Segundo dados do INE, o número de casas vendidas em Portugal registou uma quebra homóloga de -6,6% no 2º trimestre de 2019. Durante o referido período, foram vendidas 42.590 casas que compara com as 45.619 registadas em igual período de 2018. Em cadeia, o número de casas vendidas também registou uma descida, no entanto mais ligeira, de -2,8%.
Trata-se do 2º trimestre consecutivo com quebra de vendas, algo que não acontecia desde 2011. Se tipicamente se regista sazonalidade na venda de casas durante os primeiros meses do ano, sendo normal haver uma descida nas vendas nesse período, já o registo de um primeiro semestre com descidas não ocorria há já 8 anos.

No entanto, há que realçar três aspectos:
- No total dos primeiros 6 meses de 2019 (janeiro a junho), foram vendidas 86.416 casas em Portugal, valor que mesmo assim se encontra acima do registado em igual período de 2018 (86.335);
- O número de casas vendidas no 2º trimestre de 2019 encontra-se muito acima do valor registado em igual período de 2017 (+15,5%);
- Este foi o 2º melhor 2º trimestre de vendas de casas em Portugal desde que o Índice de Preços na Habitação tem registos.
Já no que respeita aos preços, estes subiram 10,1% em termos homólogos, com o índice a atingir agora o seu ponto mais elevado nos 141,49 pontos. Em cadeia, registou uma subida de 3,2%, uma das maiores alguma vez registada. A subida dos preços das casas em Portugal parece não querer abrandar.
Vendas na Madeira mantêm tendência de subida
A Área Metropolitana do Porto foi a região do País que mais contribuiu para a quebra nas vendas, com uma descida de -12,3%, seguido do Algarve (-9,5%) e Lisboa (-9,4%). Madeira foi onde se verificou a maior subida nas vendas, com um registo homólogo de 8,1%, tal como Açores (0,6%) e a Região Centro (2,6%).
Preços sobem em todo o País
Analisando as vendas registadas pelo INE, conclui-se que o preço médio de cada casa em Portugal mantém a sua tendência de crescimento. Agora, cada casa é vendida, em média, por um valor de € 142.540 que representa uma subida homóloga de 5%. Foi na zona do Algarve onde se registou o maior crescimento de preços, com uma variação homóloga de 12,52%. Lisboa ficou-se pelos 10,8% e nenhuma região do País registou descida de preços.
Novos aceleram mais do que os usados
A quebra no número de casas novas vendidas foi superior às usadas (-9,4% vs. -6,2%). No entanto, os preços médios das casas novas estão a acelerar mais rapidamente, com um crescimento de 9,19% face aos 4,28% registados nos usados.
Quebra de mercado ou falta de oferta?
É realmente de assinalar esta nova tendência de quebra generalizada na venda de casas em Portugal. No entanto, será esta quebra derivada de uma desaceleração do mercado ou da falta de oferta?
Apesar da desaceleração do mercado ser uma evidência para a maioria dos players, a quebra generalizada (e não localizada) no número de casas vendidas, aliada a uma subida do preço médio, parece indiciar mais a falta de oferta no mercado do que propriamente um fenómeno focalizado numa desaceleração do mesmo. O mais natural é a ocorrência dos dois factores ao mesmo tempo.
Será algo a seguir nos próximos meses. É evidente que o mercado necessita de mais oferta e mais oferta nova, por forma a responder às solicitações de uma procura nacional, residente, com francas carências de habitação e com menor poder de compra que uma procura estrangeira. Caso o mercado consiga corresponder, será expectável observar-se nos próximos tempos uma correcção em baixa do preço médio, um aumento nas vendas das casas novas e uma certa desaceleração na venda de usados. A acompanhar.
Bons negócios (imobiliários)!







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