Dinheiro parado é dinheiro que rende?

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
Out of the Box
Main Thinker

OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director







Nos últimos meses, por questões profissionais mas também por gosto e  prazer, tenho tido a oportunidade de olhar para algumas centenas de hipóteses de investimento no mercado residencial, numa óptica de compra para arrendamento (buy-to-let). Sejam fracções isoladas, sejam prédios devolutos ou semi-ocupados, têm sido bastantes os imóveis que tenho analisado.

Das conversas que vou tendo com muitos agentes imobiliários e proprietários, parece-me haver uma “corrente” hoje em dia que procura justificar a compra de um imóvel, numa lógica de investimento, como sendo muito melhor do que ter o dinheiro “parado” no Banco.
Relacionado com este assunto, aconselho a leitura de Arrendar um imóvel pode dar no mínimo um retorno de 8%.
Também a propósito deste tema, aqui há umas semanas decorreu um pouco por todo o País uma conferência organizada pela Remax sobre esta temática do investimento em arrendamento residencial (ou, se quisermos, “buy-to-let”). Nessa conferência, o ponto base era o mesmo: é preferível investir num imóvel porque no longo prazo, o dinheiro no Banco desaparece, ao passo que um imóvel valoriza.
Apesar de entender a “lógica” do raciocínio, confesso que não entendo os seus fundamentais nem muitos dos pressupostos usados para justificar esta posição de base. Vamos por partes.
O site Business Insider apresenta-nos um gráfico muito interessante que coloca a opção “dinheiro parado” no patamar inferior das opções de investimento. Parece-me lógico. Se eu tiver o dinheiro no Banco, corro risco de inflação e risco de falência do próprio Banco. O retorno real, após imposto, é aliás negativo. Até aqui, pessoalmente, nada de novo.



Já o retorno com obrigações, porventura o activo que mais se assemelhará ao buy-to-let, em termos de perfil de geração de cash-flow – compro hoje, o activo gera um retorno minimamente constante ao longo do tempo, vendo amanhã – encontra-se um pouco mais acima na escada das rentabilidades, mas abaixo de 1% em termos reais e após impostos.

Por fim, as acções, um investimento mais arriscado mas gerador de um maior retorno.

A primeira conclusão parece-me, assim, facilmente tirada: mais rentabilidade, mais risco. Assim sendo, onde posiciono o activo imobiliário em termos de risco/rentabilidade?

Procurei fazer um exercício similar para o mercado Português e as conclusões são interessantes.

Mas ficará para um próximo artigo.

Bons negócios (imobiliários)!
2 comentários

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2 Comentários

  • António P. Amaral
    8 de Julho, 2013, 19:21

    Caro Gonçalo

    Assim não vale! Já não nos bastando o suspense do Dr. Portas, temos também que "aguentar" até à próxima edição pra saber o desfecho do teu baituléte?

    Abraço e boas férias se for caso disso

    REPLY
  • Goncalo Nascimento Rodrigues
    8 de Julho, 2013, 19:22

    Sim, e é irrevogável…

    REPLY

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