Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
Out of the Box
Main Thinker
OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director
Os números do sector residencial norte-americano continuam a surpreender. Depois do índice S&P Case-Shiller divulgar números animadores, que parecem confirmar uma tendência de recuperação no mercado, chegaram-nos agora os números de construções de casas novas, com um aumento significativo.
Fonte: NAHB
As 285.000 mil novas construções de edifícios com mais de 5 apartamentos, em Outubro passado, são um número espantoso, principalmente quando se percebe que representam uma subida de 10% face a Setembro de 65% face a Outubro de 2011.
As licenças para novas construções também subiram em Outubro, estando quase 30% acima dos valores registados em igual período do ano passado.
Fonte: US Census Bureau
Estes números revelam-nos confiança no mercado, da parte do sector da construção, em avançar com projectos e construções de edifícios multi-familiares. Mas o que terá levado a esta subida, este aumento da confiança? Apesar do mercado estar a recuperar, não é ainda totalmente certo que as quedas não voltem tão cedo.
Por um lado, a oferta é cada vez menor, o stock reduziu-se bastante nos últimos anos. Segundo a REALTOR.com, em Setembro passado registou-se uma queda dos inventários de quase 18%, em apenas um ano:
Fonte: REALTOR.com
A redução do stock deveu-se, sobretudo, a uma forte subida na procura, pelo arrendamento de casas. Com a subida da procura e a descida da oferta, devido a uma quebra grande nas novas construções – até agora – levou naturalmente a uma forte subida das rendas:
Fonte: US Census Bureau
A descida do stock em venda também está relacionada, em parte, com um aumento da compra de casas, mas por investidores e não por utilizadores finais. Com o aumento das rendas e a descida dos preços, a rentabilidade no investimento em casas nos Estados Unidos disparou.
Caso se continue a verificar uma subida nas novas construções, será provável e, quem sabe, até mesmo saudável para o mercado, que as rendas corrijam em baixa. No entanto, as expectativas é que o investimento no sector se mantenha elevado, segundo um relatório da Macquarie.
Fonte: Macquarie Research
Gostaria de poder antecipar estes mesmos movimentos de mercado para Portugal. Mas não acredito ser possível, não acredito que vá acontecer. Não acredito que o mercado de arrendamento se torne o motor do sector residencial em Portugal. Ao contrário do que está a acontecer nos Estados Unidos, julgo que Portugal irá observar uma descida das rendas (nos contratos novos) e uma lenta, muito lenta absorção do stock. Não haverá aumento da procura de não teremos, tão cedo, de volta a confiança no mercado, tão dependente da nossa conjuntura macroeconómica, política, social.
Bons negócios (imobiliários)!
2 Comentários
Anónimo
7 de Dezembro, 2012, 9:25Nada de surpreendente depois de uma forte contracção surge a recuperação. Importante entender que o gráfico da construção inicia uma forte desaceleração após 2006 e a lemmon brothers só acontece em 2008 fruto desta recessão no imobiliário. A recuperação iniciada em 2011 é rápida e parece ser dinâmica para os próximos anos.
REPLYSeria expectável um crescimento mais moderado e que os ciclos não fossem tão desajustados.
Em Portugal necessitamos rápidamente de sinais de mudança porque os gráficos nao terão assim tantas diferenças. A história repete-se, vamos ver !
Abraço e parabéns pelo seu blog.
Fernando Neves
Goncalo Nascimento Rodrigues
7 de Dezembro, 2012, 9:43Eu até acho algo surpreendente, devo dizer, mas olhando para as razões desta recuperação, entendo.
Mas temos de ter noção de uma coisa: a sustentabilidade de qualquer mercado residencial só é possível se houver, consistentemente, construção/reabilitação e compra de casas para uso próprio.
Esta recuperação nos EUA acontece devido à combinação de uma entrada massiva de investidores em buy-to-let e redução do stock, só possível porque existe mercado de arrendamento dinâmico e com procura.
Mas este movimento não me parece que possa durar muito tempo por forma a criar sustentabilidade no mercado (estamos a falar de vários anos e não alguns meses).
Vamos ver o que os próximos meses nos reserva…
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