As duas velocidades

Fernando Vasco Costa
Strategic Consultancy
Jones Lang LaSalle



«Não há liquidez nem financiamento para recuperar edifícios sem actividade económica que os ocupe.»


Nestes tempos conturbados da vida nacional muito se tem referido as diferentes velocidades e capacidades de ajustamento a esta nova realidade que vivemos.

Uma velocidade mais rápida, de quem já se ajustou e já está a trabalhar para o futuro, a promover novas ideias de negócio e a racionalizar custos de produção de modo a poder competir em novos mercados, normalmente associada ao sector privado.

Outra velocidade, mais lenta,  quase parada, que queria que tudo se mantivesse como era antes e que está em completa negação perante todas as mudanças que já aconteceram.


O mesmo se passa no nosso imobiliário. Existem alguns que já se adaptaram à nova realidade, que reformularam projectos, que abriram espaços e rentabilizaram o seus activos, ajustando preços mas também custos a que o mercado pode suportar.

Mas também temos aqueles que ainda não se mexeram, que esperam que a tempestade passe e que os “bons tempos” voltem. Insistem ainda em projectos e fórmulas antigas, suportados em avaliações e em “crenças” desactualizadas.

Felizmente, temos trabalhado muito do “lado bom da força”, assistindo a uma dinâmica que raramente passa nas notícias, novos conceitos, lojas a abrir e a expandirem-se, novas profissões e  antigos ofícios reinventados, que procuram os seus espaços e novos públicos.

Aqui já não se fala em crise há muito tempo, mas sim nas oportunidades tão diversas que entretanto surgiram, novas necessidades de comércio de proximidade e conveniência, no grande aumento de turistas que temos em Lisboa e no Porto, nas oportunidades criadas pelos Golden Visa e pelo Regime Fiscal para residentes não habituais, pelos novos serviços e plataformas online, entre tantas outras.

Esta(s) nova(s) realidade(s) criam novos públicos e por isso pedem uma diversificação do nosso imobiliário, criando nichos de mercado que o tornam mais interessante e desafiante.

Sei que ainda há pessoas que acham que a LX Factory não tem condições para trabalhar, geralmente não percebem que há novas formas de trabalho com diferentes necessidades, mais importante, novas formas de interacção entre pessoas e negócios.

São estes novos negócios que têm contribuído bastante para a reabilitação do centro das nossas cidades, não com uma renovação profunda do edificado, mas sim com o que consideramos mais importante, que é a sua dinamização e atracção de novos públicos.

Este é o caminho para a Reabilitação Urbana dinamizar e criar riqueza para depois poder recuperar edifícios. Não há liquidez nem financiamento para recuperar edifícios sem actividade económica que os ocupe.

Acredito que alguns dos focos de dinamização estão já a contagiar positivamente outras localizações e há novos conceitos e ideias para desenvolver e implementar. Quem diria há 5 anos que havia espaço para uma cadeia de novas pastelarias, num mercado cheio de snack-bares e cafés? Quem adivinhava há 3 anos a proliferação de novas casas de hambúrgueres no pão? Já para não falar nos Hostels e nos apartamentos de arrendamento temporário…

Sabemos que podem representar (ainda) uma pequena percentagem do nosso imobiliário e é claro que continuam a existir outros mercados mais convencionais que é preciso também saber responder, mas é importante compreendermos estes novos nichos e tentar que nos ajudem a rentabilizar os nossos activos.

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