Diversificação precisa-se

Fernando Vasco Costa
Strategic Consultancy
Jones Lang LaSalle

Há cerca de um ano escrevi nesta coluna sobre os bons sinais que o mercado imobiliário sentia. O ano de 2014, foi sem dúvida um grande ano para o nosso imobiliário, com níveis de investimento já perto dos 800 M€, um valor semelhante investido para efeitos de obtenção de Golden Visas e um grande número de edifícios vendidos para reabilitação urbana. Tudo aliado a um ano sem precedentes no número de turistas que nos visitaram.

Iniciamos por isso 2015 com grande expectativa, ainda com alguns negócios por fechar, que não foram concluídos no fim de 2014, e muitos mais com potencial de fecho no 1º trimestre. A pressão dos investidores internacionais é enorme e depois de um ajuste nos preços de venda, alguns destes já começam a chegar a valores nunca antes conhecidos.

No entanto notamos que este “bom tempo” apenas “aqueceu” pequenas zonas do nosso território, principalmente no Centro de Lisboa, pelo que há muito que fazer para termos uma indústria imobiliária em pleno funcionamento.

Actualmente a promoção está quase unicamente focada na reabilitação urbana vocacionada para o mercado internacional (turístico ou residencial) e penso ser importante promover a diversificação, até para que possamos atrair ainda maior investimento internacional.

Acredito já existirem condições para o relançamento de alguns projectos turísticos que se encontram em stand-by, adaptando-os às novas condições do mercado.

Uma das vertentes já identificadas, em que se tem que apostar definitivamente é o turismo-residencial sénior. Já não será preciso enumerar nem o potencial do mercado, nem as nossa excelentes condições para este mercado, que conjugadas com os benefícios fiscais existentes nos podem tornar como oferta praticamente imbatível.

Complementarmente há que apostar na saúde, especialmente nas áreas de melhoria da qualidade de vida dos seniores, nomeadamente em tratamento de Alzheimer e Fisioterapia, para que possamos oferecer um serviço completo e de topo de gama.

Com a entrada de novos investidores no nosso país, alguns dos quais já marcando presença no imobiliário mas também na saúde, com grande capacidade financeira, penso que finalmente vamos assistir à concretização deste desígnio nacional que nos irá posicionar como referência na Europa, mas também para África, Ásia e América do Sul.

Este é sem dúvida um sector que vai muito para além do imobiliário, pois envolve principalmente serviços de assistência e de saúde, e por isso o impacto que poderá ter na economia do país será ainda mais relevante.

Aqui fica então esta ideia, que não é nova nem minha, e o desafio para que os novos (e antigos) players da área da saúde se lancem definitivamente neste mercado de oportunidade.

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