Francisco Espregueira, MRICS
Quando se calcula o Valor Actual de Mercado de um imóvel que se encontra em construção, devemos perguntar “qual deles?”, “com que método”?
Vejamos um exemplo simples de um cash-flow de um empreendimento imobiliário. Neste caso o Valor Actual Líquido (o resíduo do projecto) corresponde ao valor do terreno uma vez que a edificação ainda não iniciou.
- Foram considerados encargos financeiros na determinação do VAL do empreendimento! Julgo que, quando estamos a falar de uma análise de viabilidade do projecto, não devemos considerar encargos financeiros. O projecto deve ser viável ou não independentemente da forma em que o mesmo é financiado.
- Por outro lado, quando se avalia um activo, devemo-nos colocar no ponto de vista do Promotor (do mercado) e verificar se a sua receita cobre todos os seus custos. Neste caso devemos considerar encargos financeiros.
- Não se considerou uma rúbrica para a Margem (lucro) do Promotor! O lucro do Promotor está obviamente considerado na Taxa de Actualização que deve remunerar adequadamente os capitais próprios (componente Taxa de Risco).
Voltando agora ao cash-flow acima apresentado. O empreendimento apresenta a seguinte Estrutura de Custos. Admite-se que se adapta bem às características do projecto em análise (ver artigo “A Importância da Estrutura de Custos” de Fevereiro de 2014).
Nessa data, com a obra a 50 %, a Estrutura do Custo de empreendimento é a seguinte:
Note-se que um Promotor que comprar o empreendimento nesta data para o concluir, tem uma margem de 15,57 unidades monetárias para um investimento de 84,43 unidades monetárias (resultado de 100,00 – 15,57). A Rentabilidade do Investimento é de 18,44 % (resultado de 15,57 / 84,43).
Em relação à data zero, nesta data este novo Promotor vai investir mais capital (84,43 em vez de 81,48 unidades monetárias) e vai ganhar menos (15,57 em vez de 18,52 unidades monetárias). É evidente que este novo Promotor tem a seu favor o factor tempo uma vez que apenas falta realizar 50 % da obra. Para quem a “variável tempo não é importante”, mais vale comprar o terreno vizinho e iniciar o investimento desde a data zero.
Não é demais recordar que o Método do Discounted Cash Flow (Método Dinâmico) é obviamente mais correcto do que o Método Estático. Convém lembrar que num cash flow existem infinitas combinações possíveis para os “inputs”. Por isso é sempre recomendável fazer-se uma Análise de Sensibilidade ao resultado por alteração das variáveis (“inputs”). Os resultados obtidos têm que ser coerentes e equilibrados (ver artigo “A Importância da Estrutura de Custos” de Fevereiro de 2014).











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