Habitação: Portugal é dos países que mais valoriza

O FMI publicou recentemente os últimos dados do seu Global House Price Index, onde se pode ver a manutenção da subida dos preços na habitação. Na realidade, o índice encontra-se já muito próximo do seu máximo histórico, registado antes da recente crise imobiliária e financeira, vivida após o subprime de 2007.
Dos 64 países monitorizados, apenas 14 registaram uma queda anual de preços em 2016, face a igual período de 2015. A maior queda foi sentida no Brasil com uma descida superior a -17% nos preços no 1º trimestre, seguido da Rússia (-13%) e Hong Kong (-10,5%).
Do lado das subidas, Hungria encontra-se na frente do pelotão, com um acréscimo nos preços de 14,8%. Suécia e Nova Zelândia completam o pódio, ambos com subidas superiores a 10%. Portugal registou um aumento nos preços de 6,4%, estando na 15ª posição do índice.
Nesta última análise, o FMI divide os 64 países analisados em 3 categorias. A forma como cada país é integrado em cada uma delas depende da variação média dos preços nos períodos 2007-2012 e 2013-2016. As categorias são as seguintes:
  • Gloom – Aqueles (18) que registaram fortes quedas após a crise, e que, após esse momento, mantiveram um ritmo de desvalorização;
  • Bust and Boom – Os países (18) que registaram quedas após a crise mas que rapidamente recuperaram desde 2013. De referir que Portugal se inclui neste grupo;
  • Boom – O conjunto de 21 países que observaram quedas modestas nos preços após a crise e que rapidamente registaram fortes subidas.
Para estes 3 conjuntos de países, as conclusões retiradas pelo FMI são muito interessantes:
  • No conjunto de países “Gloom”, ainda não se verificou uma real recuperação de preços na habitação;
  • O crédito concedido foi muito mais elevado nos países “Boom”. Após 2008, todos os restantes países registaram subidas moderadas no crédito imobiliário;
  • Novas licenças de construção e novas construções foram bastante mais modestas nos países “Gloom”. Na realidade, nestes registou-se uma queda nos licenciamentos.

O FMI faz algumas chamadas de atenção, sobretudo para alguns países “Boom” e “Bust and Boom”:
  • Dinamarca, Alemanha, Nova Zelândia e Reino Unido registam alguns constrangimentos ao nível da oferta. De facto, nestes países não se emitem licenças de construção suficientes para o elevado nível de procura local, justificando assim em grande parte a forte subida de preços;
  • No caso da Noruega, regista-se uma sobrevalorização substancial do mercado;
  • Bélgica, Canadá, Luxemburgo, Malta, Malásia e Reino Unido necessitam de políticas macroeconómicas prudentes caso se intensifiquem as vulnerabilidades detectadas.
Bons negócios (imobiliários)!

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