o processo de melhoria da acessibilidade na habitação.
Bons negócios (imobiliários)!







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