Arrenda-se T2 em Lisboa. Muitos serão aqueles que procuram, quase desesperadamente, por um anúncio deste tipo. A grande maioria, quando o encontra, esbarra na renda pedida.
Analisando alguns dados da plataforma Casafari, chegamos à conclusão que o valor médio mensal(1) pedido por uma renda num T2 em Lisboa era de € 1.897, no final do 3º trimestre de 2023. Se olharmos para os dados do INE, concluímos que em 2021 o ganho médio mensal de um trabalhador por conta de outrem a tempo completo com remuneração completa foi de € 1.752. Mesmo assumindo os aumentos salariais entretanto registados, um casal ganhará assim um valor mensal na ordem dos € 3.500. A taxa de esforço é elevadíssima.
Em muito pouco tempo, as rendas de um T2 em Lisboa dispararam. No início de 2022, cada T2 apresentava uma asking rent mensal de € 1.364. Ou seja, em menos de 2 anos, as rendas pedidas subiram quase 40%! Em 7 trimestres consecutivos, só agora vemos uma quebra nas rendas:

Fonte: Casafari | Tratamento de Dados: Out of the Box
Uma questão de oferta?
Muito se tem falado da falta de oferta no mercado, seja de imóveis para venda, seja para arrendamento. De facto, observando os dados extraídos da Casafari, conclui-se que a oferta de T2 em Lisboa caiu ao longo de 2022. No entanto, 2023 parece ter trazido algo diferente.
Se em 2022, o stock de T2 para arrendamento caiu quase 35%, o presente ano de 2023 regista um aumento de 154%(2)! Há bastantes mais T2 em oferta no mercado. E isso pode ser uma justificação para a quebra nas rendas que agora se regista.

Fonte: Casafari | Tratamento de Dados: Out of the Box
O aumento da oferta de T2 para arrendamento é transversal a quase todas as freguesias de Lisboa, excepção feita a Avenidas Novas. E isso sente-se nas rendas pedidas: em 16 das 24 freguesias da capital, registaram-se quebras nas rendas pedidas no 3º trimestre de 2023.
A queda mais expressiva ocorreu no Areeiro, onde as rendas pedidas cairam mais de 12% em apenas 3 meses.
Porque é que é a oferta está a aumentar?
Apesar dos dados serem ainda recentes e ser prematuro tirar grandes conclusões, podemos procurar especular sobre possíveis razões para um aumento da oferta no mercado.
O aumento da oferta, para já registado, pode estar mais relacionado com a conjuntura de subida das taxas de juro. Este movimento é natural: uma subida das taxas de juro provoca uma diminuição do poder de compra na habitação, uma vez que o crédito se torna mais caro. Essa procura, afastada da possibilidade de compra, deriva para o arrendamento, provocando 1) aumento das rendas numa primeira instância e 2) aumento da oferta posteriormente.
Além disso, uma vez que a procura tem hoje menos poder de compra, há um conjunto vasto de casas que deixam de ter mercado na venda. Regista-se, pois, uma quebra nas vendas. Parte dessa oferta, na mão de investidores, naturalmente deriva para o mercado de arrendamento.
Esta parece-me, para já, a razão aparentemente mais plausível para um aumento da oferta no arrendamento: stock que anteriormente estava no mercado para venda e que, perante uma quebra na procura, deriva para o arrendamento.
No entanto, sendo o mercado imobiliário lento por natureza, a conclusão pode ser prematura. Mas não deixa de ser importante e relevante assinalar um aumento da oferta.
Bons negócios (imobiliários)!
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(1) Renda calculada pela ponderação das asking rents pelo número de casas em oferta, por freguesia de Lisboa
(2) Variação do stock entre o final do 4º trimestre de 2022 e 3º trimestre de 2023







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