O novo ano começa com uma lufada de ar fresco que há muito tempo estava ausente por estes lados. Contrariando as habituais previsões que marcam os grandes holofotes, manchetes e primeiras capas, 2025 promete ser um ano de dinamismo e crescimento no mercado imobiliário. Ainda que seja prudente manter os pés bem assentes na terra e evitar visões irrealistas, é inegável que os números revelam um mercado em crescimento, apesar da persistente disparidade entre a oferta e a procura.
A primeira capa de 2025 poderia, sem ilusões, destacar um futuro promissor para o mercado imobiliário. Segundo dados recentes divulgados pelo INE, o volume de vendas do último trimestre do ano atingiu os 9.052 milhões de euros, o valor mais elevado desde que há registos. Não menos impressionante é o número de casas vendidas no mesmo período: 40.909 imóveis, um aumento significativo face a qualquer trimestre de 2023. Se este ritmo de crescimento se mantiver, é legítimo esperar que o volume total de vendas de 2024 alcance um novo recorde.
Os números, à semelhança do algodão, não enganam. À luz das metas traçadas para 2025, muitos dos fatores que poderiam criar alguma incerteza, começam agora a alinhar-se. Depois de um período particularmente desafiante, marcado por sucessivas subidas da inflação e das taxas de juro, que agravaram a crise no acesso à habitação, 2024 trouxe a tão esperada luz ao fundo do túnel. Em 2025, esta confiança ganha consistência, impulsionada pelas previsões do BCE que apontam para uma estabilização da inflação perto dos 2% e um crescimento do PIB na ordem dos 1,1%.
Nos últimos anos, as grandes manchetes de 2022, 2023 e 2024 têm insistido na narrativa de que as cidades portuguesas, em particular Lisboa e Porto, estão a transformar-se em “cidades para turistas”. Contudo, olhando para os números – que traduzem factos -, a realidade revela-se diferente: registou-se uma contração no mercado estrangeiro, com uma quebra de 7,5% no número de casas vendidas e de 5,3% no volume total de vendas em comparação com o período homólogo. Embora a procura internacional continue a ter um peso relevante na economia nacional e Portugal permaneça em destaque nos mercados globais, estes dados mostram que o mercado residencial português é um mercado essencialmente doméstico.
O Governo português tem dado especial atenção ao tema, reconhecendo a necessidade de medidas que valorizem o potencial nacional e que trazem otimismo. Medidas como o Simplex Urbanístico, reversões de medidas do Mais Habitação que penalizavam proprietários ou isenções de impostos e garantia pública, são medidas que vêm criar um dinamismo no mercado. As medidas juntam-se também as famílias, motivadas pelo aumento do salário mínimo e pelas novas tabelas de retenção na fonte, que oferecem maior previsibilidade financeira.
Um novo ano exige mais do que celebrações à meia-noite com 12 passas, pede também um momento de reflexão sobre o caminho percorrido e, sobretudo, de definição de soluções. O ano que deixámos para trás foi marcado por desafios significativos, resultado de uma oferta insuficiente face a uma procura crescente. Contudo, este desequilíbrio trouxe também um outro lado: impulsionou o desenvolvimento de novos projetos e a reabilitação urbana de ativos pré-existentes. Os números são claros: o mercado imobiliário cresceu. E, ao contrário do que tantas vezes se ouve, não foi apenas graças aos investidores estrangeiros, mas também pela força e ambição do mercado português. É com esta perspetiva que entramos em 2025, conscientes dos desafios, mas com confiança no potencial do mercado e na capacidade de enfrentar os desafios com medidas à altura.







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