Fim de Isenções nos Fundos Fechados

Saiu hoje uma notícia no Jornal Oje que fala sobre uma alteração introduzida no Orçamento de Estado para 2010. Essa alteração refere-se à abolição da isenção, em sede de IMT e IMI, para os Fundos de Investimento Imobiliário Fechados (FIIF).

Relembrando a situação actual: os FIIF de subscrição particular estão isentos em 50% de IMI e IMT e totalmente isentos quando subscritos por Investidores Institucionais. Os de subscrição pública estão também totalmente isentos (para mais informações, podem sempre consultar a Real Estate & Finance Newsletter nº6).

Parece-me ser uma medida que poderá prejudicar fortemente a nossa indústria de fundos de investimento imobiliário e também o próprio mercado imobiliário. Será uma forte penalização para os novos investimentos (que terão de pagar IMT) e para as carteiras existentes, que terão de começar a pagar IMI.

De acordo com os dados mais recentes da APFIPP, o valor total sob gestão dos Fundos Fechados em Portugal totalizava, em Fevereiro de 2010, 5 mil milhões de euros. Provavelmente, alguns fundos especiais (com activos sob gestão de 1,757 mil milhões de euros) também serão fundos fechados, subindo assim a factura para os participantes. De qualquer forma, poderemos estar a falar de uma receita adicional para o Estado mínima de € 10 Milhões (taxa mínima de 0,2%), mais provavelmente a cair para os € 20 Milhões.

Num contexto económico, no mínimo complicado, num enquadramento imobiliário algo depressivo, onde as rendibilidades são cada vez mais reduzidas e a gestão dos investimentos mais difícil e criteriosa, estas alterações fiscais poderão ter um impacto significativo na rendibilidade de muitos investimentos e carteiras imobiliárias. A par da descida dos preços do mercado imobiliário, da subida das yields e consequentemente uma descida generalizada no NAV dos fundos, uma subida da fiscalidade poderá colocar muito investimento em causa.

Após a entrada em vigor dos FIIAH, com um regime fiscal bastante interessante para o investidor, sinceramente pensei que estaríamos a entrar numa nova fase. Esta alteração agora a confirmar-se é, para mim, um enorme retrocesso.

Vamos ver o que ficará previsto em sede de Orçamento de Estado e depois logo veremos e faremos as contas mas à partida parece-me que poderá prejudicar o investimento imobiliário e a “angariação” de investidores institucionais que tanta falta fazem ao nosso, já por si, pequeno e pouco interessante mercado.

Mesmo assim, continuo e continuarei sempre a desejar-vos… bons negócios (imobiliários)!
9 comentários

Artigos Relacionados

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *

9 Comentários

  • Anónimo
    24 de Março, 2010, 13:09

    Permito me discordar do GNR porque não sei se será uma medida tão relevante quanto isso. A maior parte dos FIIFechados que sofrerão as consequencias desta medida são meros veículos fiscais de promotores e detentores de património imobiliário que encontraram aqui um veículo para isenções/reduções fiscais mal pensadas e mal estruturadas. Ninguém se pode esquecer das motivações pelas quais, há quase 23 anos, foi criada a legislação sobre fundos de investimento imobiliário: agregar poupanças que, geridas por entidades profissionais, permitissem a dupla função do acesso de pequenos aforradores ao mercado de investimento imobiliário e, simultaneamente, favorecer a criação de veículos de dinamização do mercado. Ora nenhum destes objectivos esteve, com toda a certeza, presente na criação do actual regime fiscal dos FIIFechados. Agora o próprio legislador compreendeu a "ratoeira" que criou e, em nome da moralidade, vem abolir benefícios sem nexo algum.
    Mais valia que, em devido tempo, tivessem reconhecido a dedutibilidade dos encargos financeiros da dívida contraída pelos FIIAbertos. Não podemos continuar a ser um país em que, aproveitando boas medidas por alguns adoptadas, dentro de um certo enquadramento, se permita mais tarde distorcê-las com motivações ou pouco claras ou nada esclarecidas.

