De acordo com diversas fontes do sector imobiliário, desde revistas da especialidade até aos próprios gestores de fundos internacionais de private equity, há uma grande expectativa de que nos próximos 2-3 anos haja um grande número de oportunidades para investir no sector imobiliário na Europa. A maioria dessas oportunidades apresentará um perfil de risco elevado (típico dos fundos de private equity – IRR de 20-30%). A corroborar esta tese está uma estimativa recente do FMI: entre 58 bancos europeus esperam-se vendas superiores a $2 trillion de activos (incluindo o crédito imobiliário) ao longo dos próximos 2 anos…
As oportunidades de que se fala estarão fundamentalmente relacionadas com a compra de activos à Banca (portfolios de crédito e activos reais já no balanço) e ainda (provavelmente em menor escala) a investidores em distress. No entanto, os bancos europeus, de forma genérica, não estão com problemas de liquidez, mas sim de balanço, tendo uma necessidade imperiosa de cumprir com a (exigente) nova regulamentação bancária – sendo os rácios de capital e de transformação os mais falados (e limitadores à actividade). Nesta medida, a margem que os bancos têm para, no curto-prazo, efectuar uma limpeza de fundo aos seus balanços e avançar com vendas de portfolios em larga escala será, previsivelmente, limitada.
Neste capítulo, importa notar a recente onda de optimismo relativamente ao interesse que Espanha está a despertar nos investidores, havendo mesmo quem considere que este será o país Europeu com mais oportunidades em 2013 (perfil private equity – conforme referido acima). Oxalá assim seja, pois a proximidade de Portugal a Espanha, conjugada com os mais recentes sucessos nas nossas operações de emissão de dívida pública, poderão contribuir para atrair o interesse de alguns dos investidores estrangeiros que venham a operar aqui ao lado.
Para ajudar a que tudo corra pelo melhor em Espanha, será importante que o SAREB (bad bank espanhol) siga uma estratégia de vendas compatível com a situação actual do mercado. Dito assim, parecerá simples, mas a mim afigura-se complexo. A questão central será, quanto a mim, encontrar o nível de preços de venda que permita o equilíbrio entre um máximo para atrair investidores e um mínimo que limite o aumento das dificuldades (por via do aprofundar da queda dos preços) aos bancos e promotores/investidores (ainda na posse de activos em venda com dívida associada). Será fácil? Não sei. Do pouco que li a respeito deste tema, as notícias poderiam ser mais animadoras – diz-se que o SAREB estará a definir um nível de preços algo acima daquele que permitirá atrair investidores.
Será interessante para Portugal seguir com atenção o que se irá passar em Espanha ao longo das próximas semanas/meses.
Apesar dos fundamentais dos dois países serem diferentes, será possível “atrelar” o nosso pequeno mercado imobiliário ao de Espanha? Fica a dúvida.



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