O investimento imobiliário global deverá aumentar 15% no próximo ano, graças à estabilização das avaliações e ao reforço da procura nos segmentos prime de escritórios, residencial e logística. Depois de alguns anos de atividade mais “morna”, 2025 marcou um ponto de viragem nos mercados de capitais do imobiliário: o volume de investimento nos primeiros três trimestres do ano subiu 10% face ao mesmo período de 2024, com sinais de fundo a sugerirem uma retoma do mercado (valores de capital a estabilizar, maior dimensão média das transações e a dívida a voltar a contribuir positivamente para os retornos).
É neste contexto que a Savills antecipa que, em 2026, a recuperação se fortaleça: o investimento imobiliário global deverá crescer 15%, ultrapassando 1 bilião de dólares.
O “motor” regional está na EMEA
A Savills prevê que a EMEA seja a região com maior crescimento: +22% para pouco mais de 300 mil milhões de dólares em 2026. França e Países Baixos surgem como mercados onde se espera crescimento particularmente elevado, com capital a regressar a geografias core da Europa Ocidental.
Nas Américas, o investimento deverá atingir 570 mil milhões de dólares (+15%), suportado sobretudo pelos Estados Unidos (projeção de 530 mil milhões de dólares).
Na APAC, o outlook é mais moderado: +7% para 200 mil milhões de dólares, com a fraqueza do crescimento na China a pesar; ainda assim, a Savills nota redirecionamento do foco para Japão, Coreia do Sul e Austrália, que tiveram um 2025 forte e poderão transportar esse momento para 2026.
Confiança a subir — e valores de capital a recuperar
Um inquérito da rede global de research da Savills aponta para um sentimento construtivo: saldo líquido positivo de 60% dos respondentes a prever melhoria da atividade de investimento em 2026 e 57% a esperar subida de valores de capital.
“Flight to prime” volta a colocar escritórios prime no topo
O tema decisivo é a qualidade. A Savills destaca a continuidade do “flight to prime” e refere que, em 2025 (até ao 3º trimestre), o investimento global em escritórios somou 135 mil milhões de dólares (+14% em termos homólogos).
Para 2026, a casa antecipa que o segmento de escritórios aumente a sua quota do investimento global, com cerca de 80% da rede de research a apontar escritórios prime como uma das principais apostas nos 12 meses seguintes (apesar de maior cautela com escritórios secundários).
A Savills Portugal acrescenta que cerca de um quarto do volume global pode concentrar-se em escritórios em 2026.
“Beds & sheds” mantêm tração: residencial e logística
A procura por residencial e industrial/logística manteve-se forte em 2025, suportada por drivers estruturais (demografia, tecnologia e fragmentação geoeconómica). Para 2026, a Savills indica que o residencial, incluindo nichos como student living e senior living, deverá continuar a ser o maior recetor global de investimento.
No industrial/logística, a Savills assinala um vento contrário: incerteza crescente nas políticas comerciais.
Retalho e hotelaria: “valor relativo” e localizações prime
O retalho deverá reter interesse, oferecendo “bom valor relativo” face a outros sectores. A Savills destaca high streets prime em localizações core e retalho food-anchored entre as preferências (e, para estratégias mais arriscadas, oportunidades via reposicionamento/repurpose de ativos).
Na hotelaria, a nota é simples: destinos turísticos (“hotspots”) continuam a colocar hotéis no radar como aposta para o ano seguinte.
O pano de fundo: taxas mais altas “vieram para ficar” — e o mercado está a adaptar-se Uma parte importante da tese da Savills é que a retoma de 2026 acontece já num novo regime de taxas (“novo normal” acima do pré-pandemia). A descida de taxas ajudou, mas a Savills sublinha que o sentimento e a atividade transacional melhoraram ao longo de 2025 mesmo com yields de obrigações longas ainda elevadas.
A partir daqui, a casa vê dois desbloqueios:
- Procura: capital institucional a regressar; “dry powder” abundante; alocações-alvo a imobiliário estáveis em 10,8% (com possível “denominator effect” ligado à subida dos mercados acionistas).
- Oferta: fundos que adiaram vendas durante a correção poderão voltar a colocar ativos no mercado agora que o pricing estabilizou, aumentando liquidez e deal flow.
O que isto pode significar para Portugal?
Se a EMEA liderar de facto a recuperação, Portugal tende a beneficiar do regresso do capital core/core-plus à Europa, mas com um filtro claro: qualidade, liquidez e capacidade de gerar rendimento (prime, bem localizado, com fundamentais ocupacionais). Isto não é uma promessa de “boom”; é um cenário de reabertura gradual do mercado, onde a diferença entre prime e secundário pode continuar a aumentar.
A Savills Portugal vai mais longe na leitura local, defendendo que o mercado português “não é exceção” e que o final de 2025 já refletia maior dinâmica, esperando volumes elevados no início de 2026.
Bons negócios (imobiliários)!
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Fontes de Informação:
- Savills Impacts / Savills World Research — “2026 investment outlook: recovery set to strengthen” (Dezembro 2025), Oliver Salmon e Charlotte Rushton.
- Savills Research usando MSCI RCA — fonte indicada no gráfico “Global Investment by Sector” no mesmo artigo.
- Savills Portugal (Notícias e Research) — “Savills prevê que o investimento imobiliário global ultrapasse um bilião de dólares em 2026” (23 Dez 2025).







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