    REPLY
  • Gonçalo Nascimento Rodrigues
    24 de Março, 2010, 13:16

    Antes de mais, volto a alertar para a necessidade de todos assinarmos os nossos comentários. As opiniões devem ser identificáveis para poderem ser livremente discutidas.

    Sobre este comentário, em parte concordo mas há que não esquecer 2 aspectos: primeiro, a isenção já tinha sido cortada em 50% por causa disto que este nosso leitor alerta; por outro lado, existe o outro lado da equação, ou seja, aqueles que usam estes veículos para efectivamente desenvolverem a sua actividade entregando a gestão a uma entidade independente e com know-how, para além obviamente de usufruirem dos benefícios fiscais em vigor.

    E pergunto-me: qual é o problema disso?

    O acesso a pequenos aforradores faz-se por via dos fundos abertos, e esses mantêm a isenção. Quanto aos fundos fechados, é um veículo adequado a promotores e investidores que queiram desenvolver os seus investimentos beneficiando também de um enquadramento fiscal mais favorável.

    E os FIIAH? E os fundos de reabilitação urbana? Não são também esses mecanismos importantes e necessários?

    Como em tudo, há que "separar o trigo do joio"…

    REPLY
  • joao Safara
    24 de Março, 2010, 16:13

    Caríssimo Anónimo:

    Se eu quiser entrar numa reabilitação de um prédio que ache catita e com bom potencial mas para essa operação precisar de 5M de euros e se tiver só 1M, poderei juntar uns quantos amigos, três, quatro, dez, os que forem necessários para fazer os 5M e assim investir num produto imobiliário ( FII Fechado) que sozinho não teria hipótese. Acha que isto é planeamento fiscal? Eu não e também não percebo o motivo da descriminação perante os fundos abertos.
    Se o Estado pensa que existe situações fraudulentas porque não investiga caso a caso ao invés de descriminar? Dará trabalho????

    Para reflectirmos

    João Safara

    REPLY
  • António
    25 de Março, 2010, 14:56

    Ilustres intervenientes,
    Esta medida que agora se anuncia e espero não venha a ter consagração legal é mais uma machadada no nosso depauperado mercado de investimento imobiliário em geral e dos fundos imobiliários em particular.
    São tantas as restrições operacionais (por exemplo a carga burocrática e administrativa da gestão dos FII's) as imposições legais (p.ex. o regime do arrendamento urbano distorcido e desdobrado em três sub-regimes cada um pior que o outro)e as exigências tributárias que o Estado aplica a estes veículos de investimento, que qualquer investidor que actue sob critérios de razoabilidade e eficiência económica, tenderá a pura e simplesmente desviar as atenções para outras realidades bem mais interessantes e atractivas…
    Temo bem que, perante o descalabro económico a que estes governos nos têm conduzido com a consequência inevitável do recurso imoral ao sacríficio dos cidadãos via mais e mais impostos, em bem pouco tempo até os Fundos abertos passarão a pagar esses impostos prediais.
    Já nada me admira, sobretudo quando já ouvi ex-responsáveis da CMVM a advogarem pura e simplesmente a abolição dos fundos abertos sob o pretexto das dificuldades da avaliação correcta dos seus activos. Enfim, mais uma desculpa para justificar a incompetência de alguns elementos da supervisão financeira…
    Reparem bem que aqui não se trata de agravar a tributação da riqueza institucionalizada protagonizada pelos fundos é apenas mais uma medida para promover o empobrecimento geral e desincentivar o investimento como se este país fosse uma terra maldita que tem ódio a quem promove a criação de riqueza, desenvolve investimentos, gera empregos, alimenta os serviços de arquitectura, engenharia e afins, paga taxas camarárias e muitos outros impostos para além destes…
    E o problema é que entrega esses impostos a um Estado que gasta mutíssimo, endivida-se irresponsavelmente, trabalha mal e ainda por cima espezinha os privados.
    A falência do Estado é a
    moral subjacente a esta medida.
    António Coutinho Rebelo

    REPLY
  • Gonçalo Nascimento Rodrigues
    25 de Março, 2010, 15:01

    Meu Caro António,

    Antes de mais, devo dizer que é um prazer ter-te por cá e receber tão valiosa opinião!

