Já muito escrevi aqui sobre acessibilidade na habitação, bem como sobre o efeito do crédito no mercado.
No artigo de hoje, pretendo fazer referência ao Boletim Económico de Outubro do Banco de Portugal. No mesmo, são apresentadas algumas medidas de acessibilidade na habitação, nomeadamente via crédito.
O documento conclui que durante o período de 2016 e 2019, «a medida de acessibilidade à habitação via crédito manteve-se relativamente estável.». É relativamente fácil de compreender porquê. Durante esse período de tempo, o nível de taxas de juro no crédito habitação manteve-se relativamente estável e bastante reduzido:

Fonte: INE
A subida dos preços na habitação em igual período, de 43% (de acordo com Índice de Preços na Habitação do INE, Q42015-Q42019) foi compensada pelo nível reduzido de taxas de juro, facilitando o acesso ao crédito para compra de casa, logo amenizando a dificuldade na acessibilidade à habitação por via do preço.
Será, pois, fácil compreender que essa compensação tenha deixado de existir no período mais recente, com o aumento de taxas de juro. Nem mesmo o efeito positivo do aumento nominal dos rendimentos dos portugueses foi suficiente para fazer face ao forte impacto causado pela subida dos juros no crédito habitação:

Como há muito tenho vindo a dizer, o mercado residencial português é muito dependente da disponibilidade e custo do crédito. Sempre que o crédito é (mais) barato, o mercado tende a comprar mais, aumentando volume de vendas (quer em preço, como em número de transacções). Em momentos em que o crédito é escasso e/ou caro, historicamente o mercado tende a contrair.
Assim sendo, é mais do que compreensível e esperado que o mercado residencial em Portugal registe, como tem vindo a registar, uma quebra nas vendas.
Bons negócios (imobiliários)!







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