O Golden Visa é uma arma!

Fernando Vasco Costa
Strategic Consultancy
Jones Lang LaSalle



O impacto que a legislação da Autorização de Residência para Actividade de Investimento (ARI) vulgo de Golden Visas, viria a ter no nosso imobiliário deverá ter sido claramente subestimado.

Se os objectivos foram a captação de investimento internacional e o escoamento do stock existente de habitação de qualidade, este último encontra-se praticamente concluído na Região de Lisboa.

Assistimos já à compra de apartamentos em planta por parte deste tipo de investidores, dada a escassez de stock, o que tem impulsionado um grande crescimento de Reabilitação Urbana na cidade de Lisboa, aliando o potencial de exploração turística com a procura de fracções com rentabilidade.

Quando refiro que este impacto terá sido subestimado, é porque não se terá pensado nesta fonte de investimento para o financiamento de operações de planeamento estratégico das nossas cidades, nomeadamente em reabilitação dos centros das mesmas.

A crónica falta de planeamento urbanístico existente no nosso país, leva a que nestas situações sejam premiadas as operações mais rápidas e não necessariamente as que mais interessam o bem comum.

Felizmente que agora a aposta parece ser a reabilitação urbana e o centro de Lisboa, com resultados à vista de todos. Podemos dizer que o mercado está a funcionar na sua plenitude, estando-se a criar produto onde há procura.

No entanto, no balanço que fazemos dos 40 anos de Democracia, o que devemos pensar não deverá ser se estamos melhor (claro que estamos!!!), mas sim se temos o país que queríamos. Devemos sim reflectir sobre a situação em que a falta de planeamento urbanístico de qualidade nos deixou e na necessidade de rectificar essas mesmas falhas graves para o desenvolvimento dos próximos 40 anos.

Penso que hoje temos três importantes motores para o nosso desenvolvimento imobiliário, e que por sua vez também poderão estimular a restante economia:

  • Potencial de crescimento turístico – Somos vizinhos de Espanha, maior destino europeu de noites vendidas para não-residentes, com 251 milhões em 2013. Portugal, que cresceu mais de 7% neste capítulo em 2013, ainda se encontra apenas nos 31 milhões de noites vendidas (12% de Espanha). Temos que ambicionar crescer muito mais neste mercado, com argumentos que nos distingam dos nossos vizinhos e que possam trazer também mais valor acrescentado.
  • Programas de Atracção de Investimento Internacional
    • Golden Visas – Já percebemos que temos um dos melhores programas de visas do Mundo, o que tem atraído uma grande procura, principalmente de cidadãos chineses.
    • Regime Fiscal para residentes não habituais – embora sem dados oficiais sobre o impacto deste regime, todos já nos apercebemos que está a ser similar ao dos Golden Visas, com a vantagem que estes se deverão estabelecer, pelo menos mais de metade do ano, no nosso país.
  • Competitividade do nosso imobiliário – temos um sector imobiliário com activos de grande qualidade, com os preços mais baixos e com as Yields mais altas da Europa, o que aliado à crescente percepção de segurança do País nos torna bastante atractivos para os investidores internacionais.

Acredito por isso que deveria existir um planeamento que definisse áreas ou sectores prioritários de investimento, onde por exemplo se poderiam criar escalões nos requisitos exigidos aos investidores de Golden Visas.

Se deixamos apenas o mercado funcionar, e dada a pressão existente neste momento, o que se irá concretizar será o mais rápido e não necessariamente o melhor e mais estratégico para o nosso desenvolvimento.

Deveremos por exemplo reflectir no que um peso excessivo de apartamentos turísticos terá na vivência do centro histórico de Lisboa, afastando moradores e retirando-lhe o carácter. Ou seja se a desejada reabilitação mas sem limites nem critérios será a médio prazo benéfica para a nossa cidade.

Em toda a Europa, cuja quota de turistas mundiais é de 50%, debate-se o impacto que o peso excessivo de turistas está a exercer nos centros históricos, tornando-os em verdadeiros parques temáticos. Embora devamos criar condições para o crescimento de turistas, este não deverá ser a todo o custo, correndo o risco de que a médio prazo ser contra producente.

Penso que estão criadas condições para rectificar alguns erros cometidos nos últimos 40 anos no que respeita o desenvolvimento urbanístico do nosso país e aproveitar as vantagens que temos hoje disponíveis. Por isso, e imbuído do “espirito revolucionário” que a época justifica, afirmo que o “Golden Visa é uma arma”, que devemos saber aprender a manejar, para que não demos  tiros nos pés.

1 comment

Artigos Relacionados

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *

1 Comment

  • Nicolau Soares
    7 de Maio, 2014, 10:57

    Muito bem, à que pensar a cidade, fazendo-a crescer, reabilitar e mais importante ainda faze-la viver.

    REPLY

So, what's new?

Etiquetas

acessibilidade habitação aguirre newman alavancagem alemanha alojamento local ana rita pereira angola antónio josé duarte arrendamento arrendamento acessível arrendamento com opção de compra augusto homem de mello aurare avaliação bancária avaliação de hoteis avaliações imobiliárias b. prime balcão nacional de arrendamento bani barómetro benefícios fiscais bernardo d'eça leal blockchain blogs bolha imobiliária bond yields branded residences brasil bruno lobo bruno silva built-to-rent. buy-to-let camara municipal de lisboa carlos gonçalves carlos leite de sousa casas Case Shiller cbre china commercial real estate comprar casa comércio confidencial imobiliário construção consultoria consultoria hoteleira consultoria imobiliária contrato promessa core core-plus coronavirus covid19 coworking credit default swaps crédito habitação crédito imobiliário crédito mal-parado cushman wakefield dação em pagamento distressed assets double dip dívida dívida pública entrevistas equity escritórios esg espanha estónia EUA euribor eurostat eventos facebook fernando vasco costa financiamento finanças imobiliárias fiscalidade FMI francisco espregueira francisco silva carvalho francisco virgolino frança fundbox fundos de investimento fundos de reabilitação urbana fundos imobiliários fundos pensões golden visa Gonçalo Nascimento Rodrigues habitação habitação acessível hipoteca holanda hotelaria hotéis imi imobiliário imobiliário do estado imobiliário portugal imobiliário turístico imposto de selo impostos imt imóveis banca industrial inflação inprop fund inteligência artificial investimento investimento imobiliário ipd irc irlanda irs iva jorge catarino jorge próspero dos santos josé carlos marques da silva joão abelha joão fonseca joão madeira de andrade joão nunes knight frank lei arrendamento lisboa logística low-cost ltv luís francisco marketing massimo forte mediação imobiliária NAMA non-performing loans notícias nrau nuno ribeiro obama obrigações do tesouro oportunístico ordem dos avaliadores orey activos orey financial out of the box património patrícia barão pedro pereira nunes permuta pib portais de imobiliário porto Portugal preços casas price earnings price to income price to rent prime watch prime yield promoção imobiliária propriedade rustica proptech prédios com rendas antigas reabilitação urbana real estate reit rendas residências 3ª idade residências estudantes retail parks reverse mortgage revista imobiliária ricardo da palma borges ricardo guimarães ricardo pereira rics risco Rui Alpalhão rui bexiga vale rui soares franco rácio de afordabilidade sale and leaseback segunda habitação senior living sigi spread taxa de actualização taxa fixa taxa interna de rentabilidade taxas de juro taxa variável tecnologia turismo turismo residencial uk value-add vender casa wacc yield índices imobiliários

Out of the Box Social Media

Subscreva a nossa newsletter

    Recomendado

    Barómetro