A yield é uma medida de rentabilidade muito usada e querida no nosso mercado imobiliário. É igualmente uma importante variável para determinar um potencial valor de mercado de um imóvel, usando o método de rendimento.
Existe research em Portugal sobre as yields nos sectores de office, retail, industrial. Mas nada no sector da habitação.
Em tempos escrevi 2 artigos sobre o Price Earnings (PER) na habitação, ou se quiserem, o price-to-rent ratio. De uma forma simplista, o PER não é mais que a yield (ou para as acções, o dividend yield) traduzida em anos. Na altura, alertava para os principais perigos da yield (ou do PER): é estática e não leva em linha de conta a estrutura de financiamento.
Desta forma, não me surpreende nada a notícia saída há dias no Finantial Times, referindo que os buy-to-let estariam em risco de negative equity. Um investidor em habitação, direccionado para o buy-to-let, tende a “prender-se” muito à yield, esquecendo-se do facto de ser estática.
Tomar decisões de investimento em buy-to-let, numa conjuntura de descida de preços, exclusivamente baseado em yield é um erro. Recorrer a financiamento para alavancar esses investimentos, torna a decisão um duplo-erro, porque a yield não incorpora nenhuma destas variáveis.
Voltando a Portugal, convencionou-se que uma prime yield no sector da habitação rondaria os 5%. Já tive oportunidade de analisar o portfolio de alguns clientes particulares e de calcular a rentabilidade das suas carteiras. Decisões que tomaram, nos últimos 5 anos, baseadas em yield estão a demonstrar-se ruinosas, sendo expectável que comecem a gerar cash-flow negativo rapidamente.
Por isso, o meu conselho é este: qualquer investimento em buy-to-let residencial deve ser olhado com muito cuidado. Analisar a yield, sim, mas é necessário entender qual o preço médio de mercado, expectativas futuras de evolução do preço, liquidez do produto, facilidade de arrendamento, etc. Mas, mesmo assim, se não estão convencidos, pelo menos subam essa yield de 5%, pelo menos para 6,5%.
Bons negócios (imobiliários) e de buy-to-let!






10 Comentários
Mário Fonseca
18 de Junho, 2011, 14:35É incrivel a falta de rigor deste artigo…
REPLYGonçalo Nascimento Rodrigues
18 de Junho, 2011, 14:36Porquê, Mário? Qual é a sua perspectiva? Que opinião tem sobre o assunto?
Abraço,
Gonçalo
REPLYGonçalo Nascimento Rodrigues
27 de Junho, 2011, 13:14Pelos vistos o Mário não tem muito mais a dizer…
Ainda sobre este assunto, aconselho a ler http://www.financialsamurai.com/2011/06/23/why-rental-property-is-a-powerful-asset-class/.
Esta é uma visão com a qual concordo menos. Se bem que historicamente, a apreciação real das casas é próxima de nula, com correlação quase perfeita com inflação, nos tempos que correm fico com algumas reticências…
E o paper que escrevi mostra grande correlação do valor das casas com o PIB e a taxa de desemprego…
Abraço.
REPLYGabriel Paz
28 de Junho, 2011, 12:03Muito bom artigo Gonçalo. Parabéns.
REPLYMário Berto
28 de Junho, 2011, 14:11Caro Gonçalo,
Antes de mais os meus sinceros parabéns pelo excelente trabalho que tem feito com seu blog.
É sempre um prazer ler os seus artigos e dos seus associados.
Sobre este artigo, quero por-lhe a seguinte questão:
Se não recomenda o yield como forma de avaliar o investimento em buy-to-let, que método recomenda?
Cumprimentos e desejos de continuação de bom trabalho.
REPLYMário Berto