Imobiliário em Lisboa não é carne nem é peixe

No passado dia 04 de Março, estive na Culturgest no lançamento do livro promovido pela Urban Land Institute (ULI) e pela Pricewaterhouse (PWC), intitulado Emerging Trends in Real Estate.

Este trabalho resulta de um conjunto de inquéritos e entrevistas realizados junto de players europeus, no sentido de aferir do seu sentimento relativamente a algumas questões relacionadas com o mercado imobiliário na Europa.

Confesso que da apresentação das principais conclusões do estudo, pouco há a realçar. À parte da apresentação de Aniceto Viegas da Bouygues, que nos tranquilizou quanto ao facto de Madrid e Paris estarem bem piores que nós (!), do painel de debate, moderado por António Perez Metelo e constituído por outras altas individualidades do nosso mercado imobiliário, ressalta uma evidência: o mercado imobiliário em Lisboa “não é carne, nem é peixe”! Porquê?

Perante a evidência que Lisboa fica sempre a meio da tabela no que respeita a perspectivas de investimento e desenvolvimento imobiliário, António Perez Metello referindo que «não sou deste mercado e portanto percebo pouco de imobiliário» pergunta ao painel o porquê de Lisboa estar ali no meio, parada, sensaborona e sem mexer muito face ao ano transacto?

Resposta? É mesmo assim! Rui Alpalhão, Presidente da Comissão Executiva da FundBox e membro do painel, referia que quando os mercados europeus subiram desenfreadamente, nós por cá continuamos calmos e estáveis, tendo acontecido o mesmo nos últimos 3 anos com as quedas que todos conhecemos. «São poucos os que entram mas também são poucos os que saem. Quem investe cá, já não quer (ou não consegue) sair porque somos poucos. E se mais negócios houvesse, julgo que não teríamos pessoas suficientes para os trabalhar, o que seria uma maçada.». Gargalhada geral, como já é apanágio nas declarações sempre certas e bem-humoradas de Rui Alpalhão. Mais coisa, menos coisa, foi isto que saiu!

Devo dizer-vos que concordo em absoluto! Se gostaria que fosse diferente? Se gostaria que Lisboa e Portugal fossem um mercado mais líquido, com uma estrutura fiscal mais leve, menos burocrático, que facilitasse a entrada do investimento estrangeiro? Claro que sim, mas não seria a mesma coisa…

Bons negócios (imobiliários)!

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  • António Coutinho Rebelo
    1 de Abril, 2010, 11:46

    Gonçalo,
    Também estou de acordo com a estreiteza do nosso mercado de investimento imobiliário e isso em grande parte deve-se à nossa condição ultra periferiférica, face aos "so called" centros de decisão do investimento global.
    Todavia, se virmos esta nossa debilidade noutro prisma,talvez se transmutasse numa oportunidade e quiçá numa nova afirmação de vitalidade económica do nosso país.
    Imagina então que por oposição aos mercados consolidados das grandes capitais europeias, onde impera um investimento mais massificado, regido por critérios tecnocráticos, de pura racionalidade económica e fria (onde muitas pessoas detestam viver), Portugal se apresenta aos investidores, trabalhadores e turistas como um mercado para:
    1. Boas emoções e prazeres de vida;
    2. Gente hospitaleira, educada e cumpridora;
    3. Carga fiscal ligeiramente abaixo da média europeia;
    4. Administração pública e justiça eficientes;
    5. Serviços públicos menos interventivos na cadeia de investimento, modernos, on line e baratos;
    6. Bons níveis de segurança pública e privada e baixos índices de criminalidade;
    7. Natureza e ambiente atractivos ao longo de todo o ano;
    8. Facilidade de comunicações e generalizado uso de línguas estrangeiras pelos nativos;
    9. Redes estruturadas de apoio ao empreendedorismo (não apenas o virado para as novas tecnologias ou ciências);
    10. Bons transportes e proximidade à Europa Central;
    11. Apports especiais na estruturação dos canais de investimento e promoção do Brasil e países africanos;
    12. Riqueza histórica e patrimonial e diversidade geográfica.
    13. Uma nova bandeira de Portugal e uma nova política democrática, mais focada nas famílias e empresas do que nas estratégias de curto prazo dos partidos políticos,
    Tudo isto somado, bem gerido e melhor promovido, talvez tivesse como consequência não só trazer até nós muitos e novos investidores mas acima de tudo e mais importante do que isso trazer novos habitantes provindos dessa Europa.
    Que, encantados com este cantinho marítimo, decidam comprar-nos as casas, fundar e desenvolver aqui novas empresas, consumir os nossos produtos e serviços. Talvez até cuidar melhor do que nós, de alguns pontos do país – especialmente do interior – que por esse criminoso desprezo temos acentuado o desiquilibrio territorial e injustiça social.
    O que é preciso para fazer isto? Os partidos já não têm propostas para o país deste género que sejam apelativas e mobilizadoras?
    Ou estamos condenados a viver com o que temos?
    You may say I am a dreamer,
    but I'not the only one…
    Abraço
    António Coutinho Rebelo

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