Erros comuns no investimento imobiliário

Erros comuns no investimento imobiliário
Ao longo de mais de 25 anos a trabalhar no mercado imobiliário, analisando projectos e a sua viabilidade económico-financeira, aconselhando investidores e promotores imobiliários, avaliando carteiras de imóveis e de Fundos de Investimento mas sobretudo, observando as tomadas de decisão de cada um, aprendi muito com os erros.

Neste artigo, procuro listar alguns dos erros mais comuns no investimento imobiliário, que por vezes vi cometidos pelos próprios investidores. Sem olhar a graus de importância, aqui ficam alguns:

1) Pensar exclusivamente na yield

Erradamente, muitos investidores olham para a rentabilidade de um investimento levando em linha de conta apenas a yield. Importa relembrar que a yield, enquanto medida de rentabilidade, olha apenas para a componente de renda, descurando a mais-valia. Além disso, é uma medida estática no tempo e não leva em linha de conta o efeito de aumento do risco por introdução de dívida.
Um imóvel com uma yield baixa pode não representar um mau investimento, ao mesmo tempo que um imóvel com uma yield elevada não implica um bom investimento. Há que olhar sempre para os aspectos mais micro da localização e do próprio imóvel, para o momento do ciclo em que se toma a decisão de investimento e para o prazo expectável para se manter o mesmo.

2) Não ter uma estratégia de saída

De certa forma relacionado com o ponto anterior, há investidores que não pensam no chamado “holding period“, ou seja, durante quanto tempo planeiam deter o imóvel. Olham em exclusivo para a yield e descuram o potencial de geração de uma mais-valia futura. O tempo é o principal inimigo da rentabilidade de qualquer investimento imobiliário e a definição de uma estratégia e momento de saída são pontos importantes para a mesma.

3) Deixar-se levar pela emoção

Apesar da compra de habitação própria ou a aquisição de um imóvel para uso próprio ser igualmente um investimento, a verdade é que nesses casos o comprador deixa-se sempre guiar pela emoção. Num investimento imobiliário tal não pode, não deve acontecer. Quando investimos em imóveis, sobretudo em imóveis para arrendamento, devemos sempre procurar deixar a emoção de lado. Não devemos tomar decisões com base naquilo que gostamos ou nos deixamos apaixonar mas antes com base naquilo que a procura, o mercado pretende e mais valoriza.

4) Não definir convenientemente um custo de oportunidade

Aquando da tomada de decisão de um investimento imobiliário, qualquer investidor deve definir uma rentabilidade objectivo, ou seja, definir quanto pretende ganhar com esse investimento. Será com base nesse objectivo de rentabilidade que qualquer tomada de decisão deve ser feita: ou o investimento projectado gera uma rentabilidade superior ao objectivo, ou então a escolha deve ser outra.

Não há, por isso e à partida, rentabilidades altas ou baixas. Há, tão simplesmente, rentabilidades adequadas ao perfil de cada um.

5) Falta de Planeamento Financeiro

Muitos investidores entram no mercado imobiliário sem um plano financeiro sólido. É crucial ter em mente os custos totais do investimento, desde a compra do imóvel até os impostos, custos de manutenção e potenciais custos de remodelação. Sem um planeamento adequado, os investidores podem subestimar os gastos e comprometer a rentabilidade do investimento.

Juntamente com o plano financeiro, vem o plano temporal do investimento. “Tempo é dinheiro”, é costume dizer-se. Nos investimentos imobiliários, não é diferente. E todos sabemos como os processos de aprovação de projectos e a concretização de obras falham facilmente com as previsões iniciais.

Por isso, um bom planeamento é muito importante. E fazer análises de sensibilidade, também, procurando perceber os impactos gerados na rentabilidade do investidor por desvios face ao plano inicial.

6) Não Fazer uma Análise de Mercado

O mercado imobiliário está constantemente em evolução, e é essencial fazer uma análise detalhada do mercado antes de investir. Ignorar as tendências do mercado, como a valorização ou desvalorização de determinadas áreas, pode levar a más decisões de investimento.

Por isso, torna-se muito importante analisar cuidadosa e detalhadamente, quer oferta, como procura. Uma análise micro, aliada a grandes tendências de cariz mais macro são ferramentas valiosas e que ajudarão, com certeza, à obtenção de mais sucesso nos investimentos realizados.

7) Não se conhecer enquanto investidor

Deixei para o fim provavelmente o mais importante de todos os erros normalmente cometidos: a falta de auto-conhecimento enquanto investidor. Este, normalmente, é sempre o primeiro passo num processo de consultoria com investidores imobiliários: a qualificação. Um investidor tem de ser devidamente qualificado, para que se conheça face a aspectos fundamentais de qualquer investimento imobiliário: tolerância ao risco, prazo do investimento, estilo de investimento (renda vs. mais-valias).

Só depois disso é que um investidor deve iniciar o seu trabalho de pesquisa e análise de potenciais investimentos.

Bons negócios (imobiliários)!

 

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