Mercado em alta
A procura estrangeira de imóveis em Espanha atingiu um novo recorde no início de 2025.
Segundo dados da Spanish Property Insight, o número de casas compradas por investidores estrangeiros em Espanha atingiu um novo máximo histórico no primeiro trimestre de 2025, com 21.525 transações entre janeiro e março, superando mesmo os valores registados nos anos de boom pós-Covid de 2022 e 2023.
O peso das aquisições estrangeiras situa-se agora nos 14,1%, quando antes da pandemia a média rondava os 12,6% e, desde 2021, se mantinha em cerca de 14%.
Perfis dos compradores
Os britânicos continuam a liderar o ranking, com 2.110 aquisições, seguidos pelos alemães (1.626), holandeses (1.549) e franceses (1.314). Destaca-se, porém, o forte crescimento dos cidadãos dos Estados Unidos, cujas compras aumentaram 57% face a 2024, totalizando 520 transações – o maior crescimento percentual entre os principais mercados emissores. Os holandeses registaram um aumento de 36%, enquanto os britânicos, apesar de um cenário de queda nos últimos anos, lograram um acréscimo de 7%. A única grande redução verificou-se entre os compradores russos, com uma descida de 6%.
Motivações e perspetivas
Entre os fatores que impulsionam esta corrida estão as qualidades intrínsecas de Espanha – sol, segurança, qualidade de vida e bom valor face a outros destinos europeus –, especialmente valorizadas num contexto de crescente instabilidade global. A “fuga Trump” pode também ter contribuído para o apetite dos americanos por imóveis fora dos EUA, beneficiando de um dólar forte no final de 2024.
Para além disso, as recentes três descidas de taxas de juro pelo Banco Central Europeu em 2025 acabaram por tornar os empréstimos hipotecários mais acessíveis e alargando o poder de compra dos investidores.
Riscos potenciais
Apesar do momento favorável, existem nuvens no horizonte. O Primeiro-Ministro Pedro Sánchez mencionou a possibilidade de proibir estrangeiros não residentes de fora da UE de adquirirem imóveis, o que afetaria principalmente britânicos e americanos, caso a proposta avance para legislação.
Além disso, o recente apagão nacional—atribuído a uma dependência excessiva de energias renováveis—pôs em causa a estabilidade da rede elétrica; uma repetição de incidentes deste tipo poderá abalar a confiança dos compradores.
Em suma, a procura internacional por imóveis em Espanha não só recuperou o ímpeto perdido durante a pandemia como continuou a crescer de forma sustentada no início de 2025. Com fundamentos sólidos — clima, segurança, custo-benefício e condições de financiamento —, o mercado espanhol mantém-se atrativo para investidores estrangeiros, apesar dos desafios políticos e operacionais que poderão surgir.
Bons negócios (imobiliários)!







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