    No fundo, é também como o João Safara dizia: é muito difícil fiscalizar?

    Na verdade, este Governo já nos habituou a isso mesmo: na incapacidade de fiscalizar, de supervisionar, de gerir, de poupar, de pensar e de estruturar o nosso País, torna-se sempre mais simples cobrar e cobrar mais.

    Este nosso Governo passou os últimos 5 anos a trabalhar (mal) o lado da receita e a gerir (ainda pior) o lado da despesa.

    E agora o mercado de investimento imobiliário "levou por tabela"…

    REPLY

So, what's new?

Etiquetas

acessibilidade habitação aguirre newman alavancagem alemanha alojamento local ana rita pereira angola antónio josé duarte arrendamento arrendamento acessível arrendamento com opção de compra augusto homem de mello aurare avaliação bancária avaliação de hoteis avaliações imobiliárias b. prime balcão nacional de arrendamento bani barómetro benefícios fiscais bernardo d'eça leal blockchain blogs bolha imobiliária bond yields branded residences brasil bruno lobo bruno silva built-to-rent. buy-to-let camara municipal de lisboa carlos gonçalves carlos leite de sousa casas Case Shiller cbre china commercial real estate comprar casa comércio confidencial imobiliário construção consultoria consultoria hoteleira consultoria imobiliária contrato promessa core core-plus coronavirus covid19 coworking credit default swaps crédito habitação crédito imobiliário crédito mal-parado cushman wakefield dação em pagamento distressed assets double dip dívida dívida pública entrevistas equity escritórios esg espanha estónia EUA euribor eurostat eventos facebook fernando vasco costa financiamento finanças imobiliárias fiscalidade FMI francisco espregueira francisco silva carvalho francisco virgolino frança fundbox fundos de investimento fundos de reabilitação urbana fundos imobiliários fundos pensões golden visa Gonçalo Nascimento Rodrigues habitação habitação acessível hipoteca holanda hotelaria hotéis imi imobiliário imobiliário do estado imobiliário portugal imobiliário turístico imposto de selo impostos imt imóveis banca industrial inflação inprop fund inteligência artificial investimento investimento imobiliário ipd irc irlanda irs iva jorge catarino jorge próspero dos santos josé carlos marques da silva joão abelha joão fonseca joão madeira de andrade joão nunes knight frank lei arrendamento lisboa logística low-cost ltv luís francisco marketing massimo forte mediação imobiliária NAMA non-performing loans notícias nrau nuno ribeiro obama obrigações do tesouro oportunístico ordem dos avaliadores orey activos orey financial out of the box património patrícia barão pedro pereira nunes permuta pib portais de imobiliário porto Portugal preços casas price earnings price to income price to rent prime watch prime yield promoção imobiliária propriedade rustica proptech prédios com rendas antigas reabilitação urbana real estate reit rendas residências 3ª idade residências estudantes retail parks reverse mortgage revista imobiliária ricardo da palma borges ricardo guimarães ricardo pereira rics risco Rui Alpalhão rui bexiga vale rui soares franco rácio de afordabilidade sale and leaseback segunda habitação senior living sigi spread taxa de actualização taxa fixa taxa interna de rentabilidade taxas de juro taxa variável tecnologia turismo turismo residencial uk value-add vender casa wacc yield índices imobiliários

Out of the Box Social Media

Subscreva a nossa newsletter

    Recomendado

    Barómetro