A Preqin reuniu, num “key findings snapshot”, os principais destaques do mercado de private equity (PE), venture capital (VC), private credit (PC), real estate e infraestruturas. A mensagem central é dupla: (i) os mercados entram em 2026 com otimismo cauteloso e uma trajetória de crescimento de AUM (ativos sob gestão) que se mantém robusta; (ii) esse crescimento acontece num contexto de mudanças estruturais — mais concentração em “mega-managers”, maior procura de resiliência e diversificação, e um mercado a reequilibrar-se depois do choque de taxas de juro.
Há sinais positivos: fundraising a reagir em alguns segmentos; melhoria gradual na atividade de saídas em VC; maior apetite por crédito privado. No entanto, também há fricções que não desaparecem com uma simples descida de taxas: valorização vs. preço de transação, “overhang” de ativos por vender, e uma normalização de retornos em algumas classes.
E o mercado imobiliário?
A Preqin refere que o fundraising imobiliário foi suportado por uma captação forte nos primeiros três trimestres de 2025, puxada por fundos de dívida e pelo regresso de capital para estratégias oportunísticas.
Em contrapartida, o documento nota que o valor total de transações ficou globalmente estável face ao ano de 2024: mais capital levantado não significou automaticamente mais transações fechadas (o que é consistente com spreads, custos de financiamento e prudência).
Em termos regionais, a América do Norte liderou a atividade (industrial e residencial), a Europa ficou atrás, e a região da Ásia/Pacífico arrefeceu.
O ponto mais estratégico, porém, é estrutural e de longo prazo: a Preqin destaca como tendências demográficas e de acessibilidade estão a reconfigurar o residencial, aumentando procura por unidades de menor dimensão, co-living e senior housing. Sublinha ainda que mudanças em termos de investimento e na leitura histórica de performance sugerem ajustamentos estruturais no private real estate.
O que significa tudo isto?
Para quem investe em imobiliário, na prática a mensagem veiculada pela Preqin resume-se ao seguinte:
1. Crédito volta a ganhar destaque
O destaque dado ao private credit sugere que muitos investidores querem “carry” e previsibilidade, sobretudo enquanto as saídas em PE/VC não normalizarem totalmente.
2. No imobiliário, a dívida e o oportunístico ganham espaço — e isso é um sinal
Quando a captação cresce via fundos de dívida e estratégias oportunísticas, o mercado está a dizer: “há retorno no reprice e na estruturação”, mas ainda há cautela no equity “core” tradicional.
3. Temas residenciais estruturais (co-living, senior living, unidades pequenas) deixam de ser nicho
A pressão de affordability e o envelhecimento não são “tendências”, são a nova norma. O mercado residencial foca-se cada vez mais em produto, utilização, serviço e ocupação.
4. Europa pode ter um momento forte em infraestrutura
Se a Europa liderar o crescimento de AUM em infraestrutura, isso cria um campo fértil para investimento em transição energética, redes, digital e data infrastructure.
5. A concentração em mega-managers é uma realidade — e obriga a decisões conscientes
Para LPs: negociar acesso, fees e termos (e decidir quando faz sentido procurar “specialists”). Para gestores: ou escala, ou especialização muito clara, ou diferenciação de originação.
Bons negócios (imobiliários)!







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