Uma oportunidade de ouro para as ProTechs
As Nações Unidas, com o apoio dos Governos de Portugal e do Quénia, acolheram a Conferência dos Oceanos, em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022. A Conferência foi um apelo à ação pelos oceanos, exortando os líderes mundiais e todos os decisores a aumentarem a ambição, a mobilizarem parcerias e aumentarem o investimento em abordagens científicas e inovadoras, bem como a empregar soluções baseadas na natureza para reverter o declínio na saúde dos oceanos.
A Conferência dos Oceanos acontece num momento crítico, pois o mundo procura resolver muitos dos problemas profundamente enraizados nas nossas sociedades e evidenciados pela pandemia da covid-19. Para mobilizar a ação, a Conferência procura impulsionar as muito necessárias soluções inovadoras destinadas a iniciar um novo capítulo na ação global pelos oceanos e pela sustentabilidade. Esta e outras ações mundiais de forte impacto mediático acontecem cada vez com mais frequência no mundo inteiro pela percepção de extrema urgência em reparar o que foi danificado no nosso planeta.
Neste ambiente de imperatividade do exercício das políticas e métricas de ESG falemos de imobiliário e do papel das PropTechs na sustentabilidade ambiental, social e corporativa.
A Europa estabeleceu uma meta de se tornar neutra em termos de emissões de carbono até 2050 e o setor imobiliário tem um papel fundamental a desempenhar para atingir esse objetivo, pois contribui para aproximadamente 40% das emissões globais de carbono. Em 2016, o Acordo de Paris estabeleceu as bases para uma agenda colaborativa de combate e adaptação às mudanças climáticas.
A construção e manutenção de imóveis é o maior responsável pelas emissões de CO2 no planeta. Devido à combinação da pressão pública, regulamentações da UE, exigências do mercado de capitais e exigências dos clientes, a sustentabilidade tornar-se-á a megatendência das próximas décadas.
O esperado excesso de procura por soluções no setor imobiliário, derivado à tardia percepção que a tecnologia impacta na produtividade e eficácia, desencadeia uma oportunidade historicamente grande para fornecedores de PropTech com soluções escaláveis. Um desafio multibilionário que cria uma oportunidade multibilionária.
A importância dos edifícios verdes para um futuro descarbonizado está a aumentar, mas na Europa não são os novos e modernos projetos imobiliários que oferecem o maior potencial de economia, mas a modernização eficiente das propriedades existentes, que respondem pela maioria das emissões de CO2.
ESG é a sigla em inglês para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governabilidade, em português), geralmente usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa.
ESG pode ser usado para medir o quanto um negócio procura formas de minimizar seus impactos ambientais, construir um mundo mais justo e responsável para as comunidades locais e manter os melhores processos de gestão.
Os desafios ESG não são por isso apenas sobre as emissões de carbono, mas chamam a atenção para o conflito social latente, baseado no aumento do valor do imobiliário, especialmente nas áreas metropolitanas, que culmina no debate sobre os preços sustentáveis para as comunidades locais. A ação socialmente responsável torna-se um aspecto central de uma estratégia compatível com ESG. O desenvolvimento de novos modelos construtivos e materiais de construção poderá minimizar esta tendência.
ESG é um tema altamente relevante e há muitos indícios de que agora é a hora de agir. Não são apenas os investidores que exigem um foco mais forte nestas questões, mas também os reguladores e os consumidores que exigem uma mudança de comportamento. Além disso, para poder concluir com êxito um relatório de auditoria ESG, será necessário recolher grande quantidade de dados, que ainda não estão digitalizados ou rastreados. O setor imobiliário enfrenta vários desafios centrados na transformação de todo o setor e na adaptação às medidas ESG, quer se trate da construção de novos edifícios com uma pegada de baixo carbono ou a renovação dos já existentes.
A falha crucial do setor imobiliário em criar uma base de dados suficientemente credível nas últimas décadas, criou riscos de responsabilidade consideráveis na área da governabilidade, que não podem mais ser ignorados devido ao aumento significativo dos requisitos de transparência e responsabilidade no próprio sector.
As startups estão a tentar compensar a falta de dados, ou informação, por meio de tecnologias e métodos escaláveis, com a criação de planos de implementação para a transição digital, reunindo dados e informação de estruturas existentes e soluções para a escassez de mão de obra e matéria prima por meio da inovação de métodos construtivos.
Como costuma ser o caso, as empresas imobiliárias proativas no desenvolvimento tecnológico são as vencedoras da mudança. A cooperação estratégica com startups não é apenas “bom de se ter”, mas geralmente obrigatórias por não terem alternativa para corrigir déficits sistemáticos de métodos estabelecidos pela falta de conhecimento tecnológico.
Além das parcerias operacionais, assumir o papel de investidor pode ser visto como o padrão chave dessas cooperações, possibilitando a participação no aumento de valor da empresa imobiliária e das startups. A entrada em investimentos diretos é tentadora, mas limitada em escalabilidade, possível apenas por meio de uma abordagem estruturada de identidade corporativa e mindset para a evolução. Os fundos de capital de risco externos, portanto, oferecem a estratégia de inovação ideal, daí a ligação direta e crescente deste tipo de investimento em startups.
Vivemos tempos únicos, caracterizados pelo surgimento de uma pandemia sem precedentes recentes, uma guerra em continente europeu e catástrofes naturais cada vez mais frequentes devido ao aumento da temperatura global. Equaciona-se uma crise económica pelos ciclos naturais do sistema financeiro. A união estratégica e forte das empresas do imobiliário com startups que ofereçam soluções tecnológicas que vão de acordo com políticas de ESG irá ser a diferença entre o “trigo e o joio” nos próximos anos.







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