A pandemia do Covid-19 trouxe uma nova forma de estar no trabalho. Trabalhar à distância, longe do escritório, tornou-se tão comum como qualquer outra actividade diária. Que impacto gerou e o que se passa no mercado de escritórios?
O mercado-norte americano
Dados recentemente publicados pela Visual Capitalist apontam para uma vacancy rate no mercado de escritórios norte-americano de 20,2%, correspondente a cerca de 92 milhões de metros quadrados. São Francisco regista a taxa de desocupação mais elevada (26,4%), Los Angeles está em 6º com 24,1%. Já Nova Iorque, apesar de ter o maior volume de área vaga, apresenta uma taxa mais reduzida, nos 16,1%.
Afinal, o que se passa com o mercado de escritórios?
Michael Steingold, diretor de mercados privados da Russell Investments, em declarações à IPE Magazine, refere que «O fenómeno do trabalho em casa continua a afetar o mercado de escritórios dos EUA. Em alguns setores, como o mercado de tecnologia, as operadoras questionam-se se precisam, de facto, de uma presença física no escritório».
Num mercado com uma baixa taxa de desemprego e altos níveis de empregabilidade, seria de esperar um mercado de escritórios activo. No entanto, passa-se exactamente o contrário. A correlação entre mercado de trabalho e performance do mercado de escritórios parece agora perdida.
O mercado europeu
Dados divulgados pela Savills apontam para uma ocupação que se encontra 14% abaixo da média dos últimos 5 anos (dados do 1º trimestre). Os mercados que registaram o maior aumento na ocupação no primeiro trimestre em relação à média histórica 13foram Oslo (+50%), Praga (+19% ) e Madrid (+5%). No outro extremo, Dublin (-62%), Bucareste (-57%) e Lisboa (-55%) registaram as maiores quebras.
Os últimos 3 anos ficaram já abaixo da média dos anos pré-covid, apesar da boa performance de 2022. No entanto, a consultora refere que a Europa parece mais protegida que os Estados Unidos, pois a oferta de novos espaços é limitada, o que também justifica a quebra na ocupação.
E Portugal?
Os dados de Maio publicados pela JLL mostram uma quebra de 76% no take-up acumulado, comparando com igual período de 2022. De notar que o ano passado registou um total de 272.000 m2 de espaço absorvido, 70% acima do registado em 2021!
O mercado de investimento
Há poucos dias, o Ricardo Pereira escreveu um artigo sobre a desvalorização que muitas empresas têm sentido ultimamente. Fruto da combinação de uma quebra no mercado de escritórios e de um aumento das taxas de juro, muitas empresas com investimentos neste sector e alavancadas estão, naturalmente, a registar perdas de valor.
A Savills alerta ainda para a quebra no investimento. Um elevado custo de dívida e alguma incerteza no horizonte quanto à performance do sector, parecem ser ingredientes suficientes para uma quebra substancial no investimento em escritórios.

Bons negócios (imobiliários)!







Leave a Comment
Your email address will not be published. Required fields are marked with *