A mediação imobiliária em Portugal procura adaptar-se à nova realidade do mercado. Esta é uma das conclusões do 2º inquérito levado a cabo por Out of the Box – Real Estate & Finance ao sector da mediação em Portugal.
Com 642 respostas obtidas, o inquérito serviu para fazer novo acompanhamento ao mercado e perceber como está este sector a adaptar-se, perante a dificuldade na angariação, em realizar visitas e na concretização e fecho de negócios. As respostas obtidas centraram-se no período entre 22 de Março e 5 de Abril.
Os resultados obtidos vêm confirmar aquilo que já se tinha concluído aquando do 1º inquérito: os compradores mantêm-se afastados do mercado e os proprietários aparentemente denotam maior propensão para vender. O peso dos compradores que desistiram de ir às compras ou inclusive de fechar um negócio já prometido, manteve-se.
Os agentes têm naturais dificuldades em realizar o seu trabalho. Na realidade, quase metade dos inquiridos referiu ter tido a necessidade de adiar a realização de uma escritura. Do lado de quem as consegue ainda realizar, são muito poucos os que fecharam mais de 5 negócios durante a quinzena referida. Da amostra recolhida, deverão ser cerca de 900 as escrituras realizadas durante este período.
Ano arrancou em força
Quase 80% dos inquiridos referiu ter vendido tantos ou mais imóveis nos dois primeiros meses de 2020, comparativamente com igual período de 2019. 31% refere mesmo que registou vendas 10% acima do observado no ano passado.
Já o mês de Março observou comportamento oposto. Quase 60% dos agentes menciona ter vendido menos no mês passado em comparação com Março de 2019. Apenas 18% dos inquiridos vendeu mais e 35% reconhece inclusive ter vendido menos 20% dos imóveis.
Vendedores mantêm preços. Compradores à espera
Os vendedores, para já, mantêm os seus preços de venda. Mais de metade do mercado proprietário não baixou preço. Já do lado dos compradores, apesar de manterem interesse em comprar, quase metade refere que só o fará perante uma descida de preços. Apenas 15% dos agentes referem que os compradores que acompanham perderam interesse em comprar.
Mercado adapta-se
O mercado da mediação imobiliária procura adaptar-se à nova realidade. Depois do primeiro período de quarentena, há agora mais agentes que referem estar a fazer visitas e/ou angariações. A preferência por visitas virtuais e/ou vídeo-chamadas está presente em muitos e tem-se tornado uma válida alternativa. No entanto, há ainda 45% dos inquiridos que refere não estar, de todo, a realizar visitas ou angariações. No entanto, este valor melhorou face aos 64,5% do inquérito anterior.
Onde se sentem mais impactos?
Outros dados são revelados neste inquérito que permitem aferir das zonas em Portugal onde mais se sentem determinados impactos:
- Nos dois primeiros meses do ano, a Zona Norte de Portugal registou maior actividade vendedora, quando comparado com a média da amostra. A Área Metropolitana do Porto manteve o nível de vendas face a 2019. Algarve estava já a registar uma descida nas vendas;
- Na Área Metropolitana de Lisboa observava-se ligeiro arrefecimento em Janeiro e Fevereiro, que se prolongou em Março;
- No mês de Março, a quebra nas vendas fez-se sentir mais na Zona Centro e no Algarve;
- Alentejo e Madeira foram as regiões do País onde as vendas mais cresceram em Março, por comparação com a média dos resultados obtidos;
- Os vendedores estão ainda resilientes em baixar preços de venda, sobretudo no Norte, Alentejo e Algarve;
- Na Área Metropolitana de Lisboa, os compradores estão mais oportunistas. Na Área Metropolitana do Porto, os compradores perderam o interesse, tendo saído do mercado em maior proporção.
Os resultados do inquérito podem ser consultados aqui.
Bons negócios (imobiliários)!







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