O Plano Obama


Principais Highlights:
  • $ 75 Bll para prevenir que cerca de 9 milhões de americanos sejam despejados das suas casas;
  • Injecção de $ 400 Bll na Fannie & Freddie para incentivar refinanciamentos;
  • Ajudar as famílias, concedendo um “incentivo” à prestação bancária, para que esta não exceda 31% do rendimento disponível;
  • Compra de hipotecas com negative equity, ou seja, cujo valor esteja já acima do valor de mercado do imóvel, num total de $ 200 Bll.
O que isto significa:
  • Comprando hipotecas cujo valor excede o valor de mercado dos imóveis, ficando com o risco do investimento. Incorpora também o prejuízo imediato. Comete-se o erro do pricing: está-se a cotar mal o produto. Esta medida seria fantástica se o preço fosse o correcto. Aquilo que se deveria ter feito seria montar um Mortgage REIT alike com hipotecas cotadas a preço de mercado e depois dispersar o capital. Comprar hipotecas acima do preço de mercado não resolve nada e parece-me que não cumprirá o objectivo de estancar a descida dos preços;
  • A concessão de um benefício a algumas famílias para que consigam pagar o empréstimo já me parece mais interessante, resta saber como será feita na prática. Se se injecta tudo nos home lenders para que estes possam renegociar empréstimos, temo que alguma coisa se perca pelo caminho. Se o benefício for directo ao indivíduo e à sua prestação, talvez se faça sentir um maior impacto;
  • O incentivo a refinanciamentos pode significar o aumento da dívida e de negative equity a prazo, o que pode ser complicado…
Contamos adicionar mais informação nos próximos dias e novos comentários sobre este assunto.
Bons negócios (imobiliários)!
2 comentários

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2 Comentários

  • Ricardo Amantes
    20 de Fevereiro, 2009, 15:28

    Caro Gonçalo,

    A ver vamos onde isto vai parar! Pessoalmente, acho que o Obama está essencialmente preocupado com a questão social. Ou seja, este é que é o seu verdadeiro drive e não a crise financeira. Mas não deveria ser antes o contrário? Isto é, em primeiro lugar, tentar estamcar a crise financeira (e reestabelecer os níveis de confiança!) e só depois então a social? Bem sei que isto é muito complicado de se fazer e de assumir, mormente quando se acabou de conseguir uma vitória histórica mas, pergunto, sem irmos verdadeiramente ao núcleo do problema não estaremos apenas a adiar a sua resolução e a continuar a agonia em que todos vivemos actualmente? Depois há outra coisa que, confesso, ainda percebi: mas afinal de onde é que vem tanto dinheiro? E, já agora, a que preço e quem vai pagar?
    Abraço do Ricardo Amantes

    REPLY
  • Gonçalo Nascimento Rodrigues
    20 de Fevereiro, 2009, 15:56

    Grande Ricardo,

    Antes de mais, deixa-me mandar esta “boca”: louvo-te a paciência para, depois do nosso último exame de Mestrado, ainda vires aqui comentares os posts destas 2 alminhas… sim, para aqueles que não sabem, terminamos ontem o Mestrados em Finanças, só falta mesmo a tese…

    Quanto ao teu post, deixa-me dizer o seguinte:

    – Começando pelo fim, e enquanto cidadão, também me faz imensa confusão esta questão do dinheiro. Estivemos anos a passar dificuldades, a ouvirmos dizer que não havia dinheiro e agora… parece haver dinheiro para tudo. É claramente algo com que nos devemos questionar…
    – Do ponto de vista financeiro, e enquanto curioso destas matérias, dir-te-ia que o dinheiro vem com… dívida! Esperem lá? Então não foi a dívida (o excesso dela) que em parte contribuiu para esta trapalhada toda?
    – O reflexo disto, já o estamos a sentir: descida dos ratings dos Estados, aumento dos prémios de emissão (vejam o caso da Irlanda, o quanto subiu em pouco mais de 1 ano!) e inflação. Parece-me que os USA terão de emitir mais e mais moeda (algo que nós já nem sequer podemos fazer) para poder pagar a dívida externa e isso, a prazo, provocará inflação;
    – Por fim, dizer-te que em parte me revejo nesta preocupação social do Obama. Acho que é uma questão de ideais e eu ainda acredito neles. Revejo-me muito mais numa política de proximidade. Aquilo que questiono é a forma como chegamos às pessoas. Acho que seria muito mais proveitoso ajudá-las directamente, em vez de procurar influenciar as regras do mercado para que seja este a chegar a essas mesmas pessoas. Procurar influenciar e ditar regras num mercado livre, nunca deu grande resultado e parece-me que é isso que está a ser feito com a compra de negative equities e auxílio aos home lenders;
    – Por exemplo, deixo aqui uma singela proposta: se devemos procurar desalavancar o mercado imobiliário, porque não conceder um benefício directo a quem queira fazer amortizações antecipadas? Vou ao banco, pago € 5.000 e amortizo € 6.000, directamente. O banco que acerte as contas com o Estado. Isto de andar a conceder benefícios às pessoas e às empresas que só se farão sentir daqui a 2 ou 3 anos…

    Bons negócios (imobiliários)!

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